
Caxito (avenida principal)
Ambriz
A barragem das Mabubas

O Vasconcelos e o Francês na Fazenda Tentativa (ao fundo, o Sousa)
O Vasconcelos e a nossa mascote, Piçudo, na Fazenda Tentativa
O Batalhão ficou, pois, bem perto da capital e no caminho para o Norte, onde a guerra colonial se iniciou em 1961. A Fazenda Tentativa fica situada na estrada para Luanda e a cerca de 14 Km das Mabubas. Entre a Fazenda Tentativa e as Mabubas, fica o Caxito, a povoação mais importante da área do Batalhão.
Caxito, Avenida Principal
A Fazenda Tentativa, sede do Batalhão, era naquele tempo uma importante exploração agro industrial. Tinha instalações para todos os trabalhadores, hospital e auto-defesa entregue a milícias. Era, na altura, uma importante produtora de cana do açúcar. Segundo os europeus que lá trabalhavam, as picadas no seu interior tinham mais de 300 Km de extensão.
Fazenda Tentativa (canal de irrigação)
A Fazenda Tentativa surpreendia pela sua grandiosidade. A sua enormidade, as vivendas, as escolas, a igreja, o hospital, a farmácia, o seu cinema ao ar livre, o campo de futebol, a própria fábrica e a vasta alameda que possui, davam-lhe um aspecto de modernidade, muito diferente daquilo a que estávamos habituados.

Fim-de-semana na Barra do Dande, arredores da Fazenda Tentativa
Como a Tentativa, existiam muitas outras explorações na área do Batalhão, como a Fazenda Libongos, sede de uma outra exploração agro pecuária e que na altura constituía o limite do trânsito livre para o Norte e a Fazenda Tabi, também ela uma exploração agro industrial muito importante, possuidora de auto-defesa e uma população trabalhadora muito importante. Esta fazenda produzia principalmente bananas , que eram exportadas para Portugal, bem como óleo de palma e óleo de coco.
A cidade do Caxito era um aglomerado populacional de alguma importância e um centro comercial relativamente próspero. Aqui se ouvia falar dos contactos estreitos da população nativa com os guerrilheiros, o que nos fazia estar mais atentos a pequenos sinais.
A cidade de Ambriz
Apesar da paz artificial que por ali se vivia, não podíamos desprezar a possibilidade de qualquer ataque inesperado e, por isso a circulação de pessoas e bens era condicionada. Essa a razão das constantes colunas de escolta de viaturas civis até à cidade de Ambriz realizadas pela C.C.S. (duas por semana). Sabíamos que os guerrilheiros se movimentavam por aquela zona, sendo uma das sua zonas de reabastecimento. Sabíamos que o Caxito era por eles utilizado para obter produtos essenciais.
A caminho do Ambriz
A cidade de Ambriz, onde foi colocada a 2ª companhia, antes de 1961, foi um importante porto exportador de café, no nosso tempo praticamente desactivado. O desenvolvimento da população estava essencialmente centrado num centro de instrução militar (infantaria) que existia na na cidade, na cultura do algodão e na a pesca, sobretudo a pesca da lagosta (quem não se recorda das saborosas refeições de lagosta - baratíssima - que se comiam em Ambriz), que abastecia generosamente a cidade de Luanda.
Vista da cidade de Ambriz
A 2ª companhia tinha um pelotão colocado em Freitas Morna, um ponto militar estratégico, mas de um total isolamento. Era no "cruzamento de Freitas Morna" que o MVL (Movimento de Viaturas Logísticas), que era por nós escoltado, se dividia entre aquelas viaturas civis que se dirigiam para Ambrizete, mais para Norte, e as restantes que se dirigiam para Ambriz. Situado perto da ponte sobre o rio Loge, Freitas Morna era de extrema importância para manter as ligações terrestres entre o Caxito e Ambrizete. A quem lá ia, impressionava as condições degradantes em que este pelotão vivia, para além do seu isolamento, contrastando fortemente com a realidade do resto do Batalhão. Dava a ideia que aqueles militares faziam parte de uma outra guerra.
Freitas Morna
A 1ª companhia de caçadores foi instalada na Barragem das Mabubas, local de muita beleza. Aqui tudo, ou quase tudo, se centrava na barragem que fornecia energia eléctrica a Luanda e sustenta as águas revoltas do majestoso rio Dange. A albufeira formada pela barragem é muito bela, imponente e alarga-se por vários quilómetros quadrados. Aqui se podiam ver jacarés em abundância. A missão da tropa era proteger a barragem contra eventuais sabotagens por parte dos guerrilheiros, defendendo, deste modo, uma estrutura da máxima importância para a cidade de Luanda. Outro dos atractivos era a curta distância que a separava da capital (60 Km), que se percorria em pouco mais de meia hora.
A barragem das Mabubas
Por último, resta falar da Fazenda Tabi, onde foi colocada a 3ª companhia. Aqui, tal como na Fazenda Tentativa, as instalações da tropa conviviam de forma harmoniosa, com as moradias dos administradores e restantes europeus e capatazes, bem como as restantes instalações fabris. Tal como se disse no princípio, esta fazenda produzia milhares de toneladas de banana por ano, quase toda exportada para Portugal, óleo de palma e coconote.
A Fazenda Tabi
Recordo uma extensa e bela alameda, onde centenas de macacos faziam contorcionismo nas árvores e davam as boas vindas aos visitantes.

Fazenda Tabi


Massacre na Fazenda Tabi , Fevereiro de 1961
A 3ª companhia tinha ainda um destacamento na Fazenda Libongos, sede de uma outra exploração agro pecuária e que na altura constituía o limite do trânsito livre para o Norte (era neste local que se dava instruções aos militares que constituíam a escolta das viaturas civis que se dirigiam para o Norte, para introduzirem a "bala na câmara" da G3, colocarem a respectiva patilha na posição de segurança e redobrarem a sua atenção).
A estrada Caxito - Ambriz na zona da Fazenda Libongos
Foi por estes locais, aqui sumariamente descritos, que o Batalhão de Caçadores 4611/72 passou quase 5 dos seus 24 meses de comissão em Angola. Até que o Batalhão foi deslocado mais para Norte, para o enclave de Cabinda, para apoiar a guerra no Sanga e no Miconje. Mas essa é outra história...

























