segunda-feira, 14 de junho de 2010

Operação "tasquinhas de Abrantes"

(por Luís Marques)

A nossa “tropa” fez-se novamente à “picada” para realizar outra operação de “alto risco”.
Desta vez de novo em Abrantes, onde o “inimigo” continuou a flagelar as populações locais, mesmo depois de uma brilhante vitória nas “nossas tropas” em Novembro do ano passado que quase o desbaratou por completo.
Não obstante a pesada derrota infligida, o adversário conseguiu reagrupar-se e a concentrar-se de novo na região o que levou os bravos do 4611 a planear um outro golpe de mão, com a finalidade de terminar com as suas incursões na zona.
Para conseguir esse desiderato, alguns “voluntários” reuniram-se num letal “grupo de combate”, bem apoiado por valentes milicianas, que já são bem experimentadas nestas lides guerreiras.
Permitam-me uma saudação especial ao decano destas lides guerreiras, o ex-primeiro sargento António Corga, que muito contribuiu para elevar a moral dos guerreiros presentes.
Mas um novo golpe de mão está já marcado para esta semana, na próxima 5ª feira dia 17, desta vez no Kimbo do Deodato Pinto, em Carnaxide. A essa operação de alto risco, deu-se o nome de código “Operação Rodízio”.
Estão todos convidados. É em Carnaxide... bem próximo de Lisboa.
Eis a seguir o registo fotográfico da operação  "tasquinhas de Abrantes", um retubante êxito militar das "nossas tropas":


O "bravos do pelotão" (Manuel Brazão, António Corga, Luis Marques, Deodato Pinto, Eduardo Veiga, Filipe Silva, Artur Girão e António Elias. Não estão na foto o Martins Correia, que chegou momentos depois e o Cabral, que apenas se juntou a nós após o almoço)


As valentes milicianas que apoiaram os "bravos do pelotão" e que constituiram uma reserva para "algo" que corresse mal...

O Ex-1º sargento António Corga, da C.C.S.. O decano dos "combatentes" presentes. A velhice é um posto e o amigo Gorga é actualmente o comante supremo do 4611

O local da "batalha" (será que Leonardo da Vinci se inspirou nesta foto quando pintou " a última ceia", ou foi o contrário?)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Recordações de Angola - 25 (José Sousa Veiga)

(Por Luís Marques e José Veiga)

A 2ª Companhia do Batalhão 4611/72 reúne-se no próximo sábado, dia 12, no NOVOTEL, em Setúbal, para o seu convívio anual (estamos à espera de ver a reportagem do convívio, conforme prometeu o José Veiga).
Este facto, por si só, justifica que se apresente este novo trabalho (o segundo) do José Veiga, contendo somente algumas fotos pertencentes ao seu álbum de recordações.
Como combinei com o José Veiga, este trabalho servirá para “aguçar o apetite” às gentes da 2ª Companhia que anda teimosamente arredada das páginas deste Fórum 4611. O José Veiga se encarregará de lhes mostrar o que tem sido feito no nosso blogue.
Estou convicto que com estes dois  trabalhos da 2ª Companhia, outros antigos militares da 2ª Companhia se unirão a nós ao redor do Fórum 4611.
Serão muito bem-vindos.
Entretanto, para toda a gente, aqui ficam as fotos do José Veiga:




No posto de comando das "transmissões" na Coutada do Mucusso


O José Veiga a experimentar um TR28 Racal na Coutada do Mucusso

Na coutada do Mucusso, com o Cripto Oliveira, amigo que nunca mais soube dele)

Com o amigo Rocha ("Rochinha"), também de transmissões, na Fazenda Yabe (não sei o que é feito dele...)

De regresso à Coutada do Mucusso, a atravessar a jangada na povoação do Dirico (Rio Cuito), depois de termos ido ao Calai abastecer de gasóleo

O José Veiga em Évora, numa visita ao Regimento de Infantaria 16 em Agosto de 2001

sábado, 5 de junho de 2010

A descoberta do Rui Leal

(por Abílio Hermenegildo)

O 1º Grupo de Combate da 3ª Companhia (o Leal ao centro)

Caros Amigos e Companheiros:
Há algum tempo que ando um pouco afastado do fórum, praticamente desde o passado dia 12 de Maio, altura em que enviei o meu último "trabalho".
Felizmente não foi por estar doente. Apenas e só porque entendi que havia de descobrir o paradeiro do nosso querido amigo e camarada de guerra o Leal.
Primeiro,  como não sabia do nome dele, apenas e só o apelido, coisa que era muito vaga. Mas como a Internet tem também muitas coisas boas, acabei por saber o nome completo do nosso amigo Leal. Ora fixem bem, o nosso amigo Leal chama-se RUI MELO DOS SANTOS LEAL.
Tinham-me dito que havia sido visto em Setúbal e por intermédio do site Lobitanga fiz um pedido a todos lobitangas se me podiam ajudar a descobri o paradeiro do Leal e foi quando começaram a surgir as informações do nosso amigo, ora vejam:

"Às 23:05 em 2 Junho 2010, Serafim Vale disse...
Procuras pelo LEAL...na verdade são 2 irmãos ..o mais velho o Rui encontra-se actualmente em Angola...antiga Cela...tenho o telefone dele , posso dar-to...o irmão vivia em Setúbal. Tem um consultório de dentista.
Um abraço."


"Às 14:58 em 3 Junho 2010, Serafim Vale disse...
..O Rui foi um "grande" ( apesar da estatura ) amigo meu na juventude...e essa amizade perdura até aos dias de hoje...aqui deixo o seu telefone :
002 … …. ….
...de vez em quando contactamos...estou a aguardar que consiga um email para que tudo se torne mais fácil.
Um abraço."
Maio de 1973
A tomarmos uma bela banhoca no rio
(da esquerda para a direita: Almeida, Leal e A. Hermenegildo)
Mas afinal o Leal não tem só 2 irmãos; eles são ao todo 5 irmãos.
Pois bem, estas foram as 2 últimas mensagens que recebi. E hoje sem perda de tempo resolvi telefonar para Angola para o número que me tinham dado. Foi uma festa que vocês nem podem imaginar pois era realmente o nosso amigo Leal que estava no outro lado da linha a milhares de quilómetros de mim. Falei do nosso fórum assim como de toda esta grande família, só que ele infelizmente na zona onde está não tem Internet, pois está há espera e assim que ele tenha ficou de me enviar de imediato um email.

Quartel em Serpa Pinto

Da esquerda para a direita: Dinis, Leal e Valongo

Por outro lado também ficou entusiasmado quando lhe falei dos encontros que fazemos anualmente em Novembro, pois ele esteve o ano passado em Portugal a passar umas férias no mês de Novembro e é claro que não sabia de nada, mas agora quando souber do próximo encontro vai ser mais um lugar à mesa. Bem meus amigos espero que tivessem ficado satisfeitos com a notícia tanto quanto eu.
Um grande e forte abraço para todos
A. Hermenegildo

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Recordações de Angola - 24 (José Sousa Veiga)

(Por Luís Marques e José Veiga)



O José  Sousa Veiga em Cabinda em 1974


É com enorme satisfação que hoje publico este “post”.

Trata-se do primeiro conjunto de fotos que me foi enviado por um antigo camarada da 2ªComapnhia. Espero que sirva de incentivo para que outros.
O José Sousa Veiga foi 1º cabo radiotelegrafista da 2ª Companhia do nosso Batalhão (Coutada do Mucusso, Ambriz, Cabinda).
Há pouco tempo, no passado mês de Abril, tomou conhecimento da existência do Fórum 4611 e logo prometeu enviar algumas fotos para serem publicadas.
O José Veiga envia um abraço forte para todos os antigos camaradas do Batalhão, em especial para a “malta” das transmissões da C.C.S., 1ª, 2ª e 3ª Companhias.
Com a edição deste “post”, fecha-se o círculo à volta do Batalhão de Caçadores 4611/72. Estão publicados trabalhos de todas as suas Companhias.
As fotos aqui estão.
São, como o José Veiga diz, “fotos de Angola de tempos há muito idos”, ao que eu acrescento “e agora revividas com saudade”.



O José Veiga na Coutada do Mucusso

Um passeio com um pastor alemão


Com o furriel Figueiredo (transmissões)

Em Serpa Pinto, em 1973, no regresso de férias


A fortaleza de Ambriz, local onde a 2ª Companhia esteve aquartelada de Dezembro de 1973 a Abril de 1074


"maralhal" da C.C.S. misturado com "maralhal" da 2ª Companhia em Cabinda, 1974


Embalagem de ração de combate, que tantas vezes foi a nossa refeição

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Operação "Barbas"

(por Fernando Moreira)

Após alguns dias de preparação as tropas puseram-se em marcha dando início no dia 14 de Maio à “Operação Barbas” que veio a decorrer conforme planeado sendo que a única oposição encontrada partiu do trânsito, normal para uma sexta-feira.

Os convivas estavam nitidamente satisfeitos, e os que não estavam… puseram-se!! Registe-se com agrado o aparecimento de mais um elemento da CCS a estes “convívios intercalares”, sinal que o grupo cresce e foi comum a pergunta de para quando os elementos da 1ª. e 2ª. Companhias.
O João Salgado fez, e muito bem, o papel de anfitrião, e a ementa estava excelente.
Ficam as imagens habituais de registo e que testemunham bem o espírito vivido, bem como um vídeo do encontro.
Preparem-se para o próximo!!!

As imagens do jantar.
Como vêem a boa disposição não faltou e a boa comida também não (clica nas fotos para as aumenta)


  

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A minha passagem com o 4º grupo da 3ª Companhia por Serpa Pinto (continuação)

(Por Abílio Hermenegildo)
(clica nas imagens para as aumentar) 

Distrito do Cuando Cubango
Em Agosto de 1973, não me recordo do dia, o nosso amigo Manuel Joaquim Relvas Ciríaco, resolve celebrar o seu aniversário com alguns dos seus amigos. O Vítor Rodrigues, o Leal, o Venâncio Sancha, o José Diniz e eu, fomos os 6 jantar ao Hotel Pérola do Sul, também conhecido pelo Hotel Tirso, acabando a noite na sala de bilhar ao lado do cinema Luiana.

Hotel Pérola do Sul

Jantar de aniversário do Ciríaco em Agosto de 1973 no restaurante do Hotel


Jantar de aniversário do Ciríaco em Agosto de 1973 no restaurante do Hotel


No início do mês de Setembro e, para estar com esta farda vestida só poderia ser num fim-de-semana e de folga, pronto para sair e almoçar fora do quartel como acontecia imensas vezes. Mas para fazer algum compasso de espera, para o toque para o almoço, eu e o Domingos Fernandes mais conhecido pelo “Mais Que A Mim” e para constar mais uma fotografia para a colecção, resolvemos jogar uma partida de damas mesmo à porta da nossa caserna.

Um jogo de damas enquanto não chegava a hora do almoço
Eu e o “Mais Que A Mim”

Não me recordo bem qual o percurso que foi feito para esta Acção Psicológica, sei apenas que se levou mais dias do que estava previsto e tudo isto por causa do “acidente” ou “atascamento” como diz o Facas que houve com a Berliet, quando regressávamos ao quartel. Tudo isto se passou logo no início da manhã e estávamos a contar ir já almoçar a Serpa Pinto, quando todos os planos saem furados. Eu seguia no Unimog 404, e é também mais uma das situações que aconteceram que jamais esquecerei, não me lembro dos nomes de alguns mas lembro-me bem como aconteceu isto. Para reforçar o que o Facas enviou para o Fórum em 26/04/2009 deixo aqui algumas imagens para recordar. Sei que houve várias ajudas para se tirar dali a Berliet até dum camião civil, pois não foi tarefa fácil.Mas conseguiu-se ao fim de 3 dias. Segundo as anotações que eu tenho, esta Acção Psicológica era para ser feita nos dias 23/09 e 24/09, mas com o imprevisto acabámos chegar a Serpa Pinto a 27/09/73.



Acção Psicológica
Por aqui se pode ver até que ponto a Berliet ficou enterrada

 


Acção Psicológica
Uma parte do grupo que compunha a “expedição”
1- ?? * 2 – ?? * 3 - Custódio Gomes Monteiro *
4 - Abílio Hermenegildo * 5 – Enfº. Gomes * 6 - Marafunha?


Acção Psicológica
Aqui estão os 11 magníficos que ficaram para “desenterrar” a viatura inicialmente
1- Tremidinho * 2 - ?? * 3 – Lázaro * 4 - Custódio Gomes Monteiro *
5 – Enfº. Gomes * 6 – “RÉGUA” Condutor da Berliet * 7 - ?? *
8 – ?? * 9 - Alberto Reis Lopes * 10 - A. Hermenegildo *
11- Manuel Alves Condutor Unimog 404


Acção Psicológica
Depois do susto passado, tentar comer qualquer coisa que restava da ração de combate. Por isso havia que poupar enquanto não chegassem os reforços alimentares, neste caso era uma lata de salada de fruta.



Entretanto em Outubro de 1973 fomos destacados para mais uma missão, desta vez para norte (??) de Serpa Pinto a fim de se dar protecção à engenharia que estava abrir novas estradas e inicialmente ficámos na Base Táctica do Cuebe e estávamos a uma centena de metros do rio. Não sei se a nascente era ali próximo ou se era algum dos afluentes, sei que era uma maravilha tomar banho naquela água fresca e cristalina.

BASE TÁCTICA NO CUEBE EM OUTUBRO DE 1973
Percurso do acampamento para o rio.
Ao fundo o rio onde tomávamos banho

Ao sair da mata tínhamos esta panorâmica com o rio Cuebe ao fundo


Trilho do acampamento para o rio.

A minha “Cubata”, foi ideia de alguém colocar à entrada da tenda “Cubata do Soba”.
Feito num pedaço de cartão duma ração de combate e escrito com um pau queimado da fogueira


Hora de descanso após o almoço e a pensar no que fazer para ajudar a passar o tempo

A tentar pregar uns botões do camuflado, sempre ajuda a passar o tempo


Entretanto, fomos rendidos por outro grupo de combate e regressámos a Serpa Pinto para carregar forças e ficarmos prontos para uma nova saída. Bem desta vez foi novamente para continuarmos a fazer protecção à engenharia e respectivas máquinas e o grupo foi destacado para a Base Táctica no Munhona em Novembro de 1973. Aqui já não tínhamos a nossa praia fluvial privada como no Cuebe, aqui éramos abastecidos por um tanque atrelado com uma cisterna e tinha-se que poupar água.

BASE TÁCTICA NO MUNHONA EM NOVEMBRO DE 1973

 
Uma parte do acampamento

Uma parte do acampamento.
Este que está comigo já estava no acampamento não me lembro dele na 3ª Companhia, será que pertencia há 1ª ou 2ª Companhia. Tenho ideia dele na minha recruta pois fazia parte da incorporação de Angola, a não ser que esteja enganado.

 
Eu e o Álvaro Quintã. O que está no centro não me recordo do nome



Um aspecto geral do acampamento



E assim passámos alguns dias nesta Base para depois regressarmos a Serpa Pinto e entretanto começarmos a preparar a malas e seguirmos para a Fazenda Tabi.
Assim terminava a missão da 3ª Companhia em Serpa Pinto, já corria o mês de Dezembro de 1973 e não me lembro do dia quando fomos de malas e bagagens de rumo à Fazenda Tabi, lembro-me que saímos muito cedo de Serpa Pinto em viaturas civis e chegamos no final da tarde depois de andarmos talvez dez horas fazendo cerca de 1.500 km.
DEZEMBRO DE 1973 
Viagem de Serpa Pinto para a Fazenda Tabi.


Uma pequena paragem para quem necessitasse de esticar as pernas e não só.

Aqui fizeram-me a partida de fotografar enquanto dormia.
 Não me recordo que ponte é esta que atravessamos. Alguém se lembra?
Será em Lifune ou é nos Libongos?




Distrito de Luanda


Trajecto Serpa Pinto - Fazenda Tabi
Penso que foi este o trajecto


Assim se passou um ano de guerra nas Terras do Fim do Mundo e termina a minha missão com o 4º grupo da 3ª Companhia por Serpa Pinto, numa excelente vivência e de boa camaradagem com todas as pessoas que compunham o Batalhão de  Caçadores 4611/72.
Para todos, aquele grande e forte abraço

Abílio  Hermenegildo


BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta