segunda-feira, 15 de junho de 2009

Recordações de Angola - 19 (Serpa Pinto)

(Por António Moita)

Durante a minha permanência em Serpa Pinto, a preferência era para descansar e gozar bem a vida que a cidade me proporcionava.
Na verdade, deverei referir que não gostava mesmo nada de fazer operações e sempre que me era possível, “baldava-me”.
Dava primazia às colunas de apoio e protecção a civis, aquilo que era designado por M V L (Movimento de Viaturas Logísticas). Fiz 8 ou 9 para Mavinga – Rivungo e apenas 1 para a Coutada do Mucusso.
Os 2 anos que tínhamos que permanecer em Angola deviam ser passados da melhor maneira possível.
O problema começa quando aprendemos a gostar do sitio onde estamos , “ANGOLA”. E estando nas “Terras do Fim do Mundo” ainda tínhamos tempo para passar fins-de-semana em Moçâmedes, Sá da Bandeira ou Silva Porto. Creio que o fizemos sempre no velho Mustang vermelho do “Velho” Bonifácio.
As recordações aparecem aos poucos. Preparava-me para contar a história daquilo que normalmente era a nossa vivência num MVL, quando de repente me chega à lembrança uma outra história, porventura interessante.
Durante um determinado MVL, uma viatura civil avariou, (o que era perfeitamente normal se considerarmos que percorríamos centenas de kms em areia) e apesar dos civis levarem sempre peças sobresselentes, estas gastavam-se e muitas vezes tinha que vir um "heli" com qualquer peça necessária para que a viatura pudesse chegar ao seu destino.
Perante esta situação, uma secção ficou a dar protecção à viatura civil avariada perto da lagoa da Capua. Lá ficámos cinco: eu, o Miúdo, o Marfunha , o Sacassueca e o 1º cabo condutor Dinis, sem rádio e com uma Berliet das curtas, enquanto a restante coluna de reabastecimento seguiu o seu destino.
Nisto, o Dinis teve um ataque de apendicite. Tive que tomar a decisão de pegar nele e na Berliet e levá-lo até ao Cuito Cuanavale (só tirei carta de condução na cidade do Caxito). Cheguei ao Cuito e entreguei o Dinis ao comandante da unidade, que, tanto quanto me recordo, era um Major.
Expliquei-lhe a situação. Mas o tal major não queria deixar-me sair de volta por ser "muito perigoso aquele percurso", dizia o desalmado.
Consegui explicar-lhe que tinha que ir, pois tinha lá 3 soldados e 1 civil sem qualquer meio de comunicação ou transporte. Após ter sido convencido deixou-me abastecer de combustível e rações de combate e lá fui de volta.
Ao chegar ao local a que chamávamos de “Chana Grande”, eu, "experiente condutor sem carta", ligo as redutoras e lá vou de peito feito para enfrentar o que restava do percurso.
Perto da picada que seguia para o Lupiri, havia umas curvas “marafadas” mesmo no limite da chana e a Berliet parou, pois a areia era muita e a viatura não tinha força suficiente para a vencer.
Eu levava sempre uma catana comigo e comecei a cortar bissapa para por debaixo das rodas para ganhar maior aderência (prática que era usual nas viaturas civis, sendo que esta era a principal razão porque os civis levavam sempre um ajudante. Frequentemente ouvia-se: “Mete pau filho da p…”).
Passado algum tempo, que me pareceu uma eternidade, exausto, sem forças, a viatura não saia do mesmo lugar. Aí, parei, descansei e pensei; nunca vi isto acontecer a uma Berliet, o que é que está aqui de errado?
Sabem o que foi? Quando pensei ter colocado as redutoras, desliguei-as e só com tracção a 2 rodas nem as Berliets andavam naquela areia. Passadas algumas horas, sem mais incidentes, lá estava de volta à minha secção.


Estas duas fotos mostram o António Moita nas margens da Lagoa Capua, nas "Terras do fim do mundo"

Encontro Nacional dos Cabindas

(Por Fernando Moreira)
“Tocar-te
seria pouco para a minha fome..."
Amélia Veiga in "Destinos"
Decorreu no dia 14 de Junho o encontro nacional dos Cabindas, na localidade de Gala-Figueira da Foz.
Foi tempo de recordações, risadas, felicidade pelos reencontros inesperados e de saudade e tristeza pelos ausentes.
Aqui fica o registo de um dia em que se exclamou "Cabinda Oyé!!!"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Figueira de Castelo Rodrigo, Junho de 2009

(Por Luís Marques)

É já nos próximos dias 26, 27 e 28 deste mês de Junho que se realiza em Figueira de Castelo Rodrigo, bem próximo do Douro Internacional e do Douro Vinhateiro mais um encontro (o oitavo) dos ex- furriéis milicianos da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611.
Uma vez mais o Quim Raposo decidiu assumir a seu cargo a realização de mais este convívio, que, a exemplo dos anteriores, se prevê animado.
Por hábito, costumam ser três dias de boa disposição, saboreando a bela gastronomia e os saborosos vinhos desta região "encravada" entre a Beira Alta e o planalto de Trás-os-Montes, plena de lugares históricos e com uma paisagem encantadora e com uma fauna deslumbrante. Este convívio certamente não irá defraudar as expectativas.
Neste convívio estará pela segunda vez presente o Fernando Pinho, mais a Fátima, sua mulher, que atravessaram o Atlântico, vindos das terras de Vera Cruz, a fim de estarem presentes.
Enquanto o convívio não chega, eis aqui algumas das fotografias do 6º encontro, realizado em 2007, também em Figueira de Castelo Rodrigo.


O almoço de Sábado na "Quinta da Sapinha"

Pausa para descanso e para apreciar a paisagem


As belas paisagens da região do Douro (do lado de cá a Beira Alta, do outro lado, Trás-os-Montes)



Está na hora de partir e das despedidas

Luanda cidade única

(Por Martins Correia e Luís Marques)

"Os panos pintados
Garridos
Caídos
Mostraram o coração:

- Luanda está aqui!"


(Luandino Vieira, in "Cultura II", 1957, nº1





Panorâmica de Luanda, tirada do cimo do edifício do SPM (Serviço Postal Militar) que ficava na zona dos quartéis de Luanda, para os lados do Grafanil.
As fotografias que se seguem, pertencem ao "ciclo Luanda" do álbum de recordações do ex-capitão Luís Martins Correia, o primeiro comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72.
São fotografias que confirmam a extraordinária beleza da cidade de Luanda. Quem diria que esta cidade, que nas fotos juntas se mostra tão exuberante na sua beleza, menos de dois anos passados se tornaria uma cidade mártir, na qual passou a ser impossível viver...
O poema que se segue e que as fotos ilustram é de autoria de Luandino Vieira e tem por título "Canção para Luanda".



Canção para Luanda


A pergunta no ar
No mar
Na boca de todos nós:
- Luanda onde está?


Silêncio nas ruas
Silêncio nas bocas
Silêncio nos olhos


- Xê, mana Rosa peixeira, responde
-Mano
Não pode responder
Tem de vender
correr a cidade
se quer comer!
«Ola almoço, ola amoçoeé
Matona calapau
Jiferrera jiferreresé»


- E você
Mana Maria quitandeira
Vendendo maboque
Os seios-maboque
Gritando
Saltando
Os pés pescorrendo
Caminhos vermelhos
De todos os dias?
«Maboque m’boquinha boa
Dóce docinha»

- Mano
Não pode responder
O tempo é pequeno
para vender!


Zefa mulata
O corpo vendido
Baton nos lábios
Os brincos de lata
Sorri
o seu corpo
- seu corpo-cubata!
Seu corpo vendido

Viajado
e noite e de dia.
- Luanda onde está?

Mana Zefa mulata
O corpo-cubata
Os brincos de lata
Vai-se deitar
Com quem lhe pagar
- precisa comer!

- Mano dos jornais
Luanda onde está?
As casas antigas
O barro vermelho
As nossas cantigas
Tractor derrubou?

Meninos nas ruas
Caçambulas

Quigosas
brincadeiras minhas e tuas
asfalto matou?

- Manos
Rosa peixeira
Quitandeira Maria
Você também
Zefa mulata
dos brincos de lata
~
- Luanda onde está?

Sorrindo
As quindas no chão
Laranjas e peixe
Maboque docinho
A esperança nos olhos
A certeza nas mãos
Mana Rosa peixeira
Quitandeira Maria
Zefa mulata-
Os panos pintados
Garridos
Caídos
Mostraram o coração:

- Luanda está aqui!

(Luandino Vieira, in "Cultura II", 1957, nº1



Montagem de quatro fotos, com a ilha de Luanda à esquerda


Vista parcial da Baía de Luanda



Martins Correia a passear na Baía de Luanda


Vista parcial de Luanda. Ao fundo a ilha de Luanda


Foto tirada n zona do Mussulo, Luanda

Outra foto tirada no Mussulo


Lançamento de uma rede de pesca, utilizando um barco construído num tronco de árvore escavado.

domingo, 7 de junho de 2009

Nas "Terras do Fim do Mundo" - 2

(Por José Manuel Francês)
Paisagem típica do sertão do Cuando Cubango

Terras do Fim do Mundo!
Apenas porque estavam efectivamente longe de tudo e todos, pois a beleza local, a riqueza da flora e fauna, permitiram a todos os que por lá passámos, uma memória rica de experiências inigualáveis.

O aquartelamento de M´pupa
Socorrendo-me ainda dos aerogramas, que meu Pai guardou, e agora me permitem reviver de uma forma mais intensa, o que lhes ia contando, comentava a 6 Janeiro 1972 (como o tempo passa rápido!) que “ontem tinha chegado mais um novo Camarada, que é irmão do Sr. Ferreira, que mora na Rua das Matas em Coimbrões, sabem quem é ? “ perguntava… e dizia ainda que “o Cunhado dele é o Pereira , assistente de bordo dos Transportes Aéreos Militares, que veio no mesmo voo , quando vim para Angola !”
O Jaime Ferreira, é o seu nome, mora em Canidelo com os Pais.
Mais um Gaiense que chega a M’Pupa. Com todos os que já cá estão o melhor é fundar aqui a Casa de Vila Nova de Gaia! “
Com o decorrer dos dias, a relação com o Jaime tornou-se cada vez mais forte, por todas as razões sobejamente conhecidas.


Kimbo do Cuando Cubango
Hoje, ao rever as fotos, agora apresentadas, é difícil rever os mesmos Jovens de então.
A idade vai pesando em cada um de nós, mas também nos tem trazido a qualidade que associávamos apenas ao vinho do Porto, pois as nossas relações de Amizade tornaram-se mais fraternais.
O Rio Cubango na povoação do Calai. Em frente a povoação do Rundo, no Sudoeste africano (hoje Namíbia)

As ditas “Terras do Fim do Mundo”, foram para nós, sobretudo os elementos da C.C.S., o elo dinamizador da nossa união, talvez devido ao Isolamento em que vivemos, e que nos fez descobrir fórmulas diversas de entretenimento.
Felizmente, fomos capazes de, a uma só voz, entender que era na amizade e lealdade, que estava o caminho certo a percorrer.

Manada de elefantes nas chanas do Rio Cuito

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Serpa Pinto

(Por António Moita)

A rua principal de Serpa Pinto


Vista panorâmica de Serpa Pinto



Como se recordam a 3ª Companhia esteve estacionada durante os primeiros 13 meses na cidade de Serpa Pinto, hoje Menongue, cidade pequena mas simpática, com cinema, bares, restaurantes e uma pastelaria onde passei muitos fins de tarde.

A igreja de Serpa Pinto

As nossas tarefas consistiam basicamente na participação em operações em todo o Cuando-Cubango, na protecção de colunas civis que transportavam todo o género de víveres não só para os militares como também para as populações civis que se encontravam ao longo das duas principais vias, ou seja, Serpa Pinto / Rivundo ou Serpa Pinto / Mucusso e também, ainda que em menor escala, aquilo que se chamava de “acções psicológicas”, as quais consistiam em visitar os kimbos da zona, apoiando essencialmente as populações com serviços médicos e de enfermagem.
Numa chana (planície) algures no Cuando Cubango. Em segundo lugar o ex-alferes Figueira


A nossa actividade baseava-se nestes 3 pólos e aquilo que todos nós pensávamos era passar os dois anos da comissão da melhor forma possível. Eu sempre preferi estar o máximo de tempo em Serpa Pinto que considerava ser uma cidadezinha simpática. Para além disso havia “ O Clube de Sargentos “, onde residia no quarto do 1º andar, com vista para o rio, e que eu achava fabuloso.




O António Moita no terraço do Vidigal, no "Clube de Sargentos" de Serpa Pinto e o famoso chapéu "carcamanho" adquirido na povoação do Rundu, no Sudoeste Africano (hoje Namibia)


Foto tirada do depósito de água de Serpa Pinto
Numa tarde, depois de uma operação que teve a duração de 6 dias, encontrava-me a desfrutar da paz do meu maravilhoso quarto quando um jeep me veio buscar para me transportar ao quartel, isto por ordem do Sargento Campos. Quando lá cheguei apresentei-me ao Sr. Sargento que me põe na frente uma folha de papel azul, que não era mais que uma participação ao Comandante de Companhia, indicando que era o 4º dia que eu não me apresentava no quartel. Depois de ler, devolvi-a devidamente rasgada e regressei novamente à paz do meu quarto.


Não é o que estão a pensar. É apenas sono...
Alguns dias depois e após ter sido ouvido pelo Alferes Valente, o Alferes Filipe, ao tempo comandante interino da Companhia, “condecorou-me” com uma repreensão particular. Escusado será dizer que as minhas relações com o Sr. Sargento Campos deterioraram-se de vez, pois foi a segunda participação com que me agraciou. A primeira foi ainda em Santa Margarida, não me recordo por que razão, e graças a ela “foram-me dados” três dias de detenção durante um fim-de-semana. Claro que nesse fim-de-semana até fui ver o Benfica jogar a Setúbal com o Vitória. Desta quase deserção safou-me o Capelão do Batalhão o Padre Geraldes




No terraço do Vidigal, num momento de ócio, eu o Vidigal e o Afonso (que era Furriel Telegrafista do Comando de Sector)

Criança Guenguela (as moscas e as fezes demonstram a forma inumana como viviam algumas crianças)

domingo, 31 de maio de 2009

Nas "Terras do Fim do Mundo"

(Por Jaime Ferreira)

Estava eu a dar instrução militar em Aveiro, no Batalhão de Caçadores 10, quando num fim de semana, em finais de Novembro de 1972, em casa , ouvi falar pela 1º vez nas "terras do fim do mundo" em Angola.
Muito simples: o meu saudoso pai tinha um colaborador na empresa onde trabalhava, cujo nome, se não me falha a memória , era Manuel, e em conversa lhe teria dito, talvez em jeito de lamento, que o neto da senhoria tinha ido para Angola para as "terras do fim do mundo."
Contou em casa o que tinha ouvido, eu memorizei e não me recordo se comentei.
A minha mobilização não se fez esperar e em 18 de Dezembro de 1972 arranco em rendição individual, rumo a Angola a caminho da CCS do Batalhão de Caçadores 4611/1972.
Desembarquei no aeroporto Luanda no início da manhã de 19 de Dezembro, faço as formalidades no terminal militar e venho para o exterior à espera de um táxi que me levasse até à CMR113 (Companhia Metropolitana de Recompletamento 113, localizada no Regimento de Infantaria de Luanda), onde tinha de me apresentar.


O Jaime Ferreira à porta da camarata dos Furriéis em M´pupa. Por trás dele um exemplar da "Declaração Universal dos Direitos do Homem", que pertencia ao Luís Marques e que era de leitura obrigatória (pelo menos um dos seus artigos) antes da entrada de qualquer um dos furriéis na camarata


Talvez a imagem que me dominava fosse de timidez e meio perdido. Fui interceptado por um Tenente do exército, que por sinal viajou no mesmo avião e me convidou para ir para junto dele . Depois das perguntas habituais: De onde és , qual a tua especialidade, para onde vais, etc., aparece a carrinha de transporte de passageiros militar e com as recomendações dadas pelo amigo de ocasião ao condutor da viatura, lá fui eu a caminho da CMR113.
Faço a apresentação, e fico logo a saber que no dia 21 de Dezembro estava de sargento de dia à companhia.

O Jaime Ferreira (em primeiro plano) esteve de sargento da guarda, no dia da visita do General comandante da Zona Militar Leste ao aquartelamento de M´pupa.


Faltava avisar a família que tinha chegado bem, e então lá fui ao centro da cidade de Luanda aos correios mandar o velho telegrama. Não me recordo se foi antes ou depois de o ter feito, encontro-me cara a cara com um colega da escola industrial onde tinha andado (Vila Nova de Gaia), que estava a cumprir o serviço militar em Moçambique e estava a passar férias em Angola em casa de uma irmã. Estava tudo a correr bem. Foi maravilhoso, reconfortante e logo o convite de que se cá estiveres no Natal vais passá-lo comigo.


O Jaime Ferreira a entrevistar o Fernando Pinho (este há muito radicado no Brasil), durante um torneio de futebol em M´pupa. Penso que foi aqui que surgiu a célebre frase: "prognósticos só no final do jogo"


No dia 21 lá estou eu a apresentar-me ao serviço na CMR113. Aqui começa o primeiro infortúnio. Fui ameaçado com uma “porrada” pelo comandante da companhia .
Tudo se passou da maneira seguinte: tinha a formatura feita para o almoço, quando chega junto de mim o cabo cozinheiro e me informa que o almoço estava um pouco atrasado e seria melhor mandar destroçar e voltar a formar um pouco mais tarde, face ao calor que se fazia sentir. Pensando que fazia uma grande coisa, em não ter os homens parados e com o sol a pique, avisei a formatura do sucedido, pedi para não dispersarem muito e mandei destroçar.
Ainda o pessoal não tinha escolhido a sombra quando o comandante da companhia aparece perguntando o porquê da companhia não estar formada.


Bem pequena esta cobra, não?

Respondi-lhe que tinha tomado a liberdade de mandar destroçar na base da informação recebida. Não quis saber, mandou-me voltar a formar a companhia e logo de seguida o aviso para ir ao seu gabinete da parte da tarde.
Imaginem o cagaço. Lá fui eu, como se costuma dizer, de chapéu na mão, falar com o capitão. A ameaça de uma "porrada" foi das primeiras coisas proferidas, mas depois de algumas explicações lá entendeu que não houve desleixo e ficou-se por me aplicar um sargento de dia (à Benfica) na manutenção militar no dia 23 que acabei por não cumprir, porque entretanto chegou a guia de marcha para M’pupa e a partida era precisamente nesse dia.
Foi o melhor, imaginem, que me poderia ter acontecido.

No rescaldo de uma noite de caça

Passei o Natal em Nova Lisboa , a passagem de ano em Serpa Pinto (com o pessoal da 3ª Companhia) e no início de Janeiro lá estava eu em M’pupa, nas "terras do fim do mundo " depois de uma viagem em MVL, na CCS do Batalhão de Caçadores 4611/1972, onde encontrei um grupo extraordinário .

O Jaime Ferreira fazia parte da equipa de caça de M´pupa (apesar de não ser atirador de infantaria, mas sim de transmissões, o Jaime tinha uma pontaria invejável

Depois ,com o decorrer de conversas e mais conversas, fiquei a saber que o neto da senhoria do Sr.Manuel (colaborador do meu pai) afinal era o José Manuel Francês. Por ironia do destino viemos ambos parar às "Terras do fim do mundo".


A já célebre jangada de M´pupa, no Rio Kuito

sábado, 30 de maio de 2009

O tempo passa sem regresso

(Por Fernando Moreira)


"O tempo passa sem regresso..."
João de Barros
A estrada que ia / vinha da Roça Lucola em 1974

A mesma estrada em 2009 vista no sentido contário

quinta-feira, 28 de maio de 2009

OH HOME!! BOTA LÁ SENTIDO !!

(Por José Manuel Francês)


Manuel Ferreira Júnior, Capitão do S.G.E., comandante da C.C.S. Uma santa alma acoriana
(Oh home, bota lá sentido !!...)

Quem de nós não recorda com um sentimento de saudade as palavras carinhosas com que o saudoso Capitão Ferreira Júnior se dirigia ao pessoal da sua Companhia? …
Quem não recorda o carinho, quase como se fosse um Pai, com que procurava proteger todos os que “punham o pé na poça”?…
Em aerograma enviado a meus Pais, a 28 Maio de 1973, relatava um episódio vivido com o Capitão, igual a muitos outros que se foram repetindo, ao longo dos dias da nossa comissão…
Estávamos nós em M’PUPA ! Na solidão das terras do fim do mundo .
Tinha chegado o avião, com o nosso correio, com as encomendas que nos eram remetidas pelos Pais e não só…
Ao receber a minha encomenda, enviada por meus Pais … senti de imediato que o Capitão punha o seu “nariz” no ar !
Bolas, ele conseguiu saber antes que eu abrisse a dita, o que lá vinha…

Relatava eu , então o seguinte:

Recebi a encomenda que me enviaram. Obrigado. Qualquer noticia é sempre recebida com muita alegria. As encomendas então fazem-me sempre crescer água na boca… O queijo então “era” fabuloso!
Obrigado.Muito Obrigado ! Pois um queijo assim em M’Pupa é verdadeiramente raro…

O azar é que há muita gentinha a gostar. Então o Capitão é um dos principais clientes !
Quando me viu receber a encomenda disse logo: "Eh! Francês, logo vou à Messe “conversar” contigo !!
Chegou no final da tarde e disse ao entrar: "Não sei porquê, mas cheira-me aqui a queijo do Francês !!"
E pronto. Lá foi mais um a ajudar que rapidamente terminasse…
É um óptimo companheiro e muito Amigo. Gosto dele !


Com este pequeno texto, quero, uma vez mais deixar o meu testemunho e a singela HOMENAGEM a um AÇORIANO de GRANDE CORAÇÃO.

Obrigado Capitão Manuel Ferreira Júnior por tudo o que comigo partilhou.
Pudera eu agora abrir uma nova encomenda e senti-lo connosco !

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Operação Vendas Novas

(Por Fernando Moreira)




Entre amigos tudo deve ser comum, especialmente os amigos.”
Teofrasto

Pensei em contar uma história que metesse crianças e heróis, amizades interrompidas, e que terminaria com a citação de um outro Fernando que escreveu um dia algo como;
O homem sonha, Deus quer e a obra nasce
E ao fim e ao cabo tudo se resume a esta simplicidade, a sonhos e ao querer. Sonhos e querer que se materializaram no passado sábado dia 23 de Maio quando ao final de 35 anos consegui voltar ao convívio dos meus heróis de menino e de amizades que se mantinham e não estavam interrompidas, pois eu voltara a ser o Muano de 12 anos e eles os jovens de vinte e poucos.
Conversando com eles e observando-os dei por mim a pensar que estes meus heróis não o eram por terem arrasado com os índios que havia na paisagem, não o eram por terem conquistado cidades, as suas medalhas, aquelas que orgulhosamente ainda ostentam no seu peito são as amizades que contraíram com os seus camaradas de jornada e que ainda hoje mantêm polidas, brilhantes e que orgulhosamente exibem quando passam o braço pelo ombro do seu camarada e se lembram de M´pupa, Serpa Pinto, Fazenda Tentativa, Tabi, Cabinda e Lucola, ou quando, como me referia o Elias em conversa, o diálogo se faz de silêncios. Tudo fez parte... tudo é cumplicidade.
E regressando aos meus pensamentos, no rescaldo da “Operação” dei por mim a pensar que foi decerto isto que me atraiu nesta tropa, estes valores, esta amizade que ainda hoje mantêm viva, este facho que rodam perpetuamente entre eles de modo a alimentá-lo com o seu calor e que decerto se manterá vivo enquanto houver um que o possa fazer.
Mas também queria deixar registo de que o passado dia 23 será mais uma marca na minha árvore de vida, será um entalhe no lado feliz do meu embondeiro, pois regressar ao vosso convívio era algo que até há pouco tempo atrás nada faria supor que tal pudesse acontecer em tão pouco espaço de tempo. Graças em parte ao Fórum do Batalhão 4611, mantido pelo Luis Marques e à disponibilidade do Facas em se ter chegado à frente para organizar o encontro no seu “Kimbo”.
No regresso passei por casa da minha mãe e ao mostrar-lhe as fotos, “ela estava em pulgas”, como podem imaginar, exclamou: “Também estão a ficar velhotes!”
Entendam isto como um elogio...
E aqui estamos, as fotos falam por si, as legendas são só para referência mas gostava ainda de vos dizer que a prioridade hoje continua a ser a de não deixar ficar ninguém para trás, este foi o aperitivo, vamos a ver se em Novembro conseguimos pôr uma companhia a dar um passo em frente e a afirmarem-se presentes! Nem que seja ao som de uma “cornetada” do Silva.
“Conduta Brava e em tudo Distinta” creio que continua a ser o lema que norteia as várias batalhas que se apresentam na vossa vida.




Ponto de reunião
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Da esquerda para a direita, Figueira, Moita, Facas e Brazão. De costas Silva e Cabral
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Vítor Fernandes
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Visita ao museu da E.P.A. (o Bruno Moreira e o Elias)

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Luís Marques, António Moita e João Novo
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As bonitas filhas do Luís Marques (Filipa e Rita)
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Os primeiros tiros...
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Filipe Silva, Elias e Manuel Silva. Os segundos tiros...
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Luís, Novo e Moita
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Matão
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Pensam eles: tanta conversa ao fim de 35 anos...
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Facas, Elias e Filipe
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Hora do rancho
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Outro pormenor

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Outro aspecto do almoço
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Outro ângulo
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Figueira, Duarte, Filipe e Brazão
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Duarte, Filipe, Brazão e Girão
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Cabral, Fernandes, Filipe, Facas, Moreira, Luís, Moita, Novo e Brazão
(clica para aumentar)

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta