domingo, 10 de maio de 2009

Recordações de Angola - 17 (Serpa Pinto)

(Por Martins Correia e Luís Marques)


Com a publicação das fotografias que se seguem, encerramos o "ciclo Serpa Pinto" retirado do álbum de recordações do ex-capitão Luís Martins Correia, o primeiro comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72. São fotografias que documentam 0 primeiro Natal passado em terras angolanas, em Dezembro de 1972, e também a despedida de Luís Martins Correia, no aeroporto de Serpa Pinto.


O primeiro Natal passado em Angola
As quatro fotografias foram tiradas no Natal de 1972, em Serpa Pinto, no primeiro Natal passado longe da família



O Capitão Luís Martins Correia em frente à Secretaria da 3ª Companhia. De realçar o bonito jardim em frente do edifício e cuja execução foi coordenada pelo Constantino (salvo erro), que arranjou uns quantos "voluntários" para o ajudar.

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (um grupo da 3ª Companhia)

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (um Grupo da 1ª Companhia)

A despedida de Martins Correia de Serpa Pinto (Martins Correia, juntamente com o capitão Read, da 2ª Companhia, os Alferes Filipe e Valente, o capitão Teixeira e um tenente do Comando de Sector de Serpa Pinto)

Os Capitães Read e Esteves e um grupo de militares da 1ª Companhia

sábado, 9 de maio de 2009

Recordações de Angola - 16 (Fazenda Tabi)

(Por António Facas e Luís Marques)


Visita do General Joaquim da Luz Cunha, Comandante da Região Militar de Angola (RMA) e respectiva comitiva à 3º Companhia, na Fazenda Tabi e julgo que a todas as companhias do batalhão.
Como não podia deixar ser nestas ocasiões tudo foi limpo, “relimpo”, ensaiado e mais que ensaiado e até com vários ensaios gerais, como se faz no Teatro para que no dia da “estreia”, ou seja quando da visita, nada falhasse.
Não era excepção a Secção Auto, que estava situada num armazém da Fazenda, ao fundo, junto à fábrica do óleo (por coincidência foram as melhores instalações que a 3ª Companhia teve para funcionar a secção auto em toda a comissão). O espaço era amplo e era local onde se podia primar pela organização limpeza e arrumação. as viaturas. Estas, em contrapartida, eram autênticos chaços e, se me permitem, estavam uma merda, a caírem de podres. Fartámo-nos de trabalhar! Mas depois, que o digam os operacionais: quando faziam colunas com os “panhard’s”, os burros de mato “davam” 110 km/hora.





Quando chegámos à Fazenda Tabi, nenhum carro pegava com o motor de arranque. Daí a necessidade de usarmos guinchos e correntes para os pôr a andar


A parte dos combustíveis, não tinha qualquer condição de funcionalidade; era tudo manual o que não acontecia em Serpa Pinto (se bem me lembro era o ex soldado Deodato que fazia os abastecimentos e a recepção do combustível que nos eram fornecidos em bidões de 200 litros).
Fiz todos os possíveis para que tudo corresse bem, não podendo faltar nada que constasse das NEP´s (OS ESPECIALISTAS recordam-se como era?) porque sabia que os militares de carreira e outros se baseavam nas ditas para nos darem cabo da cabeça, “para eles eram autênticas bíblias”. Estava a oficina cheia de chassis de Unimog’s “411” (burros de mato) e um “404” os “maiores” que se encontravam em reparação.
A lavagem em chassis era feita na PRAIA com água salgada (depois no Tabi com água doce, claro). Aos fins de semana aproveitávamos para pescar. Alguém se lembra? Julgo que muitos de vocês se lembram.


O resultado de uma pescaria. O Tino (o peixe) o Lopes e o Facas



Os quatro magníficos: Carvalho, Facas, Fernandes e o emblemático Ramalho




A lavagem dos chasis das viaturas na praia, com água salgada, era um bom momento de descontracção. Depois, o embelezamento final da viatura era feito no quartel, com água doce

Tenho pena de não ter fotos do Unimog que tivemos dificuldade de tirar dentro de água devido à força das ondas e também pelo facto da maré estar a encher. Ainda pensámos em deixa-lo lá e voltar no dia seguinte quando a maré estivesse baixa. Ainda bem que não.

Mas voltemos à visita do General.
O pessoal, mecânicos e condutores, estavam impecáveis. As viaturas em reparação tinham as folhas de obra a indicar o serviço e efectuar e o já efectuado, materiais a aplicar e já aplicado, previsão de conclusão da obra, tipos de reparação por escalão (I – II - III), autorização de reparação etc., etc.
Chegou o General.
Depois do primeiro acto de apresentação e revista às tropas, o General perguntou-me: Nosso furriel qual a profissão que tinha, antes de entrar para o exército? já era mecânico? Eu respondi, não meu general era músico profissional. Diz o artista: Muito bem bem atribuída a especialidade do furriel ,porque o barulho da música está muito relacionado com o barulho dos motores. (gargalhada geral da comitiva). Resultado: levei, bem como o restante pessoal da “ferrugem ”um louvor no fim da comissão que nem vos digo nada. Só é pena que não se consiga perceber patavina do que está lá escrito...



A Secção Auto da 3ª Companhia

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Recordações de Angola - 15 (Serpa Pinto)

(Por Martins Correia e Luís Marques)

Em continuação do trabalho publicado no dia 1 de Maio de 2009, apresentamos agora um novo conjunto de fotografias pertencentes ao espólio do ex- comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72, Luís Martins Correia.
Estas fotografias, tal como aquelas anteriormente publicadas, dizem respeito ao primeiro período da 3ª Companhia, passado em Serpa Pinto.

Martins Correia no Quimbo que existia em Serpa Pinto (Quimbo este que já exibia um certo ordenamento)



Fotografia tirada no mesmo Quimbo de Serpa Pinto

Mulher e filha do Ex-capitão Luís Martins Correia no Quimbo mais antigo de Serpa Pinto (o Martins Correia só conheceu a sua filha, nesta altura)

As mesmas personagens no mesmo Quimbo, mas num local diferente

O Martins Correia no mesmo Quimbo

O Martins Correia , o ex-Alferes Figueira e um outro Alferes (provavelmente da 2ª Companhia), num jardim de Serpa Pinto


O rio que atravessa Serpa Pinto e onde os militares da 3ª Companhia se iam refrescar nos dias em que o calor apertava

O Martins Correia na Lagoa situada nos arredores de Serpa Pinto

O alojamento dos oficiais em Serpa Pinto (José Manuel Duarte, Luís Martins Correia e Filipe Silva)

Com a próxima publicação terminaremos o "ciclo Serpa Pinto" do álbum de recordações do Luís Martins Correia.

Recordações de Angola - 14 (Fazenda Tabi)

(Por António Facas e Luís Marques)




Aspecto da Fazenda Tabi

"Quando da passagem da 3ª Companhia de Caçadores do Batalhão 4611, pela Fazenda Tabi, existiram alguns episódios mais caricatos que gostaria de aqui recordar.
Quando da recepção e conferência do material auto, fui experimentar um jipe Will´s, dentro aquartelamento e quando me preparava passar por sobre uma pequena ponte por cima do riacho da água para a rega, devido ao péssimo estado da estrada em terra batida e também à podridão do chassis do jipe, partiu-se o suporte do olhal da mola da frente esquerda, ficando de imediato sem direcção e travões. Resultado; fui embater com a frente do jipe num pequeno muro que era a guarda da ponte, desfazendo a parte da frente jipe. Com o impacto espetei na perna direita a alavanca de velocidades que nem tinha aquela habitual esfera de alumínio de protecção. Acabei logo ali com a conferência do material. Andei durante algum tempo na enfermaria da companhia a tratar aquela ferida, que ainda hoje, quando muda o tempo, me faz recordar a situação vivida naquela época, com uma dorzinha que teimosamente aparece".





Terá sido este o tal jipe Will's que aleijou o António Facas? Não me parece, apesar do António Facas estar ali, pois este jipe pertencia à C.C.S.






Duas imagens do riacho de rega na Fazenda Tabi

sábado, 2 de maio de 2009

Recordações de Angola - 13 (3ª Companhia)

(Por Vítor Fernandes e Luís Marques)


Publicamos agora a segunda série de fotos que nos foram enviadas pelo Vítor Fernandes.
São fotos em que falta a adequada legenda. Mas certamente que o Vítor Fernandes não deixará de nos auxiliar na legendagem das situações retratadas e, nessa altura, as legendas irão para o devido lugar.



A história da 3ª Companhia por terras angolanas contada apenas numa foto

"Enquanto Lutamos Construímos"

Na Roça Lucola, em Cabinda

Outra foto do bivaque da 3ª Companhia no Lucola

Vejam bem a data desta nota de 20 escudos angolana: 24 de Novembro de 1972, o dia em que a 3ª Companhia pisou pela primeira vez terras angolana

O Vítor Fernandes

Cabinda - Roça Lucola

(Por Fernando Moreira e Luís Marques)

Estas são as últimas fotos recebidas do Fernando Moreira, as quais documentam o seu dia-a-dia na Roça Lucola no ano de 1974, durante a permanência da 3ª Companhia em Cabinda.
A quarta é uma foto sua tirada em 1975, depois da sua saída de Cabinda.







O Fernando Moreira treinando a progressão na mata, atento ao menor sinal de perigo

(ao fundo podem-se ver os viveiros de cacau)

O Fernando e o João . O Fernando achando que a guarda do Roça Lucola proporcionada pela 3ª Companhia não era suficiente tratou de se oferecer como miliciano

(ao fundo a Baía de Cabinda)

O Chico (Houdini), mascote do Fernando (mereceu esta alcunha por ser um perito em evasões. Há também quem ache que ele era um grande "porcalhão", mas se calhar são "macaquices")

O Fernando Moreira em 1975, já depois de ter deixado a Roça Lucola

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uma noite inesquecível em M´pupa

(Por António Facas e Luís Marques)






Do António Facas recebemos o relato de uma passagem por ele vivida numa visita que fez à sede de Batalhão de Caçadores 4611/1972, em M´pupa, nos confins do Cuando Cubango.
É o relato de umas das muitas peripécias que por vezes nos sucederam durante os dois anos vividos em terras angolanas. É claro que para o interveniente principal, só agora tem piada e gosto em recordar. Mas vamos ler o que o António Facas nos tem para contar:

" Este dia noite em M´Pupa foi qualquer coisa de espectacular.
Havia indicação para descarregar os carros que nos transportavam e a todos os mantimentos que julgo serem para durar 3 meses.
Como esta indicação não tinha muito sentido, depois da viagem de Serpa Pinto para M´Pupa ter que descarregar 6 camiões e voltar a carregá-los na outra margem para no outro dia de madrugada arrancar. Ia-se sacrificar muita gente ( a intenção era mesmo essa, hoje percebo). Então resolvi contrariar a indicação e passar os camiões carregados para a outra margem.
Como o peso dos camiões e a carga eram superior ao poder de flutuação da jangada e a força de braços era insuficiente,tivemos que empurrar a jangada com uns toros de madeira que serviam de rampa para os camiões subirem para a jangada até esta ter fundo suficiente para começar a flutuar.
Foram horas horríveis e de muita concentração ao milímetro. não sei se vocês recordam este dia ? Mas haverá gente e muita que se recordará
No fim de tudo isto e após termos passado os camiões fui ter com o Major Moreira, 2º Comandante do Batalhão, transmitir que o trabalho estava feito, julgando eu que até levava uma pancadinha nas costas.
Aconteceu precisamente o contrário; ia era levando uma "porrada" porque , vim a saber, já tinham caído carro(s) da jangada para o rio e perderam-se armas e mantimentos.
Enfim uma das muitas passagens como certamente todos nós temos".



A malta a puxar a jangada à força de braços



A "jangada" de M´pupa que esteve na origem da história que nos é contada pelo António Facas

Eu, pessoalmente, não presenciei este acontecimento, pois estava, na altura, no destacamento do Calai (fronteira com o sudoeste africano), mas recordo-me muito bem de a ouvir contar aos meus camaradas da C.C.S, que na altura estavam em M´pupa. Vocês recordam-se?

São histórias e passagens com esta que convidamos todos vocês a recordar e a partilhar connosco. Ficamos à espera.

Recordações de Angola - Serpa Pinto

(Por Martins Correia e Luís Marques)

O Capitão Miliciano Luís Martins Correia comandou a 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/1972 nos primeiros tempos da comissão em Serpa Pinto.

Não obstante o curto tempo vivido junto da sua Companhia, permaneceu uma admirável ligação aos homens que comandou, ligação essa que ainda hoje se destaca, 36 anos decorridos.
São dele as fotografias que se seguem neste trabalho, por ele próprio legendadas.

Serpa Pinto (actualmente Menongue) é a capital do Cuando Cubango, ou "Terras do Fim do Mundo", uma das terras que mais recordações deixou em nós todos, durante a nossa comissão em Angola. Não era fácil esquecer aquele perfume inebriante, aquele pôr do sol fantástico, as grandes trovoadas da época das chuvas, que, por vezes, duravam dias, numa frase, a magia das terras angolanas.
Obrigado, Luís Martins Correia pela partilha das tuas memórias.
(outros trabalhos com base nas suas fotos se seguirão em breve...)

Algures entre Luanda e Serpa Pinto. Nesta fotografia estão o Duarte, eu, o Constantino, o Gentil Homem, o Alferes Rodrigues e o Filipe.

Meandros dos rios no Cuando Cubango

Meandros dos rios no Cuando Cubango, que vão alimentar o Delta do Caprivi, no Botswana, centenas de quilómetros mais a sul

Palácio do Governador em Serpa Pinto

Estrada para Serpa Pinto, vinda de Nova Lisboa

Vista aérea de Serpa Pinto

Vista de Serpa Pinto (de notar que esta foto é a montagem de duas)

Outra vista aérea de Serpa Pinto (Quimbo à saída da cidade, onde é possível apreciar um certo ordenamento)

Quimbo que existia em Serpa Pinto

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta