As legendas das fotos são também do Zé Fernandes.
Fórum dos antigos militares do Batalhão de Caçadores 4611/72 (Angola, Novembro de 1972 a Novembro de 1974)
sexta-feira, 26 de março de 2010
Recordações de Angola - 23 (José da Costa Fernandes)
As legendas das fotos são também do Zé Fernandes.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Recordações de Angola - 21 (Luis Silva)
O Luís Silva foi 1º cabo operador de cripto da 3ª Companhia.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
OH HOME!! BOTA LÁ SENTIDO !!
Quem não recorda o carinho, quase como se fosse um Pai, com que procurava proteger todos os que “punham o pé na poça”?…
Estávamos nós em M’PUPA ! Na solidão das terras do fim do mundo .
Tinha chegado o avião, com o nosso correio, com as encomendas que nos eram remetidas pelos Pais e não só…
Ao receber a minha encomenda, enviada por meus Pais … senti de imediato que o Capitão punha o seu “nariz” no ar !
Bolas, ele conseguiu saber antes que eu abrisse a dita, o que lá vinha…
Relatava eu , então o seguinte:
“Recebi a encomenda que me enviaram. Obrigado. Qualquer noticia é sempre recebida com muita alegria. As encomendas então fazem-me sempre crescer água na boca… O queijo então “era” fabuloso!
Obrigado.Muito Obrigado ! Pois um queijo assim em M’Pupa é verdadeiramente raro…
Quando me viu receber a encomenda disse logo: "Eh! Francês, logo vou à Messe “conversar” contigo !!
Chegou no final da tarde e disse ao entrar: "Não sei porquê, mas cheira-me aqui a queijo do Francês !!"
E pronto. Lá foi mais um a ajudar que rapidamente terminasse…
É um óptimo companheiro e muito Amigo. Gosto dele ! “
Com este pequeno texto, quero, uma vez mais deixar o meu testemunho e a singela HOMENAGEM a um AÇORIANO de GRANDE CORAÇÃO.
Obrigado Capitão Manuel Ferreira Júnior por tudo o que comigo partilhou.
Pudera eu agora abrir uma nova encomenda e senti-lo connosco !
sábado, 16 de maio de 2009
SPM 6676
Em 15 Abril de 1971, iniciava eu a minha vida militar, jovem imberbe, acabado de deixar pela primeira vez o colo acolhedor de meus Pais, chegando ao RI5 – Caldas da Rainha.
Após uma noite de viagem, dos factos dava conta em carta que meu saudoso Pai foi guardando ao longo da ausência, factos agora reencontrados e revividos.
Sem imaginar que era o primeiro passo de um período longo da minha juventude ( Abril de 1971 a Novembro de 1974 ) que me iria conduzir a inúmeras experiências, ao conhecimento de novas terras e Povos, mas acima de tudo a uma “nova Família”.Naturalmente, como a todos nós, ex-militares, os primeiros dias foram tenebrosos. Era o habituar a uma nova realidade, um novo ritmo contrário a tudo o que até então se tinha vivido,
na maior parte das vezes, com o anular da vontade e desejo individual, preparando-nos para uma guerra que não queríamos, mas para a qual estávamos praticamente todos condenados.
O levantar, não ao som melodioso da voz de nossas Mães, como estávamos habituados, mas ao som de um clarim nem sempre bem tocado, com o ritmo alucinante de que a partir desse
momento tínhamos que correr, saltar, comer e não descansar, era já o preâmbulo das inquietações que passaríamos a viver.
Depois de uma recruta e do curso de enfermagem acelerado tirado em Lisboa, juntou-se um meio ano dito de especialidade em Elvas, e, já conhecedor de uma mobilização para Angola, fui
colocado em estágio, antes de sair para a formação do Batalhão, finalmente junto de casa no RASP, em Vila Nova de Gaia.
Devo dizer que ainda hoje me pergunto, porquê enfermagem, eu que até estudava “engenharia mecânica” !!
Finalmente, lá me tive que apresentar em Évora, para a formação do Batalhão de Caçadores 4611/72 !
No mesmo dia fui recambiado para Santa Margarida, juntamente com outros para arrancar com os preparativos.
A 10 de Novembro de 1972, escrevia a meus Pais, dando conta de que o embarque para Angola se iria efectivamente realizar, e informando o endereço postal: SPM 6676!
Seria naturalmente extensivo, descrever todos os sentimentos e situações que nos conduziram até ao NATAL de 1972.
Fui procurando “ocultar” o que de menos agradável ia ocorrendo, e transmitindo sempre sensações de bem-estar e alegria.
Naturalmente que recordo hoje algumas situações que me marcaram neste período.
A primeira viagem de avião!
A chegada a Luanda na manhã de 11de Novembro de 1972, onde o calor e humidade então sentida à porta do avião, parecia ser uma barreira a não transpor. O Grafanil e tudo o que ele representava.
Um veterano completamente cacimbado, que aguardava a partida para o “putu” e me ofereceu um calendário que ele tinha feito, e que me acompanhou durante toda a comissão , dizendo-me :
Ò maçarico, só te faltam 730 Dias !!
Em cada manhã a partir desse dia , alterava a contagem decrescente…na esperança de que rapidamente chegasse o dia do regresso.
Foi depois a viagem no MVL desde Luanda até M´Pupa. Foi nesse período que aconteceu o 1º acidente, o Roriz, logo ele, tinha que deixar um dedo anelar ser decepado pelo anel que a namorada lhe tinha oferecido.
Foi o chegar, a um local que se revelou, felizmente, um pequeno paraíso, onde fomos estreitando as nossas relações de amizade e conhecimento.

A "piscina" de M´pupa, no rio Kuito
Foram as caçadas, já descritas neste Fórum! Foi o nascer do espírito, forte , que hoje nos une , foi o contar das horas com o som da cachoeira no rio, onde nos banhávamos, foi o nascer e por do sol, foram os cheiros e as cores, foi a chuva e o frio, foi a interligação com o Kimbo Ganguela que tínhamos paredes meias com o aquartelamento.

O aquarelamento de M´pupa (em primeiro plano o edifício do Comando do Batalhão e ao fundo o posto médico, "reino" do José Manuel Francês)
Foi o jovem João Lupembe Cassela, a quem decidi dar “conhecimentos“ a que ele não tinha acesso. Aprendeu a ler, a dar injecções, a fazer pequenos tratamentos e era um mais na equipa de enfermagem.
Acreditem que tenho saudades, do rapaz de então, hoje, espero, feito homem, e que me fez verter lágrimas, quando chegado o dia de partir para a Fazenda Tentativa me pediu:
“ Dotor, leva-me contigo … quero aprender mais. Eu já não posso ficar aqui na M’pupa! “
São palavras que tenho bem guardadas nas minhas recordações.
E entretanto chegou o primeiro Natal, que tendo em conta as condições em que estávamos, se anunciava como triste.
Foi o nosso espírito de grupo, a nossa amizade e a capacidade de criar praticamente todas as condições que permitiu que eu dissesse a meus Pais, que “ até me esqueci que estava em M’Pupa, pois o menino também nasceu aqui!...".
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Uma noite inesquecível em M´pupa
Havia indicação para descarregar os carros que nos transportavam e a todos os mantimentos que julgo serem para durar 3 meses.
Como esta indicação não tinha muito sentido, depois da viagem de Serpa Pinto para M´Pupa ter que descarregar 6 camiões e voltar a carregá-los na outra margem para no outro dia de madrugada arrancar. Ia-se sacrificar muita gente ( a intenção era mesmo essa, hoje percebo). Então resolvi contrariar a indicação e passar os camiões carregados para a outra margem.

A malta a puxar a jangada à força de braços

A "jangada" de M´pupa que esteve na origem da história que nos é contada pelo António Facas
Eu, pessoalmente, não presenciei este acontecimento, pois estava, na altura, no destacamento do Calai (fronteira com o sudoeste africano), mas recordo-me muito bem de a ouvir contar aos meus camaradas da C.C.S, que na altura estavam em M´pupa. Vocês recordam-se?
São histórias e passagens com esta que convidamos todos vocês a recordar e a partilhar connosco. Ficamos à espera.
sábado, 10 de janeiro de 2009
M´pupa (Mupupa) 2009

O Quartel de M´pupa em 1973
Esta é mais uma notícia sobre M´pupa (parece que o nome, agora, derivou para Mupupa...), respigada das páginas da Internet.
Retrata problemas actuais da povoação que foi sede do Batalhão de Caçadores 4611/72 e da qual todos nós guardamos as melhores recordações.
Lá todos nós aprendemos a amar Angola e a vida. Lá, nas doces águas dos rios Cubango e Kuito, lavámos o rosto e deixámos as lágrimas amargas da saudade.
Ao que consta (e o texto em baixo confirma-o), o chão que pisámos em 1972 e 1973 é rico em diamantes. Quem diria...

O texto, em baixo reproduzido, fala de um tal Makanga Likolo, de 80 anos, como sendo "a autoridade de Mupupa", que parece residir na aldeia desde sempre. Ora, tal significa que já lá vivia quando nós lá estávamos (tinha então quarenta e tal anos). Alguém se recorda dele? Ou talvez estivesse na matas, na guerrilha (quem sabe...).

A População de M´pupa em 1973, com o João Cabunga, a "autoridade" de M´pupa em 1973 , então com quarenta e poucos anos (quem será o Makanga Likolo?)
A localidade de Mupupa (Dirico) precisa urgentemente de bens de primeira necessidade, para minimizar os inúmeros problemas sociais que afligem mais de 600 pessoas, que diariamente lutam pela sobrevivência. Mupupa está isolada da sede municipal do Dirico, por falta de uma ponte sobre o rio Kuito, destruída na década de oitenta, durante a guerra. A população necessita essencialmente de sal, óleo vegetal, peixe, arroz, medicamentos, roupas, cobertores, sabão, sementes e instrumentos agrícolas.

Os rápidos de M´pupa, no Rio Kuito
Segundo a autoridade de Mupupa, Makanga Likolo, de 80 anos, a localidade clama por escolas, postos de saúde, água potável e infra-estruturas administrativas. “Queremos um comissário para a nossa comunidade, polícia, escolas, postos de saúde e água para a população, porque o rio Kuito, onde tiramos a água para as nossas actividades domésticas, fica a 35 minutos a pé, um percurso que as pessoas fazem todos os dias, desde os tempos que já lá se foram e assim não está bom”, desabafou.
Cerca de duas horas e 15 minutos é o tempo que o helicóptero precisou para atingirmos a localidade, levando a bordo alimentos e roupas que a direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção social preparou para acudir à população de Mupupa. Sungo Matumona Pedro, representante do MINARS, prometeu fazer chegar ao novo governador da província todas as preocupações da população de Mupupa, no sentido de se estudarem vias que possibilitem levar bens de uso e consumo para a população da região. Mupupa dispõe de um pequeno aeródromo de terra batida e em perfeitas condições, mas como está a chover é necessária a presença de um especialista, para averiguar se a pista ainda pode receber aeronaves de médio porte, com mercadorias.


M´pupa em 1973
Na região ainda existe muita gente que ainda não conhece a moeda nacional, o Kwanza.
Tida como uma das regiões da Província mais ricas em diamantes, o brilho das pedras preciosas é ofuscado pelo mar de dificuldades que os seus habitantes enfrentam. Segundo Makanga Likolo, nos últimos tempos tem sido frequente o surgimento de pessoas estranhas em Mupupa, a pretexto de pertencerem a instituições que a população mal conhece.

M´pupa vista do céu nos dias de hoje (imagem obtida do Google Earth). Vê-se o espaço que era então ocupado pelo quartel da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72 e um pouco mais acima a pista de aviação. Alguma coisa teria mudado no nosso comportamento se então soubéssemos que o chão que pisávamos era fértil em diamantes?

O Rio Cubango na região do Calai (foto recente)
domingo, 30 de novembro de 2008
Recordações de Angola - 9


Posto de sentinela em M´pupa. O avião dos frescos a descolar da "pista", depos de nos ter reabastecido
A "pista" de M´pupa e o avião dos frescos

























