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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Passagem da 3ª. Companhia por Serpa Pinto (3ª parte)

(Por Abílio Hermenegildo)

(clica nas fotos para as aumentar)





Distrito do Cuando Cubango


Em Julho de 1973 o 4º grupo de combate foi destacado para fazer um M. V. L. ao Mucusso, foi mais uma saída em conjunto com o 1º grupo, se não me falha a memória. Esta “viagem” foi então mais longa, 25 dias, cujo percurso foi: Serpa Pinto – Caiundo – Mucundi - Cuangar – Calai – Mutango – Dirico – Mucusso. Estas eram as povoações de maior relevo que todos se devem de lembrar, apesar de também existirem outras, em que se parava para deixar alguns dos abastecimentos nas respectivas lojecas. Tenho ideia dum episódio, não sei se foi neste M. V. L. ou se foi noutra saída: Em plena mata, ao longo do percurso surgiram uns 3 ou 4 indivíduos negros vestidos com uma farda idêntica á nossa farda número 3 a pedirem boleia. A Berliet onde eu seguia parou e nas calmas demos boleia até há zona onde eles pretendiam ficar que foi também no meio da mata,


Chegada ao Caiundo



Travesia de viaturas na jangada do rio Cualir para o Cuangar


Paragem para o almoço no Cuangar - Esplanada do Restaurante

Paragem entre o Cuangar e o Calai
Devido ao sobreaquecimento dos motores das viaturas


Por fim chegámos ao Calai e aí ficámos algumas horas, que além de podermos descansar e refrescar um pouco, também houve tempo para se tirar algumas fotos de certa forma interessantes, das canoas velhas que eram aproveitadas para serem puxadas por uma junta de bois e assim utilizadas como meio de transporte.


Paragem no Calai
Um dos meios de transporte terrestre da população indígena local

Paragem no Calai
Um dos meios de transporte terrestre da população indígena local


Paragem no Calai
Na outra margem do rio é o Rundu (Sudoeste Africano, actual Namíbia), onde ficava a base militar que nos apoiava militarmente (os chamados "primos")


E assim se fazia negócio no Calai, o importante era vender, mal acabavam de ser descarregadas as caixas de cerveja Cuca, que eram vendidas ás caixas e era fácil atravessar a fronteira de canoa com destino ao Rundu que era mesmo ali a dois passos.
(Quando cheguei aos Açores nos primeiros tempos ainda cheguei a beber cerveja Cuca)





Transporte em pequenas canoas grades cerveja Cuca
atravessando a fronteira através do Rio Cubango



Travessia de viaturas na jangada da M'Pupa
Como ficavam os pneus das viaturas durante
o percurso do M V L, muitos ficavam desfeitos


Neste M. V. L. seguia na última Berliet com alguns elementos do 4º grupo e não sei se seguia na mesma viatura o Girão ou o Brandão.  Encerrávamos o “comboio” da coluna das viaturas civis e militares. Recordo que em determinada altura entre o Dirico e o Mucusso aconteceu o que menos se esperava, pois para acender um cigarro era coisa complicada por causa do vento que fazia devido há velocidade da viatura, e cada vez que se acendia um fósforo este apagava-se e o fósforo ia fora. Isto foi feito repetidas vezes até se conseguir acender o tão desejado cigarro e, como das vezes anteriores, deitava-se o fósforo fora. Claro que desta vez o maldito fósforo não se apagou de imediato e pegou fogo ao capim que estava tão seco que ardeu de tal forma que parecia que tinha sido regado com gasolina. A Berliet em que seguíamos ia bastante afastada do resto da coluna por alguma razão que não me lembro. Ora quem ia nas viaturas da frente não sabia o que se passava retaguarda, ao verem uma enorme quantidade de fumo negro, pensaram que tinha acontecido alguma coisa nalguma viatura da retaguarda. De repente surge a Berliet onde seguia o Filipe que veio ao nosso encontro para saber o que se tinha passado.
Algumas fotos dessa queimada:


Primeiros momentos do incêndio na savana
Com o capim extremamente seco depressa
as chamas se alastraram até ao início da mata

Outro aspecto da queimada


A queimada vista de outro ângulo já com a viatura em andamento

Regresso a Serpa Pinto do M. V. L. - Paragem no Caiundo


Para terminar, lembrei-me dum episódio que aconteceu comigo e com o condutor da Berliet, numa das saídas para os lados de Mavinga, e ainda hoje me arrepio ao pensar no que felizmente não aconteceu e poderia ter acontecido.
Depois de sairmos de Serpa Pinto era paragem quase que obrigatória no Longa para se petiscar alguma coisa e beber umas Cucas frescas. Eu seguia na Berliet rebenta minas e ao pararmos no Longa, pergunto ao condutor, que não me recordo quem era nem do nome, onde podia deixar as granadas que levava comigo, de maneira que ficassem escondidas para que ninguém mexesse, pois não dava muito jeito andar com elas penduradas no cinturão. O melhor lugar que ele arranjou foi debaixo do banco pois havia ali um espaço, por baixo onde estava a bateria.
Acontece que nunca mais nos lembrámos das granadas e recomeçámos a “viagem” para Mavinga.
Ao fim de algumas horas sente-se dentro da cabine um cheiro a queimado e algum fumo pois os cabos da bateria tinham-se soltado e estavam a fazer faísca e começaram a queimar a esponja do banco onde ia sentado. Quando retiramos o assento e vimos as granadas lá dentro e ficamos gelados sem pinga de sangue. Escusado será dizer que serviu de lição o susto que apanhámos, pois desde esse dia nunca mais deixei nada guardado naquelas condições. Tenho pena de não me lembrar quem era o condutor, pode ser que ele visite o Fórum e se lembre deste episódio e possa acrescentar mais alguma coisa além da cara com que fiquei na altura. O que é certo é que não tinha chegado a nossa hora, porque se tivesse, nada de nós os dois se tinha aproveitado pois de certeza que tudo teria ficado desfeito com o rebentamento de quatro granadas que estavam debaixo do assento.

Pois bem meus amigos, foi mais uma das minhas saídas e do 4º grupo, das mais longas talvez.
Para todos, aquele grande e forte abraço
A. Hermenegildo

sexta-feira, 26 de março de 2010

Recordações de Angola - 23 (José da Costa Fernandes)

(Por Luis Marques)



O José da Costa Fernandes foi soldado condutor na C.C.S.
Chegou a Angola um pouco mais tarde que os restantes militares da sua Companhia e juntou-se a eles já depois do Natal de 1972, em M'pupa.
Mas não perdeu pela demora, pois, como "maçarico" que era, foi logo “baptizado” com inúmeras saídas em colunas e em escoltas.
E o Zé parecia gostar dessa vida... ao ponto de rapidamente se apelidado de “rei da picada”.
Na tropa, como sabem, é por vezes difícil saber a origem de uma alcunha, mas são poucos aqueles que conseguiram escapar a uma. Quanto a mim, o cognome “rei da picada” aplicado ao Zé Fernandes está apropriado, pois foram imensas as saídas que fizemos juntos e ele dominava com perícia os bólides que lhe passaram pelas mãos (Unimogs e Berliets). Mas também me lembro de  alguns sustos...ou estarei enganado?
Ficaram como recordação os incontáveis quilómetros percorridos no quente sertão do Cuando Cubango, nas estradas e picadas da zona Fazenda Tentativa / Caxito / Mabubas / Fazenda Tabi / Ambriz e pelos caminhos e estradas de Cabinda.
Das lembranças do Zé Fernandes ele decidiu partilhar connosco algumas fotos que guarda com carinho. Essas fotos aqui ficam ad perpetuam rei memoriam (para lembrança perpétua das coisas).

As legendas das fotos são também do Zé Fernandes.

(clica nas fotos para as aumentar)
 
O cozinheiro Santos em M'pupa

Fernandes, Figueiredo, Campos (da 1ª Companhia) e um maçarico recém chegado, tudo isto no Grafanil, antes do regresso em Novembro de 1974

José Fernandes com três camaradas ao fundo, quando faziam "caça" aos cafecos na sanzala por trás das escolas, em Cabinda
 
Fernandes mais o "Espirito Maligno" e o camarada que sofreu um acidente, quando o Godinho bateu na trazeira do gipe do Comandante

O Fernandes, mais o Sousa (furriel) e um grupo de atiradores, numa coluna para o Ambriz


"Pampilhosa", Carrapiço e o Fernandes, na Fazenda Tentativa

Numa coluna ao Calai (esquerda) Uma festa em M'pupa (direita)
 
O "Pampilhosa" e o Fernandes, em Cabinda
 
 Fernandes mais um atirador em Ambriz

À esquerda o Fernandes e Soares a "ligar" a ´´agua para o aquartelamento em M´'pupa
À direita, o Fernandes, o Nunes (de pé), o Pires, Henrique (mecânico) e o Rocha

Foto tirada em M'pupa. O Machado de braço ao peito

O Fernandes, o Pires e Soares, no Estádio "Os Cavaleiros", em M'pupa

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Recordações de Angola - 22

(Por Luís Marques)

Nos últimos tempos têm rareado as publicações do Fórum 4611 no que respeita à C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72.
Não creio que se tenha “esvaziado o balão” que anteriormente alimentava o blogue com relatos de acontecimentos passados e que eram bem ilustrados com fotos confiadas por amigos.
Acontece simplesmente que não têm chegado até nós novos relatos de acontecimentos passados ou actuais escritos na primeira pessoa pelos respectivos intervenientes. O mesmo se diga de fotos que possam enriquecer o nosso “álbum de recordações”, tudo isto apesar das várias promessas que nos são feitas.
Ao passar os olhos pelas fotografias que no passado me foram entregues para publicação no blogue, deparei com algumas que ainda não foram exibidas.
Estavam elas à espera de ilustrar uma boa história, que nunca chegou a ser contada...
Não sei se a tal “boa história” chegará a ser relatada algum dia. Ainda espero (esperamos) por ela.
De qualquer maneira, entendo que, enquanto não são escritas mais narrações sobre a vivência do antigos militares da C.C.S., que algumas dessas fotografias devem ser já publicadas, pois fazem parte da nossa memória colectiva. Antes que nós nos esqueçamos de vez dos nomes de quem nelas figura.
No caso das fotografias que hoje publicamos, elas foram-me entregues pelo José Vasconcelos, antigo furriel da C.C.S. e representam cenas do nosso quotidiano, ocorridas um pouco por toda Angola (cenas passadas no Calai, em M’pupa, Cabinda e por outras terras angolanas.
Faço desde já um convite aos meus caros amigos: não consegui identificar alguns dos nossos antigos camaradas que estão em algumas fotografias, pois os 35 anos que passaram fizeram-me esquecer os nomes, que não as pessoas. Peço-vos que me ajudem a identificar os que faltam, para assim o trabalho ficar completo.


Uma equipa de futebol do Pelotão de Reconhecimento e Informações, antes de um renhido jogo, em M'pupa. Agachados estão  o  ?, Victor, Pereira e Vasconcelos. Em pé estão o ?, ?, Sousa, Gouveia e eu


Esta fotografia foi obtida antes de um jogo disputado na Vila do Calai, no Cuando Cubango, provavelmente contra uma equipa de sul-africanos. A representar a CCS estão o "Del Xira" (na primeira fila, o 2º do lado esquerdo), o Vasconcelos e o Pereira (ne mesma fila os dois últimos da direita). Provavelmente estará mais alguém da CCS, mas eu não os reconheço. Os restantes são comerciantes e outras gentes do Calai
Provavelmente uma cena do mesmo jogo. Ao centro, a disputar a bola, está o Vasconcelos


Um salto até Cabinda.
O Jaime Ferreira e o Vasconcelos na varanda do alojamento dos sargentos, com os célebres chapéus comprados no Rundu, Sudoeste Africano. O Jaime até parece um cubano a fumar um "puro" .

Ainda em Cabinda. A catedral que nos fez companhia durante vários meses (o alojamento dos sargentos ficava do lado esquerdo da catedral)

Um regresso ao Calai, no Cuando Cubango.
Aqui estou eu (à direita), mais o Quim Raposo, quando me encontrava no Destacamento do Calai, fronteira con o Sudoeste Africano, em 1973. De realçar o aspecto imberbe dos figurantes, sobretudo o meu (tinha aqui vinte anos)

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta