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sexta-feira, 26 de março de 2010

Recordações de Angola - 23 (José da Costa Fernandes)

(Por Luis Marques)



O José da Costa Fernandes foi soldado condutor na C.C.S.
Chegou a Angola um pouco mais tarde que os restantes militares da sua Companhia e juntou-se a eles já depois do Natal de 1972, em M'pupa.
Mas não perdeu pela demora, pois, como "maçarico" que era, foi logo “baptizado” com inúmeras saídas em colunas e em escoltas.
E o Zé parecia gostar dessa vida... ao ponto de rapidamente se apelidado de “rei da picada”.
Na tropa, como sabem, é por vezes difícil saber a origem de uma alcunha, mas são poucos aqueles que conseguiram escapar a uma. Quanto a mim, o cognome “rei da picada” aplicado ao Zé Fernandes está apropriado, pois foram imensas as saídas que fizemos juntos e ele dominava com perícia os bólides que lhe passaram pelas mãos (Unimogs e Berliets). Mas também me lembro de  alguns sustos...ou estarei enganado?
Ficaram como recordação os incontáveis quilómetros percorridos no quente sertão do Cuando Cubango, nas estradas e picadas da zona Fazenda Tentativa / Caxito / Mabubas / Fazenda Tabi / Ambriz e pelos caminhos e estradas de Cabinda.
Das lembranças do Zé Fernandes ele decidiu partilhar connosco algumas fotos que guarda com carinho. Essas fotos aqui ficam ad perpetuam rei memoriam (para lembrança perpétua das coisas).

As legendas das fotos são também do Zé Fernandes.

(clica nas fotos para as aumentar)
 
O cozinheiro Santos em M'pupa

Fernandes, Figueiredo, Campos (da 1ª Companhia) e um maçarico recém chegado, tudo isto no Grafanil, antes do regresso em Novembro de 1974

José Fernandes com três camaradas ao fundo, quando faziam "caça" aos cafecos na sanzala por trás das escolas, em Cabinda
 
Fernandes mais o "Espirito Maligno" e o camarada que sofreu um acidente, quando o Godinho bateu na trazeira do gipe do Comandante

O Fernandes, mais o Sousa (furriel) e um grupo de atiradores, numa coluna para o Ambriz


"Pampilhosa", Carrapiço e o Fernandes, na Fazenda Tentativa

Numa coluna ao Calai (esquerda) Uma festa em M'pupa (direita)
 
O "Pampilhosa" e o Fernandes, em Cabinda
 
 Fernandes mais um atirador em Ambriz

À esquerda o Fernandes e Soares a "ligar" a ´´agua para o aquartelamento em M´'pupa
À direita, o Fernandes, o Nunes (de pé), o Pires, Henrique (mecânico) e o Rocha

Foto tirada em M'pupa. O Machado de braço ao peito

O Fernandes, o Pires e Soares, no Estádio "Os Cavaleiros", em M'pupa

terça-feira, 28 de abril de 2009

FAZENDA TENTATIVA (1974) - 2

(Por Luís Marques)

No dia 9 de Março de 2009, publicámos aqui no Fórum 4611 o relato de um contacto de Patrícia Lara, residente no Reino Unido e neta do antigo proprietário da Fazenda Tentativa, António de Sousa Lara, a qual procurava por qualquer sinal ou indicação que a pudesse levar até ao contacto dos seus familiares pela parte de seu pai, Liberto de Sousa Lara.
Segundo ela, todas as diligências por si feitas para encontrar esses familiares perdidos tinham resultado infrutíferas.
Pois bem, graças ao Fórum 4611, a Patrícia Lara já entrou em ligação estreita com dois familiares que leram a nossa mensagem de 9 de Março e manifestaram através de e-mail o desejo de a contactar por nosso intermédio (um deles hoje mesmo...).
Que melhor dádiva poderia o Fórum 4611 pretender no dia do seu primeiro aniversário?...
Vejam bem o que sucedeu ainda este mês com a chegada do “miúdo” Fernando Moreira a estas páginas e a vaga de fundo que a sua mensagem proporcionou. Não é singular?

segunda-feira, 9 de março de 2009

FAZENDA TENTATIVA (1974)

(Por Luís Marques)





No passadio dia 2 deste mês de Março, foi enviada uma mensagem para a caixa de correio associada ao blogue Fórum 4611 ( forum4611@gmail.com ).
Trata-se de uma mensagem de uma senhora, Patrícia Lara de seu nome, residente na Reino Unido, que nos perguntava se havíamos conhecido, durante a nossa passagem pela Fazenda Tentativa, seu pai, Liberto Sousa Lara, ou seu avô, António Sousa Lara.
Seu pai morrera era ela pequena, mas guardou na memória as histórias que ele lhe contava sobre a Fazenda Tentativa. Infelizmente perdeu todo o contacto com a família paterna e perguntávamos se por acaso conhecíamos alguém ligado à sua família a quem pudéssemos entregar o seu contacto.
Infelizmente, tanto quanto nos foi possível apurar junto de alguns de nós, não nos recordamos quer de seu pai quer de seu avô.
Contudo tínhamos todas as razões para nos recordar, pelo menos de seu avô, António Sousa Lara, pois ele foi nem mais nem menos O DONO DA FAZENDA TENTATIVA, no tempo em que nós permanecemos lá estacionados, em 1973 e 1974.
A prová-lo, apresento a seguir um excerto retirado de uma página da Internet, do próprio “Jornal de Angola”: ( http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=9739 )

A Fazenda Tentativa em 1974

"Memória



Segundo, Marcos Jorge, o ano de 1973, foi excelente para a agricultura em Angola, no açúcar e nas demais culturas, favorecidas pelas condições climáticas e pluviométricas que se registaram naquela altura.
Nesse ano, a “Açucareira 4 de Fevereiro” atingiu o índice de produção mais alto de toda a sua história, chegando a atingir a cifra de 23 mil toneladas.
A média das campanhas anteriores era de 15 mil toneladas ano, cifra que foi baixando até alcançar por altura da independência nacional, 2 mil toneladas na última campanha realizada em 1991.
Este fracasso deveu-se também à falta de peças sobressalentes para reposição, cujos stocks em armazém haviam terminado, bem como o avançado estado de degradação da maquinaria.
A Companhia de Açúcar de Angola, actual “Açucareira 4 de Fevereiro”, que incluía a Açucareira de Caxito, “Fazenda Tentativa”, assim como o Marcos Canaveses na região do Cubal, área reservada à produção de sisal, Luacho e Caxito (Fábrica de óleo de palma e sabão), Cuio (Pescaria e Porto), eram propriedades de António Sousa Lara.
Em 1974, essas propriedades foram vendidas ao Grupo Espírito Santo. Nessa altura já existiam projectos para ampliação da fábrica e da área de produção de cana-de-açúcar, isto, porque naquela época já se fazia sentir o custo de produção muito alto e havia necessidade de se fazer rentabilizar a fábrica, dotando-a de uma maior capacidade de moeda e maior extensão de cana-de-açúcar, uma vez que viavelmente e economicamente, já não existiam fábricas com aquele tamanho.“
Neste caso, nós somos privilegiados, porque podemos expandir a nossa fábrica, o que já não acontece com a fábrica da Catumbela que tem uma área limitada, visto que a mesma se encontra no meio das cidades do Lobito/Benguela,” asseverou, o director adjunto da “Açucareira 4 de Fevereiro”.
A nossa área de total, acrescentou, é de 15 mil hectares. Desses 15 mil hectares há uma área não cultivável, por possuir zonas montanhosas, com problemas de salinidade, fertilidade necessária, entre outros aspectos técnicos.“
Eu pessoalmente, acredito que se possam aproveitar até 10 mil hectares. Mas se a empresa que vier para aqui tiver capacidade para fazer o tratamento que o solo necessita, talvez seja possível alcançar os 12 mil hectares,” rematou,
Marcos Jorge.A empresa teve sempre uma média de 3 mil e 500 trabalhadores. Mais tarde, com a introdução da mecanização no que respeita a transportação de cana e carregamento, reduziu-se para 2 mil e 500 até‚ altura da sua paralisação, em 1991."


A Fazenda Tentativa, actualmente

sábado, 24 de janeiro de 2009

FAZENDA TENTATIVA (1974 / 2009 )

(por Luís Marques)

«... É que os lugares acabam, ou ainda antes
de serem destruídos, as pessoas somem
e não mais voltam onde parecia
que elas ou outras voltariam sempre
por toda a eternidade. Mas não voltam,
desviadas por razões ou por razão nenhuma»

Jorge de Sena



Quase 35 anos passaram desde a data em o Batalhão de Caçadores 4611/72 deixou a chefia do subsector do Caxito e a C.C.S. rumou a Cabinda, deixando a Fazenda Tentativa e a região de Luanda.
Todos nós guardamos na lembrança aquilo que era Fazenda Tentativa na altura em que lá estávamos e aquilo que ela representava para nós (sobretudo devido ao isolamento em havíamos vivido nos 13 meses anteriores no Cuando Cubango).
A Fazenda Tentativa surpreendia pela sua grandiosidade. A sua enormidade, as vivendas, as escolas, a igreja, o hospital, a farmácia, o seu cinema ao ar livre, o campo de futebol, a própria fábrica e a vasta alameda que possuía, davam-lhe um aspecto de modernidade.
Também a cidade do Caxito, e a Barragem das Mabubas, constituíam para nós alguma coisa de diferente de tudo aquilo que até então estávamos habituados e um regresso apetecido à “civilização”.
As constantes visitas a Luanda e tudo o que isso representava (os encontros, as farras de fim-de semana, os bares, etc,), quase que nos faziam “esquecer” a nossa condição de jovens de vinte e poucos anos, bem cedo retirados à família e aos amigos e expostos às agruras e contingências de uma vida militar não voluntária nem desejada.
Infelizmente, nos dias de hoje, os locais que então percorremos e habitámos nesta região da Fazenda Tentativa, cidade de Caxito e Barragem das Mabubas (e até a própria cidade de Ambriz), pouco ou nada têm a ver com as imagens que certamente todos nós temos gravadas na memória.
A guerra civil que impiedosamente se abateu sobre Angola, logo a seguir à sua independência, foi destruidora e não poupou as populações, nem a quase totalidade das estruturas que Angola possuía.
Um exemplo dessa acção destruidora da guerra civil, está bem espelhada nas imagens actuais da Fazenda Tentativa, das cidades de Caxito e Ambriz e da Barragem das Mabubas.
Da Fazenda Tentativa já nada resta, estando todo aquele complexo fabril e habitacional totalmente destruído.
A Barragem das Mabubas (que a 1ª companhia defendeu das incursões dos guerrilheiros do MPLA, com a finalidade de salvaguardar o abastecimento de água a Luanda) está totalmente inoperacional e já não tem função que tinha em 1974.
As cidades de Caxito e de Ambriz, actualmente, são imagens reveladoras de uma destruição atroz em tudo semelhantes a tantas outras cidades e aldeias angolanas, entristecendo quem as vê agora e recorda as imagens que guardou na memória.

As fotografias que se seguem ilustram bem esta triste realidade.
Vejam-nas e meditem.


Fazenda Tentativa em 1974

O Vasconcelos e Francês na Fazenda Tentativa em 1974




Fazenda Tentativa actualmente .

A Fazenda Tentativa vista do céu






Caxito em 1974

Caxito (Avenida Principal)




Caxito (Avenida Principal)



Caxito (Cruzamento para Ambriz)





Caxito (Mercado)



Caxito (Cruzamento para a Barragem das Mabubas e para o Úcua)



Caxito (Avenida Principal)



Estrada do Caxito a Ambriz em 1974

Caxito actualmente



Estrada do Caxito a Ambriz actualmente


Tanque de Guerra abandonado na Estrada Caxito - Ambriz







Floresta nos arredores do Caxito


Barragem das Mabubas em 1974








Barragem das Mabubas actualmente



Ambriz em 1974

O quartel da Primeira Companhia no Ambriz

Avenida principal



Outro aspecto da Avenida Principal

Outra vista da cidade de Ambriz



Ambriz actualmente




Tanque de Guerra abandonado na Estrada Ambriz - Caxito




BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta