quinta-feira, 20 de maio de 2010

Operação "Barbas"

(por Fernando Moreira)

Após alguns dias de preparação as tropas puseram-se em marcha dando início no dia 14 de Maio à “Operação Barbas” que veio a decorrer conforme planeado sendo que a única oposição encontrada partiu do trânsito, normal para uma sexta-feira.

Os convivas estavam nitidamente satisfeitos, e os que não estavam… puseram-se!! Registe-se com agrado o aparecimento de mais um elemento da CCS a estes “convívios intercalares”, sinal que o grupo cresce e foi comum a pergunta de para quando os elementos da 1ª. e 2ª. Companhias.
O João Salgado fez, e muito bem, o papel de anfitrião, e a ementa estava excelente.
Ficam as imagens habituais de registo e que testemunham bem o espírito vivido, bem como um vídeo do encontro.
Preparem-se para o próximo!!!

As imagens do jantar.
Como vêem a boa disposição não faltou e a boa comida também não (clica nas fotos para as aumenta)


  

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A minha passagem com o 4º grupo da 3ª Companhia por Serpa Pinto (continuação)

(Por Abílio Hermenegildo)
(clica nas imagens para as aumentar) 

Distrito do Cuando Cubango
Em Agosto de 1973, não me recordo do dia, o nosso amigo Manuel Joaquim Relvas Ciríaco, resolve celebrar o seu aniversário com alguns dos seus amigos. O Vítor Rodrigues, o Leal, o Venâncio Sancha, o José Diniz e eu, fomos os 6 jantar ao Hotel Pérola do Sul, também conhecido pelo Hotel Tirso, acabando a noite na sala de bilhar ao lado do cinema Luiana.

Hotel Pérola do Sul

Jantar de aniversário do Ciríaco em Agosto de 1973 no restaurante do Hotel


Jantar de aniversário do Ciríaco em Agosto de 1973 no restaurante do Hotel


No início do mês de Setembro e, para estar com esta farda vestida só poderia ser num fim-de-semana e de folga, pronto para sair e almoçar fora do quartel como acontecia imensas vezes. Mas para fazer algum compasso de espera, para o toque para o almoço, eu e o Domingos Fernandes mais conhecido pelo “Mais Que A Mim” e para constar mais uma fotografia para a colecção, resolvemos jogar uma partida de damas mesmo à porta da nossa caserna.

Um jogo de damas enquanto não chegava a hora do almoço
Eu e o “Mais Que A Mim”

Não me recordo bem qual o percurso que foi feito para esta Acção Psicológica, sei apenas que se levou mais dias do que estava previsto e tudo isto por causa do “acidente” ou “atascamento” como diz o Facas que houve com a Berliet, quando regressávamos ao quartel. Tudo isto se passou logo no início da manhã e estávamos a contar ir já almoçar a Serpa Pinto, quando todos os planos saem furados. Eu seguia no Unimog 404, e é também mais uma das situações que aconteceram que jamais esquecerei, não me lembro dos nomes de alguns mas lembro-me bem como aconteceu isto. Para reforçar o que o Facas enviou para o Fórum em 26/04/2009 deixo aqui algumas imagens para recordar. Sei que houve várias ajudas para se tirar dali a Berliet até dum camião civil, pois não foi tarefa fácil.Mas conseguiu-se ao fim de 3 dias. Segundo as anotações que eu tenho, esta Acção Psicológica era para ser feita nos dias 23/09 e 24/09, mas com o imprevisto acabámos chegar a Serpa Pinto a 27/09/73.



Acção Psicológica
Por aqui se pode ver até que ponto a Berliet ficou enterrada

 


Acção Psicológica
Uma parte do grupo que compunha a “expedição”
1- ?? * 2 – ?? * 3 - Custódio Gomes Monteiro *
4 - Abílio Hermenegildo * 5 – Enfº. Gomes * 6 - Marafunha?


Acção Psicológica
Aqui estão os 11 magníficos que ficaram para “desenterrar” a viatura inicialmente
1- Tremidinho * 2 - ?? * 3 – Lázaro * 4 - Custódio Gomes Monteiro *
5 – Enfº. Gomes * 6 – “RÉGUA” Condutor da Berliet * 7 - ?? *
8 – ?? * 9 - Alberto Reis Lopes * 10 - A. Hermenegildo *
11- Manuel Alves Condutor Unimog 404


Acção Psicológica
Depois do susto passado, tentar comer qualquer coisa que restava da ração de combate. Por isso havia que poupar enquanto não chegassem os reforços alimentares, neste caso era uma lata de salada de fruta.



Entretanto em Outubro de 1973 fomos destacados para mais uma missão, desta vez para norte (??) de Serpa Pinto a fim de se dar protecção à engenharia que estava abrir novas estradas e inicialmente ficámos na Base Táctica do Cuebe e estávamos a uma centena de metros do rio. Não sei se a nascente era ali próximo ou se era algum dos afluentes, sei que era uma maravilha tomar banho naquela água fresca e cristalina.

BASE TÁCTICA NO CUEBE EM OUTUBRO DE 1973
Percurso do acampamento para o rio.
Ao fundo o rio onde tomávamos banho

Ao sair da mata tínhamos esta panorâmica com o rio Cuebe ao fundo


Trilho do acampamento para o rio.

A minha “Cubata”, foi ideia de alguém colocar à entrada da tenda “Cubata do Soba”.
Feito num pedaço de cartão duma ração de combate e escrito com um pau queimado da fogueira


Hora de descanso após o almoço e a pensar no que fazer para ajudar a passar o tempo

A tentar pregar uns botões do camuflado, sempre ajuda a passar o tempo


Entretanto, fomos rendidos por outro grupo de combate e regressámos a Serpa Pinto para carregar forças e ficarmos prontos para uma nova saída. Bem desta vez foi novamente para continuarmos a fazer protecção à engenharia e respectivas máquinas e o grupo foi destacado para a Base Táctica no Munhona em Novembro de 1973. Aqui já não tínhamos a nossa praia fluvial privada como no Cuebe, aqui éramos abastecidos por um tanque atrelado com uma cisterna e tinha-se que poupar água.

BASE TÁCTICA NO MUNHONA EM NOVEMBRO DE 1973

 
Uma parte do acampamento

Uma parte do acampamento.
Este que está comigo já estava no acampamento não me lembro dele na 3ª Companhia, será que pertencia há 1ª ou 2ª Companhia. Tenho ideia dele na minha recruta pois fazia parte da incorporação de Angola, a não ser que esteja enganado.

 
Eu e o Álvaro Quintã. O que está no centro não me recordo do nome



Um aspecto geral do acampamento



E assim passámos alguns dias nesta Base para depois regressarmos a Serpa Pinto e entretanto começarmos a preparar a malas e seguirmos para a Fazenda Tabi.
Assim terminava a missão da 3ª Companhia em Serpa Pinto, já corria o mês de Dezembro de 1973 e não me lembro do dia quando fomos de malas e bagagens de rumo à Fazenda Tabi, lembro-me que saímos muito cedo de Serpa Pinto em viaturas civis e chegamos no final da tarde depois de andarmos talvez dez horas fazendo cerca de 1.500 km.
DEZEMBRO DE 1973 
Viagem de Serpa Pinto para a Fazenda Tabi.


Uma pequena paragem para quem necessitasse de esticar as pernas e não só.

Aqui fizeram-me a partida de fotografar enquanto dormia.
 Não me recordo que ponte é esta que atravessamos. Alguém se lembra?
Será em Lifune ou é nos Libongos?




Distrito de Luanda


Trajecto Serpa Pinto - Fazenda Tabi
Penso que foi este o trajecto


Assim se passou um ano de guerra nas Terras do Fim do Mundo e termina a minha missão com o 4º grupo da 3ª Companhia por Serpa Pinto, numa excelente vivência e de boa camaradagem com todas as pessoas que compunham o Batalhão de  Caçadores 4611/72.
Para todos, aquele grande e forte abraço

Abílio  Hermenegildo


quarta-feira, 28 de abril de 2010

(Por Luís Marques)




 "Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas (1977)

O Fórum 4611 faz hoje dois anos.

Na manhã do dia 28 de Abril de 2008, de uma forma tímida, incipiente e indecisa demos início a este projecto a que decidimos chamar “Fórum 4611”.
Tal como foi dito logo na primeira mensagem publicada, este blogue pretendia “ser uma homenagem aos antigos militares do Batalhão de Caçadores 4611/72” e que se desejava que “esta página (fosse) um elo estreito de ligação entre os ex militares da C.C.S. assim como com todos os antigos camaradas do Batalhão e de uma forma geral com todos aqueles que de uma maneira ou outra estão ligados a nós – estamos a falar, por exemplo, de familiares dos ex-militares, que connosco convivem há vários anos”
Passados dois anos, pode-se dizer que os desígnios que levaram à criação da página dedicada aos antigos militares do Batalhão de Caçadores 4611/72 foram quase todos alcançados.

Efectivamente, pouco falta para conseguir reunir à volta do nosso blogue os antigos militares das quatro companhias do Batalhão.
Apenas falta que os companheiros da 2ª Companhia nos façam chegar as suas colaborações para conseguirmos o pleno.
Entretanto, foi possível contactar antigos militares das quatro companhias, todos eles assíduos visitantes do blogue.
Está prevista para este ano de 2010 uma confraternização anual englobando os antigos militares da C.C.S e da 3ª Companhia, em organização conjunta, que se espera e deseja se ponha em marcha.
Já em Novembro de 2009, nos convívios anuais da C.C.S. e da 3ª Companhia estiveram presentes, pela primeira vez, alguns militares das restantes Companhias, com destaque para o convívio de 28 de Novembro de 2009, em Abrantes, organizado pele 3ª Companhia, onde estiveram representadas as 4 Companhias do Batalhão.
Estamos convictos que num futuro próximo será possível organizar um, ou até mais que um, convívio global do Batalhão.
Entretanto, as páginas do Fórum 4611 são um testemunho bem vivo da constante reaproximação de antigos militares do Batalhão que há muito andavam dispersos pelos quatro cantos do mundo e que chegaram até nós através das páginas no nosso blogue. Vejam o exemplo do Abílio Hermenegildo que fazendo na Internet uma pesquisa sobre “embondeiro” rapidamente deu, com grande surpresa sua, com as páginas do Fórum 4611. Ele que havia perdido todo o contacto com os seus amigos da 3ª Companhia.
E outros relatos semelhantes se poderiam acrescentar, pois muitos deles nos chegam através da caixa de correio associada ao blogue.
Como o caso do nosso “adoptado” Fernando Moreira, hoje um dos principais dinamizadores do Fórum 4611, e que se aproximou de nós da forma que todos conhecemos, ele que era um rapazito de12 anos apenas quando o Batalhão encontrava estacionado em Cabinda; ou ainda os recentes trabalhos inseridos no blogue de autoria do José Fernandes Borges (1ª Companhia) e do José da Costa Fernandes (C.C.S).
Nestas páginas se têm feito a devida homenagem aos nossos companheiros que o inexorável ciclo da vida e da morte tem levado do nosso convívio, que não da nossa lembrança.
O Fórum 4611 já ganhou um estatuto de destaque no panorama dos blogues com vocação semelhante, destinados a homenagear os antigos combatentes do ex-ultramar português.
Efectivamente poucas realizações semelhantes se podem gabar de terem um número diário de visitante como o nosso Fórum 4611.


Hoje, dia 28 de Abril de 2010 assinalamos mais de 27.000 visitantes. Este número de visitantes são contados desde o dia 5 de Setembro de 2008, data em que o contador de acessos foi inserido. Há precisamente um ano registávamos 5.498 visitas, ou seja, em apenas um ano tivemos mais de 21.500 visitas, média superior a 60 visitas por dias. Houve dias em que foram contabilizadas mais de 200 visitas.
Os visitantes são oriundos dos quatro cantos do mundo, com destaque para Portugal, logicamente, Brasil, Angola, França, Estados Unidos, Suíça, Reino Unido Alemanha, Bélgica, Canadá, Holanda, Itália França, etc., num total de 70 países diferentes.
Mas todos nós temos o dever de contribuir para o tornar o Fórum 4611 ainda maior.
Para alcançar essa meta, torna-se necessário a contribuição de todos.
Continuamos a aguardar pelos vossos trabalhos. Temos todos o dever de contar a história da nossa passagem pela guerra colonial na primeira pessoa e assim evitar que sejam outros a contá-la, designadamente aqueles que nunca por lá passaram e que vão buscar a sua inspiração aos relatórios oficiais, os quais, por regra, são má ficção


domingo, 11 de abril de 2010

Hoje perdemos um amigo

(Por Fernando Moreira)

"Ninguém ainda sabe se tudo apenas vive para morrer
 ou se morre para renascer"

 Marguerite Yourcenar

José Manuel Martins de Melo Duarte

Hoje perdemos um amigo
Há uns tempos estando de volta dos livros de Jean Laterguy, que para alguns de vós foram certamente de leitura obrigatória, pensei, sob o titulo de Centuriões e Pretorianos desenvolver um trabalho sobre o modo como Roma recrutava e mobilizava os seus legionários e os enviava para as fronteiras do império de modo a defenderem este.

Os Centuriões tinham como juramento:
"Povo de Roma, ouvi este juramento:
Prometemos solenemente a nossa força, o nosso sangue, as nossas vidas a Roma. Não recuaremos. Não cederemos. Não nos importaremos com o sofrimento ou a dor.
Enquanto houver luz, daqui até ao fim do mundo, somos por Roma e pela Legião. O Verdadeiro Legionário é aquele que procura, constrói e defende a sua Roma...
O Verdadeiro Legionário é aquele que vive lealmente na fraternidade da sua Legião!
Estaremos unidos como uma familia. Estaremos juntos! Manteremos a união!“
Filipe Silva, Duarte, Teixeira  e Valente
__________________________________________________________________

Pegando neste Juramento; “O verdadeiro Legionário é aquele que vive lealmente na fraternidade da sua Legião!” mantendo-se unidos como uma família; “Estaremos juntos! Manteremos a união”, faz-me pensar nesta família não natural mas de laços talvez mais fraternos que se criou nas várias centurias que Lisboa enviou para as fronteiras limites do império, para as terras do fim do mundo...


O seu Pelotão na Roça Lucola, em Cabinda
Tal como em todas as famílias a história das mesmas faz-se de risos e de dores, de perdas e ganhos e hoje o momento é de dor e de perda na nossa família.

José Manuel Duarte Na Roça Lucola, Cabinda

O Dogma Cristão fala-nos de uma vida para além da morte, os povos antigos acreditavam numa outra vida em que os espiritos continuavam a participar de caçadas nas grandes pradarias, uma canção dos Trovante fala-nos de que Deus só tem aqueles que mais ama, os Cabindas acreditam que a partida das almas se efectua numa barca que faz a ligação entre este mundo e o além e o seu ritual reveste-se de um misto de dor e alegria. Eu consigo acreditar que neste mundo uns têm de partir para dar lugar aos que chegam, mas não entendo a ordem pela qual as escolhas são feitas.

Hoje o dia é de dor, mas procuro acreditar que aqueles que partem primeiro irão esperar pelos que irão depois, conforto-me pensando que este nosso amigo partiu para o seu Vuku e que ali encontrará certamente outros companheiros, familiares e amigos que partiram antes dele e que o ajudarão nesta sua nova existência.

Para nós e certamente para a sua família este nosso amigo existirá enquanto existirmos, enquanto tivermos memória...enquanto a nossa dor se mantiver!


José Manuel Duarte, na Roça Lucola, na varanda da residência dos Oficiais

Na próxima formatura quando se fizer a chamada de José Manuel Martins de Melo Duarte juntemos as nossas vozes e respondamos: !!!Presente!!!

O José Manuel Duarte numa das últmas fotos tiradas em Angola, a caminho de Luanda, após a saída de Cabinda em Novembro de 1974

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta