(Por Luís Marques)
“A nossa Pátria, para fazer-se amar,
deve ser amável”
Edmund Burke, in “Reflexões sobre
a revolução francesa”
Em Portugal, muito recentemente, foram trasladados os corpos de alguns militares (pára-quedistas da Companhia de Pára-Quedistas 121) mortos na Guiné.
Foram transportados no porão de um avião civil, desembarcados sob o maior sigilo e entregues às famílias, tudo isto num aeroporto militar, o de Lisboa (Figo Maduro), longe, bem longe, dos holofotes da comunicação social, que preferiu encolher os ombro e assobiar para o lado, dando destaque a outras notícias que reputa de mais importantes.
Acresce que a trasladação não se deveu a qualquer iniciativa do governo português, mas a um conjunto de boas vontades e empenho de antigos militares, sob a égide da respectiva associação, fiéis ao lema dos pára-quedistas portugueses, "ninguém fica para trás".
Tudo isto 35 anos após a independência daquele país africano.
Vem isto a propósito, se outra razão não houvesse (e há!), das imagens que aqui publicamos no Fórum 4611 que documentam a homenagem prestada pelo povo do Canadá a 6 seis dos seus militares mortos em combate.
Em Portugal, nunca se viu uma homenagem deste tipo a quem dá a vida pela Pátria (sejam Soldados, Polícias ou Bombeiros).
Faz parte da cultura e da educação de um Povo.
Como nos dizia há dias o Fernando Moreira, “Esquecer o passado, não aprender com ele e não o honrando será uma forma dos povos irem perdendo o seu horizonte”.
Continuamos a ser um povo ingrato e ridículo, que em vez de defender quem nos protege, apenas se lançam criticas, por que é moda falar mal do próximo.
Em Portugal só fazemos isso pela Selecção Portuguesa de Futebol, que nunca ganhou coisa nenhuma, embora sejam pagos ao peso do ouro.
Estas imagens mostram bem a diferença de cultura de dois Povos.
Enquanto num país se escondem aqueles que derramaram o seu sangue pela independência e liberdade da Pátria, remetendo os seus restos mortais, “esquecidos”, para a porta das traseiras, e arrumando-os num qualquer saguão, noutro país prestam-lhes a merecida homenagem.
Enquanto isso, os que têm vergonha dos seus verdadeiros heróis, enaltecem os seus mercenários e os “heróis” de pacotilha, pagos a peso de ouro.
Soubesse a Pátria honrar aqueles que por África andaram e os que lá morreram.... Acho que não era pedir demais.

A chegada do avião que transportou os restos mortais dos seis soldados mortos em combate à base militar de Trenton, Canadá
A auto-estrada por onde passou o cortejo fúnebre passou a denominar-se "Auto-estrada dos Heróis"
A partida do cortejo da base militar de Trenton, a caminho de Toronto
Ao longo da estrada milhares de cidadãos vestindo "t-shirts" vermelhas
Ao longo do percurso, os bombeiros com as suas mãos sobre os seus corações
Entre Trenton e Toronto, há 50 pontes, todas elas ocupadas por policias, bombeiros e, especialmente, pelo povo anónimo

A população veio saudar estes heróis
Os cidadãos de Oshawa nas pontes a saudar os seus heróis
um popular anónimo a saudar os militares mortos
O capitão Mark Bossi, que serviu no Afeganistão, tenta conter as lágrimas ao longo da estrada
Seguem-se algumas imagens da cerimónia de homenagem aos três pára-quedistas cujos corpos foram resgatados das suas sepulturas na Guiné pelos seus antigos camaradas.
Quero destacar que a homenagem foi uma iniciativa da Associação de Pára-quedistas e teve lugar na Base Aérea de Tancos. Não foi, portanto, uma homenagem da Nação. Porquê?







Os três soldados pára-quedistas trasladados da Guiné por iniciativa dos seus antigos camaradas:
Soldado pára-quedista António Vitoriano
Soldado pára-quedista José Lourenço
Soldado pára-quedista Manuel Peixoto
Que descansem na paz eterna as almas destes bravos!