sexta-feira, 15 de maio de 2009

Batalhão de Artilharia 635

(Por Luís Marques)



Hoje de manhã, ao "abrir" a caixa de correio do Fórum 4611, encontrei a mensagem que abaixo reproduzo.
A mensagem vem de França e foi-nos enviada pelo António Gonçalves Martins Pereira, ex- 1º Cabo nº 2297/63, que prestou serviço militar em Angola na C.C.S, do Batalhão de Artilharia 635, no período de Fevereiro de 1964 a Junho de 1966 (bem "velhinho", portanto).
O António Pereira vive em França (43, Rue de la Poste, 01200, Bellegarde, France).

A mensagem é esta:

"Muito obrigado.
Assim começo a minha mensagem.
Hoje mesmo , 44 anos depois, revejo fotos que me mostram por onde eu andei, desde Fevereiro de 1964 até Junho de 1966. Pertenci ao Batalhão de Artilharia 635 da companhia da CCS. Em 1964 estivemos em Zala, mas uma companhia ocupava Vila Pimpa e outra na Bela Vista. Em Janeiro de 1965 estivemos em Ambriz e Ambrizete, ocupando ao mesmo tempo as fazendas mais próximas.
Quero acrescentar que não tenho saudades da guerra, mas sim de muitos amigos, que nunca mais reencontrei.
Aqui deixo neste vosso site mais um pedido para encontrar alguns amigos de outrora. Aqui deixo o meu endereço se não vos incomoda.
antoniopereiragoncalves@sfr.fr
Uma vez mais muito obrigado por tudo e parabéns.
Um abraço a todos os ex-militares em geral.


Não tenho saudades da guerra
Mas sim de tantos amigos meus
Companheiros de uma longa fada
No melhor tempo da nossa mocidade.

Por entre matas e picadas
Tantas vezes imploramos a Deus
Que nos guiasse até á nossa terra
Ali reencontrar a nossa amada
Para uma união de felicidade."

Pessoalmente estou convencido que a publicação desta mensagem no nosso blogue vai ajudar o António Pereira a encontrar os seus antigos camaradas que com ele estiveram em terras angolanas. O nosso blogue parece ter essa vocação. Vejam o que se passou com a família Sousa Lara e com o nosso Fernando Moreira.
Estou também convicto que os nossos "coca-bichinhos", não vão descansar enquanto não localizarem o rasto do Batalhão de Artilharia 635, nessa montra virtual que é a Internet.

Conto com isso e tenho esperança que em breve poderemos anunciar mais um reencontro.

O e-mail do António Preira é:

antoniopereiragoncalves@sfr.fr

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O reconhecimento da Pátria (que não temos...)

(Por Luís Marques)

A nossa Pátria, para fazer-se amar,
deve ser amável


Edmund Burke, in “Reflexões sobre
a revolução francesa”


Em Portugal, muito recentemente, foram trasladados os corpos de alguns militares (pára-quedistas da Companhia de Pára-Quedistas 121) mortos na Guiné.
Foram transportados no porão de um avião civil, desembarcados sob o maior sigilo e entregues às famílias, tudo isto num aeroporto militar, o de Lisboa (Figo Maduro), longe, bem longe, dos holofotes da comunicação social, que preferiu encolher os ombro e assobiar para o lado, dando destaque a outras notícias que reputa de mais importantes.
Acresce que a trasladação não se deveu a qualquer iniciativa do governo português, mas a um conjunto de boas vontades e empenho de antigos militares, sob a égide da respectiva associação, fiéis ao lema dos pára-quedistas portugueses, "ninguém fica para trás".
Tudo isto 35 anos após a independência daquele país africano.
Vem isto a propósito, se outra razão não houvesse (e há!), das imagens que aqui publicamos no Fórum 4611 que documentam a homenagem prestada pelo povo do Canadá a 6 seis dos seus militares mortos em combate.
Em Portugal, nunca se viu uma homenagem deste tipo a quem dá a vida pela Pátria (sejam Soldados, Polícias ou Bombeiros).
Faz parte da cultura e da educação de um Povo.
Como nos dizia há dias o Fernando Moreira, “Esquecer o passado, não aprender com ele e não o honrando será uma forma dos povos irem perdendo o seu horizonte”.
Continuamos a ser um povo ingrato e ridículo, que em vez de defender quem nos protege, apenas se lançam criticas, por que é moda falar mal do próximo.
Em Portugal só fazemos isso pela Selecção Portuguesa de Futebol, que nunca ganhou coisa nenhuma, embora sejam pagos ao peso do ouro.
Estas imagens mostram bem a diferença de cultura de dois Povos.
Enquanto num país se escondem aqueles que derramaram o seu sangue pela independência e liberdade da Pátria, remetendo os seus restos mortais, “esquecidos”, para a porta das traseiras, e arrumando-os num qualquer saguão, noutro país prestam-lhes a merecida homenagem.
Enquanto isso, os que têm vergonha dos seus verdadeiros heróis, enaltecem os seus mercenários e os “heróis” de pacotilha, pagos a peso de ouro.
Soubesse a Pátria honrar aqueles que por África andaram e os que lá morreram.... Acho que não era pedir demais.


A chegada do avião que transportou os restos mortais dos seis soldados mortos em combate à base militar de Trenton, Canadá
A auto-estrada por onde passou o cortejo fúnebre passou a denominar-se "Auto-estrada dos Heróis"

A partida do cortejo da base militar de Trenton, a caminho de Toronto

Ao longo da estrada milhares de cidadãos vestindo "t-shirts" vermelhas


Ao longo do percurso, os bombeiros com as suas mãos sobre os seus corações


Entre Trenton e Toronto, há 50 pontes, todas elas ocupadas por policias, bombeiros e, especialmente, pelo povo anónimo


A população veio saudar estes heróis


Os cidadãos de Oshawa nas pontes a saudar os seus heróis

um popular anónimo a saudar os militares mortos

O capitão Mark Bossi, que serviu no Afeganistão, tenta conter as lágrimas ao longo da estrada


Seguem-se algumas imagens da cerimónia de homenagem aos três pára-quedistas cujos corpos foram resgatados das suas sepulturas na Guiné pelos seus antigos camaradas.

Quero destacar que a homenagem foi uma iniciativa da Associação de Pára-quedistas e teve lugar na Base Aérea de Tancos. Não foi, portanto, uma homenagem da Nação. Porquê?


Os três soldados pára-quedistas trasladados da Guiné por iniciativa dos seus antigos camaradas:

Soldado pára-quedista António Vitoriano



Soldado pára-quedista José Lourenço

Soldado pára-quedista Manuel Peixoto

Que descansem na paz eterna as almas destes bravos!

domingo, 10 de maio de 2009

Recordações de Angola - 17 (Serpa Pinto)

(Por Martins Correia e Luís Marques)


Com a publicação das fotografias que se seguem, encerramos o "ciclo Serpa Pinto" retirado do álbum de recordações do ex-capitão Luís Martins Correia, o primeiro comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72. São fotografias que documentam 0 primeiro Natal passado em terras angolanas, em Dezembro de 1972, e também a despedida de Luís Martins Correia, no aeroporto de Serpa Pinto.


O primeiro Natal passado em Angola
As quatro fotografias foram tiradas no Natal de 1972, em Serpa Pinto, no primeiro Natal passado longe da família



O Capitão Luís Martins Correia em frente à Secretaria da 3ª Companhia. De realçar o bonito jardim em frente do edifício e cuja execução foi coordenada pelo Constantino (salvo erro), que arranjou uns quantos "voluntários" para o ajudar.

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (um grupo da 3ª Companhia)

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (um Grupo da 1ª Companhia)

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (Martins Correia, juntamente com o capitão Read, da 2ª Companhia, os Alferes Filipe e Valente, o capitão Teixeira e um tenente do Comando de Sector de Serpa Pinto)

Os Capitães Read e Esteves e um grupo de militares da 1ª Companhia

sábado, 9 de maio de 2009

Recordações de Angola - 16 (Fazenda Tabi)

(Por António Facas e Luís Marques)


Visita do General Joaquim da Luz Cunha, Comandante da Região Militar de Angola (RMA) e respectiva comitiva à 3º Companhia, na Fazenda Tabi e julgo que a todas as companhias do batalhão.
Como não podia deixar ser nestas ocasiões tudo foi limpo, “relimpo”, ensaiado e mais que ensaiado e até com vários ensaios gerais, como se faz no Teatro para que no dia da “estreia”, ou seja quando da visita, nada falhasse.
Não era excepção a Secção Auto, que estava situada num armazém da Fazenda, ao fundo, junto à fábrica do óleo (por coincidência foram as melhores instalações que a 3ª Companhia teve para funcionar a secção auto em toda a comissão). O espaço era amplo e era local onde se podia primar pela organização limpeza e arrumação. as viaturas. Estas, em contrapartida, eram autênticos chaços e, se me permitem, estavam uma merda, a caírem de podres. Fartámo-nos de trabalhar! Mas depois, que o digam os operacionais: quando faziam colunas com os “panhard’s”, os burros de mato “davam” 110 km/hora.





Quando chegámos à Fazenda Tabi, nenhum carro pegava com o motor de arranque. Daí a necessidade de usarmos guinchos e correntes para os pôr a andar


A parte dos combustíveis, não tinha qualquer condição de funcionalidade; era tudo manual o que não acontecia em Serpa Pinto (se bem me lembro era o ex soldado Deodato que fazia os abastecimentos e a recepção do combustível que nos eram fornecidos em bidões de 200 litros).
Fiz todos os possíveis para que tudo corresse bem, não podendo faltar nada que constasse das NEP´s (OS ESPECIALISTAS recordam-se como era?) porque sabia que os militares de carreira e outros se baseavam nas ditas para nos darem cabo da cabeça, “para eles eram autênticas bíblias”. Estava a oficina cheia de chassis de Unimog’s “411” (burros de mato) e um “404” os “maiores” que se encontravam em reparação.
A lavagem em chassis era feita na PRAIA com água salgada (depois no Tabi com água doce, claro). Aos fins de semana aproveitávamos para pescar. Alguém se lembra? Julgo que muitos de vocês se lembram.


O resultado de uma pescaria. O Tino (o peixe) o Lopes e o Facas



Os quatro magníficos: Carvalho, Facas, Fernandes e o emblemático Ramalho




A lavagem dos chasis das viaturas na praia, com água salgada, era um bom momento de descontracção. Depois, o embelezamento final da viatura era feito no quartel, com água doce

Tenho pena de não ter fotos do Unimog que tivemos dificuldade de tirar dentro de água devido à força das ondas e também pelo facto da maré estar a encher. Ainda pensámos em deixa-lo lá e voltar no dia seguinte quando a maré estivesse baixa. Ainda bem que não.

Mas voltemos à visita do General.
O pessoal, mecânicos e condutores, estavam impecáveis. As viaturas em reparação tinham as folhas de obra a indicar o serviço e efectuar e o já efectuado, materiais a aplicar e já aplicado, previsão de conclusão da obra, tipos de reparação por escalão (I – II - III), autorização de reparação etc., etc.
Chegou o General.
Depois do primeiro acto de apresentação e revista às tropas, o General perguntou-me: Nosso furriel qual a profissão que tinha, antes de entrar para o exército? já era mecânico? Eu respondi, não meu general era músico profissional. Diz o artista: Muito bem bem atribuída a especialidade do furriel ,porque o barulho da música está muito relacionado com o barulho dos motores. (gargalhada geral da comitiva). Resultado: levei, bem como o restante pessoal da “ferrugem ”um louvor no fim da comissão que nem vos digo nada. Só é pena que não se consiga perceber patavina do que está lá escrito...



A Secção Auto da 3ª Companhia

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Recordações de Angola - 15 (Serpa Pinto)

(Por Martins Correia e Luís Marques)

Em continuação do trabalho publicado no dia 1 de Maio de 2009, apresentamos agora um novo conjunto de fotografias pertencentes ao espólio do ex- comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72, Luís Martins Correia.
Estas fotografias, tal como aquelas anteriormente publicadas, dizem respeito ao primeiro período da 3ª Companhia, passado em Serpa Pinto.

Martins Correia no Quimbo que existia em Serpa Pinto (Quimbo este que já exibia um certo ordenamento)



Fotografia tirada no mesmo Quimbo de Serpa Pinto

Mulher e filha do Ex-capitão Luís Martins Correia no Quimbo mais antigo de Serpa Pinto (o Martins Correia só conheceu a sua filha, nesta altura)

As mesmas personagens no mesmo Quimbo, mas num local diferente

O Martins Correia no mesmo Quimbo

O Martins Correia , o ex-Alferes Figueira e um outro Alferes (provavelmente da 2ª Companhia), num jardim de Serpa Pinto


O rio que atravessa Serpa Pinto e onde os militares da 3ª Companhia se iam refrescar nos dias em que o calor apertava

O Martins Correia na Lagoa situada nos arredores de Serpa Pinto

O alojamento dos oficiais em Serpa Pinto (José Manuel Duarte, Luís Martins Correia e Filipe Silva)

Com a próxima publicação terminaremos o "ciclo Serpa Pinto" do álbum de recordações do Luís Martins Correia.

Recordações de Angola - 14 (Fazenda Tabi)

(Por António Facas e Luís Marques)




Aspecto da Fazenda Tabi

"Quando da passagem da 3ª Companhia de Caçadores do Batalhão 4611, pela Fazenda Tabi, existiram alguns episódios mais caricatos que gostaria de aqui recordar.
Quando da recepção e conferência do material auto, fui experimentar um jipe Will´s, dentro aquartelamento e quando me preparava passar por sobre uma pequena ponte por cima do riacho da água para a rega, devido ao péssimo estado da estrada em terra batida e também à podridão do chassis do jipe, partiu-se o suporte do olhal da mola da frente esquerda, ficando de imediato sem direcção e travões. Resultado; fui embater com a frente do jipe num pequeno muro que era a guarda da ponte, desfazendo a parte da frente jipe. Com o impacto espetei na perna direita a alavanca de velocidades que nem tinha aquela habitual esfera de alumínio de protecção. Acabei logo ali com a conferência do material. Andei durante algum tempo na enfermaria da companhia a tratar aquela ferida, que ainda hoje, quando muda o tempo, me faz recordar a situação vivida naquela época, com uma dorzinha que teimosamente aparece".





Terá sido este o tal jipe Will's que aleijou o António Facas? Não me parece, apesar do António Facas estar ali, pois este jipe pertencia à C.C.S.






Duas imagens do riacho de rega na Fazenda Tabi

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta