Já há algum tempo que ando para desenvolver um texto que me chegou há já bastante tempo num e-mail e que por falta de tempo não lhe pude dar a devida atenção.
Faço-o agora e mais não é que o testemunho de uma amizade que foi criada em Serpa Pinto entre dois camaradas de Batalhões diferentes mas que o destino irmanou para todo o sempre.
Já aqui escrevi que a família é a que temos, os amigos são os que escolhemos e este é o testemunho de uma bela escolha… apenas um exemplo de alguns outros que tenho observado.
Desde o primeiro momento em que retornei ao vosso convívio que ouvia falar no Leal, que não sendo do 4611/72 é um ponto de cruzamento entre muitas histórias vossas e Serpa Pinto. O tempo passou e este cruzamento mantêm-se pelo que vou dar a palavra ao Delca Facas pois é dele a descrição inicial:
O Facas, o Arlindo Silva e o Leal, na Feira de Exposições de Serpa Pinto, no dia 22 de Setembro de 1973
“Devem-se recordar do dia 29 de Novembro de 2008, do almoço convívio da 3ª.Comp. em Miranda do Corvo, organizado pelo Amigo Leal e projectado no almoço em São Brás de Alportel, em casa do Amigo Moita, no qual tive o prazer de estar presente.
Em S.Brás, a 26 de Abril, "convenci" o Amigo Leal que tinha vindo sózinho de Coimbra a Faro no InterCidades, a organizar o evento anual para o dia acima referido.
Não podia imaginar o que me viria a acontecer e que me iria impedir de estar presente e com todos vocês nesse magnifico e indescritível dia .
Como não podia deixar de ser o Amigo Leal conhecedor do que me tinha acontecido, logo a 8 de Dezembro, relatou-me de uma forma tão exemplar, excepcional e AMIGA esse encontro que quase pude imaginar, ao ler essas belas e extraordinárias palavras, ter vivido convosco mais esse extraordinário dia.”
O Facas e o Leal no Convívio de Abrantes, Novembro de 2009
Passemos agora às palavras que o Leal dirigiu ao Amigo Facas;
“Era o dia 29 de Novembro de 2008. Tinha-se anunciado para Miranda do Corvo, um grande acontecimento de ordem social – nem mais do que o encontro anual de ex-militares do Bat. de Caç. 4611 que estiveram em terras de Angola entre 1972 e 1974.
O dia amanheceu frio e chuvoso. Estava previsto ter início um roteiro turístico, a partir do Largo da C. Municipal, tendo como meio de transporte, um autocarro de 27 lugares cedido para o efeito pela própria C. Municipal. E à hora marcada, o autocarro apareceu conduzido pelo motorista Carlos Amaral.
Pelas 11:00, o percurso turístico era iniciado, com a travessia da vila, rumo ao parque eólico. O cicerone de serviço ia comentando o que era dado ver ao longo do caminho – as escolas, os semáforos, denotando com isso, algum progresso (!), a povoação da Godinhela, tendo como habitante principal, a bruxa que tem levado o nome de Miranda por esse país fora…
Em pouco tempo, chegávamos ao primeiro ponto de paragem – o parque eólico de Vila Nova, localizado em plena Serra da Lousã, a cerca de 700 m de altitude.
A neve do parque eólico de Vila Nova, Serra da Lousã
Aqui chegados, os nossos “turistas” recebem a primeira prenda, a neve (“branca e leve, branca e pura”, como disse em tempos o nosso “amigo” Augusto Gil). E … fica apenas o motorista dentro da viatura. Algumas brincadeiras têm lugar, mas poucas, pois a idade apenas permite compostura!... NÃO!!
Com o autocarro impedido de continuar viagem, na direcção ascendente, o motorista decide fazer marcha-atrás pela via em que vinha, procurando apanhar a direcção duma outra via paralela à primeira, mas com menor altitude, procurando desta maneira apanhar novamente os passageiros num ponto onde fosse possível, sem haver contratempos derivados da neve. Tal foi possível depois de algum tempo de marchas-atrás e à frente do autocarro e de percursos feitos a pé pelos turistas do dia. Isto deu azo a expressões deste jaez: “ainda bem que isto aconteceu! Adoro este tipo de coisas! Quando tudo corre certinho, não tem piada nenhuma!” Este contratempo em plena serra da Lousã, além daqueles comentários, deu ainda azo a muitas fotos tiradas, tendo como pano de fundo a neve, e deu azo ainda a algo inédito na vida da quase totalidade dos presentes – ver nevar! Sim, nevou directamente do céu para todos nós.
Os convivas em Miranda do Corvo
Depois de todas estas peripécias, somos transportados até à C. Municipal, onde nos esperava a Srª. Presidente da C. Municipal, para, depois duma grande palestra sobre a história, o turismo e gastronomia do Concelho, oferecer alguns brindes. A meio da “conversa” dela, o cicerone dos turistas do dia foi interrompido por um telemóvel de alguém que muito gostaria de estar presente, mas que a convalescença de um problema de saúde, impedia de tal.
Na Câmara Municipal de Miranda do Corvo
O passo seguinte era o almoço no Convento de Semide. Antes, porém, esperava-nos um concerto pelo Coro da Casa do Povo.
Enfim, muitas prendas para o mesmo dia!
Dia com muitas palavras que soube bem ouvir: “Isto estava tudo muito bem organizado”; “este é o encontro que fica para marcar!”; “o almoço estava melhor do que se fosse num restaurante!”
E pronto! Chega de palavras bonitas, embora saiba bem ouvi-las! Não é por nada, mas o que eu fiz, qualquer um pode fazer, não é preciso ter nenhum curso superior! Melhor dizendo, eu fiz aquilo que entendi que se devia fazer. Ainda ouvi de alguém fora do nosso grupo – “mas não era suposto que as coisas corressem dessa maneira?!”
Mas, para além de tudo isto, gostaria de ouvir e de confirmar o seguinte:
"O Facas está completamente recuperado!” / “O Silvinha não tem doença nenhuma e pode muito bem ir onde entender!”
Livrem-se de ficar em casa no próximo ano!
Um grande ABRAÇÃO para vocês do AMIGO
JMLeal”
Meus amigos, gostaria de poder acrescentar algo mais mas creio que estes dois camaradas resumiram entre eles o que deve ser uma boa amizade; a lealdade, o companheirismo, o acompanhamento, a preocupação, a gargalhada de um bom momento, a palavra amiga e o ombro solidário nos maus momentos,… através dos tempos.
Este deve ser o nosso caminho, sem deixarmos ninguém para trás… pois todos fazem falta!!
1 Abc a todos.




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