quarta-feira, 8 de outubro de 2008

FORAM À GUERRA E REGRESSARAM (QUASE) TODOS (e agora convivem em Pombal...)



(Por Luis Marques)




34 anos após o regresso a Portugal, os antigos militares da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/1972 reunem-se mais uma vez para recordar antigas juventudes passadas em Angola, de Norte a Sul (no sentido literal da frase). São antigos militares (hoje todos na casa dos cinquenta e muitos) originários dos 4 cantos de Portugal, que convergirão para Pombal, Leiria, no próximo dia 15 de Novembro para renovar abraços e recordações.

A "coisa" decorrerá no Restaurante “O Manjar do Marquês” (Aqueles que trouxerem condutor (a), poderão molhar os pés mais à vontade...). Além dos comes e bebes está prometida também uma tarde de dança para aqueles que não a dispensam.

Que estes convívios se mantenham por muitos mais anos é o que todos desejamos.
Muito se tem lamentado que alguns ex-militares tenham pudor em escrever as suas recordações dos tempos da “Guerra do Ultramar”. Serão traumas que o tempo não apagará facilmente, será a inibição determinada por um sentimento de culpa por uma situação que, hoje, se sabe ter sido injusta. Bem sabemos que é difícil recordar todos aqueles momentos (os críticos e os alegres ou invulgares).






No entanto, aqui se exortam todos os antigos camaradas para que façam um pequeno esforço para recordar 1 ou 2 casos passados naqueles dois anos e para o compartilharem connosco. Irão ver que ao compartilhá-los, provocarão o chamado “efeito dominó” e outros se recordarão de outros episódios ocorridos naqueles dois anos. E há tanto para recordar! Uma (s) foto (s) também provocará o mesmo efeito.

TENHAMOS ORGULHO DO NOSSO PASSADO. A HISTÓRIA NOS HONRARÁ!


Muitos de nós, que por lá passámos (afinal, quase todos os da nossa geração), não fomos formados e informados no sentido de poder entender a injustiça (a ilicitude) da nossa presença possessiva em África. Fomos, bem pelo contrário, ensinados com base na cultura de um nacionalismo pluri-continental desenvolvido por uma dita super-nação chamada Portugal, cuja propalada superioridade não era fácil contestar, quando a maioria da nossa população vivia pacatamente a sua vida rural, sem grande acesso às fontes informativas, aliás acauteladas pelos serviços de Censura, acolitada por um diligente Secretariado Nacional de Informação (SNI).


Os tradicionais "quimbos" do Cuando Cubango



Foi no próprio teatro das operações que muitos de nós intuímos quão injusta era a nossa presença lá. Ali melhor se compreendia que aquela terra não era nossa. Grandes fronteiras a separavam do nosso chão pátrio: o oceano, a cultura, a própria cor da pele. Iguais, mas diferentes. Porque, quer queiramos quer não, há fronteiras! Por muitas estrelas que se pintem numa bandeira.

Muitas Companhias de antigos militares se reúnem periodicamente nestas confraternizações. Outras nunca o fizeram. Seria curioso averiguar se, para uma situação e outra, não haverá um motivo determinante, porventura assente em comportamentos colectivos que tenham acarretado – mais para uns grupos do que para outros – um traumático sentimento de culpa, inibidor do cariz de festa que estas reuniões comportam. Talvez para alguns seja doloroso recordar.

Não é o caso da nossa C.C.S., que habitualmente e de há alguns anos a esta parte se reúne algures por este país, desta vez em Pombal. Trata-se de uma unidade que veio quase tão una como foi; apenas havendo a lamentar uma morte (não em campanha). Não obstante termos passado por Zonas de reconhecido belicismo. A sorte protegeu-nos.






Todos nós recordamos com saudades imagens iguais a estas (Palancas vermelhas nas margens do Rio Cuito)

Por último, queremos aqui prestar uma sentida homenagem a todos os que connosco conviveram aqueles dois anos em Angola e que para sempre nos deixaram. A sua presença perdurará para sempre nas nossas memórias e viverão para além dos tempos nos nossos corações. Que descansem na paz eterna as almas desses bravos.

sábado, 4 de outubro de 2008

CONVÍVIO ANUAL

No próximo dia 15 de Novembro realiza-se mais um CONVÍVIO ANUAL DA C.C.S. DO BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/1972.



O convívio ocorrerá no Restaurante "O MANJAR DO MARQUÊS" em Pombal (Leiria).
A organização do nosso convívio está a cargo dos nossos amigos CARLOS ROCHA e VÍTOR DIAS.

O local de encontro será no parque de estacionamento do restaurante "O Manjar do Marquês", em Pombal, pelas 10:30 horas.


Localização

Será celebrada uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Cardeal, pelas 12:00 horas.

Ementa


Confirmem as vossas presenças, bem como as dos vossos familiares e amigos junto do Carlos Rocha ((Rua Infante Santo, 37, 2º Esqº, 2780-079 Oeiras, tlm. 966 301 638, ou carlos.j.rocha@hotmail.com ) , ou do Vítor Dias (Rua Infante D. Henrique, Lote 48, r/c A (Matarraque) 2775-456 S. Domingos de Rana, tlm. 963 751 679).

Contamos convosco!
A vossa presença e a dos vossos familiares e amigos é indispensável.
Vamos todos fazer deste convívio uma inesquecível jornada de alegria e franca amizade.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Novo Encontro em Viseu

(Por Luis Marques)


Inesperadamente, alguns antigos camaradas resolveram encontrar-se novamente em casa do Monteiro em Viseu e a convite deste.






Em primeiro plano, o João Novo, Luis Marques e Jaime Ferreira.
Mais atrás, o Joaquim Raposo e o Adriano Monteiro


Foi mais um momento de alegria e de sã camaradagem e um pretexto para recordar-mos algumas histórias e situações vividas nos anos de 1972, 73 e 74, em Angola.




Há velhos hábitos que ainda hoje perduram. Aqui o Luis Marques e João Novo carregam duas embalagens de vinho recém adquiridas na adega da "Quinta de Cabriz"




O João Novo, o Zé (primo do Ferreira) o Jaime Ferreira e o Quim Raposo, à volta do presunto e do paio, antes do almoço de Sábado, dia 13 de Setembro de 2008 (galinha de cabidela, com arroz de miúdos, uma obra de arte de autoria do Monteiro e do Quim Raposo)


Gostaríamos de contar aqui com outras colaborações, relatando os vossos encontros.


Uma das razões que nos levou a conceber este blogue foi precisamente dar a oportunidade a todos de não só reviverem momentos passados em Angola, como partilhar os melhores momentos do nosso quotidiano, agora que passaram mais de 30 anos sobre o nosso regresso, tendo sempre como tema os dois anos que nos marcaram de forma indelével

Esperamos pelas vossas colaborações. que deverão ser enviadas para o Luis Marques ( lmarques@entreposto.pt )

sábado, 6 de setembro de 2008

Recordações de Angola - 8

11 DE NOVEMBRO DE 1972 - A CHEGADA A ANGOLA


(por Luis Marques)




No dia 10 de Novembro de 1972, já noite adiantada, embarcámos num avião da TAP rumo a Luanda, Angola.
A maior parte de nós tinha acabado de se despedir da família, das namoradas, dos amigos e ainda conservava nos olhos uma lágrima teimosa que nos reduzia à nossa simples condição de jovens assustados com o que nos estava a suceder, não obstante quase todos procurarem demonstrar o contrário. Na mocetada, havia um estranho sentimento, nunca até então vivido. Um nó apertado estreitava-nos as gargantas, fazendo-nos suspirar profundamente.

Algumas horas depois despertávamos em Luanda.


Luanda - Avenida dos Combatentes


A cidade de Luanda fervilhava num ritmo enérgico. Nós militares fornecíamos uma dose de movimento, juventude e alegria.

Quando chegámos, a todos impressionou a tonalidade avermelhada daquela terra; a quente temperatura daquele dia 11 de Novembro, com um sol radioso, embora ligeiramente escondido sob uma finissíma névoa que logo se dissipou, e um cheiro nunca até então experimentado, porém agradável.


Quantas perguntas fizemos na altura a nós próprios? Quantas interrogações interiorizámos sem obter resposta adequada? Olhando os nativos, que questões inocentes e algumas sem sentido nos bailaram do pensamento? Quase sem querer, aproximámo-nos dos oficiais e sargentos do quadro, já com experiências vividas em anteriores comissões, procurando obter uma resposta, ou um sinal esclarecedor.

Depois de nos instalarmos no Campo Militar do Grafanil, enfrentámos pela primeira vez a cidade.




Campo Militar do Grafanil (entrada principal)




Pormenor do Campo Militar do Grafanil




A Capela dedicada a Nossa Senhora do Grafanil (erigida num imbondeiro)





Uma das várias cantinas do Campo Militar do Grafanil


Havia a necessidade de trocar os nossos escudos que trazíamos da Metrópole por angolares, numa terra que se dizia que era nossa. Essa troca era realizada mesmo ali na rua junto a uma cervejaria (Portugália), num largo onde ficavam outros dois cafés, o Versailhes e o Polo Norte. Era nestes locais que nós nos concentrávamos quando íamos a Luanda e de onde partíamos à descoberta da cidade .









Os Angolares em circulação em Angola, durante a nossa comissão


Bem perto ficava a Mutamba, ponto de partida e chegada das camionetas de transportes públicos para os diversos pontos da cidade.

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Várias imagens do Largo da Mutamba


Percebemos a qualidade de vida patenteada pelos brancos. O seu ar feliz nos fins-de-semana enchendo os cafés e restaurantes nas inúmeras esplanadas, em contraste com os lugares mais lúgubres dos bairros de negros suburbanos (Bairro Operário – ou B.O. – Prenda e o Cazenga), onde às vezes nos deslocávamos, mas sempre acompanhados por outros camaradas. Evitávamos lá ir fardados, porque havia notícias de rixas valentes com moradores e soldados (precaução inútil, pois o nosso aspecto não deixava dúvidas a ninguém quanto à nossa condição de militares).



Pudémos apreciar a beleza da baía de Luanda à noite, onde na praia do Mussolo se podia tomar banho, beber umas cervejas, acompanhadas com marisco que era vendido barato, ou mesmo oferecido, coisa que quase ninguém estava habituado.






A beleza da Baía de Luanda à Noite



A praia do Mussulo



Na marginal, extensa e movimentada, destacava-se o edifício mais alto, o Banco Comercial de Angola, do qual se tiravam fotos para mais tarde recordar. Era sem dúvida uma terra de indiscutível beleza.


O Banco Comercial de Angola na Avenida Marginal


Aspecto da Avenida Marginal





Outro recanto da Avenida Marginal em 1972

O nascer do Sol


Vista da Marginal


Era perfeitamente visível que os serviços menos qualificados eram para os negros, engraxadores, vendedores de lotaria, empregados nas cozinhas dos restaurantes, arrumadores nos cinemas, lavadeiras, e actividades semelhantes. O ambiente era de uma certa harmonia social, apesar da constante presença dos militares.




A maior parte de nós questionava o que estava ali a fazer. Mas, na altura, raros consideraram que estavam a desperdiçar os melhores anos das suas vidas (essa consciência só sobreveio mais tarde). Todos nós, perante o fatalismo que representava a nossa presença naquela terra, preferimos tirar o melhor proveito da situação e dos nossos vinte anos.



Avenida dos Combatentes


Ficou em nós a saudade. Sentimento esse que ainda hoje nos faz desejar rever essa terra enfeitiçada, que em todos deixou uma marca indelével.

Algum dia, quem sabe…



quarta-feira, 23 de julho de 2008

Recordações de Angola 7

(por Carlos Rocha)


As imagens que se seguem foram gentilmente cedidas ao blogue pelo Carlos Rocha que as foi buscar ao seu album de recordações de Angola, sendo dele a autoria das respectivas legendas.

Convidamos todos a fazerem o mesmo: recolherem as imagens que guardam em casa e publicarem-nas aqui no nosso blogue.



M´pupa 1973
























































































Luanda - 1972










Serpa Pinto - 1973




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Fazenda Tentativa - 1974








Cabinda - 1974








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BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta