quarta-feira, 3 de março de 2010

Era o dia 29 de Novembro de 2008 – Ou uma história de Amizade

(por Fernando Moreira)

Já há algum tempo que ando para desenvolver um texto que me chegou há já bastante tempo num e-mail e que por falta de tempo não lhe pude dar a devida atenção.

Faço-o agora e mais não é que o testemunho de uma amizade que foi criada em Serpa Pinto entre dois camaradas de Batalhões diferentes mas que o destino irmanou para todo o sempre.
Já aqui escrevi que a família é a que temos, os amigos são os que escolhemos e este é o testemunho de uma bela escolha… apenas um exemplo de alguns outros que tenho observado.
Desde o primeiro momento em que retornei ao vosso convívio que ouvia falar no Leal, que não sendo do 4611/72 é um ponto de cruzamento entre muitas histórias vossas e Serpa Pinto. O tempo passou e este cruzamento mantêm-se pelo que vou dar a palavra ao Delca Facas pois é dele a descrição inicial:

O Facas, o Arlindo Silva e o Leal, na Feira de Exposições de Serpa Pinto, no dia 22 de Setembro de 1973
Devem-se recordar do dia 29 de Novembro de 2008, do almoço convívio da 3ª.Comp. em Miranda do Corvo, organizado pelo Amigo Leal e projectado no almoço em São Brás de Alportel, em casa do Amigo Moita, no qual tive o prazer de estar presente.
Em S.Brás, a 26 de Abril, "convenci" o Amigo Leal que tinha vindo sózinho de Coimbra a Faro no InterCidades, a organizar o evento anual para o dia acima referido.
Não podia imaginar o que me viria a acontecer e que me iria impedir de estar presente e com todos vocês nesse magnifico e indescritível dia .
Como não podia deixar de ser o Amigo Leal conhecedor do que me tinha acontecido, logo a 8 de Dezembro, relatou-me de uma forma tão exemplar, excepcional e AMIGA esse encontro que quase pude imaginar, ao ler essas belas e extraordinárias palavras, ter vivido convosco mais esse extraordinário dia.”

O Facas e o Leal no Convívio de Abrantes, Novembro de 2009
 Passemos agora às palavras que o Leal dirigiu ao Amigo Facas;

“Era o dia 29 de Novembro de 2008. Tinha-se anunciado para Miranda do Corvo, um grande acontecimento de ordem social – nem mais do que o encontro anual de ex-militares do Bat. de Caç. 4611 que estiveram em terras de Angola entre 1972 e 1974.
O dia amanheceu frio e chuvoso. Estava previsto ter início um roteiro turístico, a partir do Largo da C. Municipal, tendo como meio de transporte, um autocarro de 27 lugares cedido para o efeito pela própria C. Municipal. E à hora marcada, o autocarro apareceu conduzido pelo motorista Carlos Amaral.
Pelas 11:00, o percurso turístico era iniciado, com a travessia da vila, rumo ao parque eólico. O cicerone de serviço ia comentando o que era dado ver ao longo do caminho – as escolas, os semáforos, denotando com isso, algum progresso (!), a povoação da Godinhela, tendo como habitante principal, a bruxa que tem levado o nome de Miranda por esse país fora…
Em pouco tempo, chegávamos ao primeiro ponto de paragem – o parque eólico de Vila Nova, localizado em plena Serra da Lousã, a cerca de 700 m de altitude.

A neve do parque eólico de Vila Nova, Serra da Lousã

Aqui chegados, os nossos “turistas” recebem a primeira prenda, a neve (“branca e leve, branca e pura”, como disse em tempos o nosso “amigo” Augusto Gil). E … fica apenas o motorista dentro da viatura. Algumas brincadeiras têm lugar, mas poucas, pois a idade apenas permite compostura!... NÃO!!
Com o autocarro impedido de continuar viagem, na direcção ascendente, o motorista decide fazer marcha-atrás pela via em que vinha, procurando apanhar a direcção duma outra via paralela à primeira, mas com menor altitude, procurando desta maneira apanhar novamente os passageiros num ponto onde fosse possível, sem haver contratempos derivados da neve. Tal foi possível depois de algum tempo de marchas-atrás e à frente do autocarro e de percursos feitos a pé pelos turistas do dia. Isto deu azo a expressões deste jaez: “ainda bem que isto aconteceu! Adoro este tipo de coisas! Quando tudo corre certinho, não tem piada nenhuma!” Este contratempo em plena serra da Lousã, além daqueles comentários, deu ainda azo a muitas fotos tiradas, tendo como pano de fundo a neve, e deu azo ainda a algo inédito na vida da quase totalidade dos presentes – ver nevar! Sim, nevou directamente do céu para todos nós.

Os convivas em Miranda do Corvo

Depois de todas estas peripécias, somos transportados até à C. Municipal, onde nos esperava a Srª. Presidente da C. Municipal, para, depois duma grande palestra sobre a história, o turismo e gastronomia do Concelho, oferecer alguns brindes. A meio da “conversa” dela, o cicerone dos turistas do dia foi interrompido por um telemóvel de alguém que muito gostaria de estar presente, mas que a convalescença de um problema de saúde, impedia de tal.

Na Câmara Municipal de Miranda do Corvo

O passo seguinte era o almoço no Convento de Semide. Antes, porém, esperava-nos um concerto pelo Coro da Casa do Povo.
Enfim, muitas prendas para o mesmo dia!
Dia com muitas palavras que soube bem ouvir: “Isto estava tudo muito bem organizado”; “este é o encontro que fica para marcar!”; “o almoço estava melhor do que se fosse num restaurante!”
E pronto! Chega de palavras bonitas, embora saiba bem ouvi-las! Não é por nada, mas o que eu fiz, qualquer um pode fazer, não é preciso ter nenhum curso superior! Melhor dizendo, eu fiz aquilo que entendi que se devia fazer. Ainda ouvi de alguém fora do nosso grupo – “mas não era suposto que as coisas corressem dessa maneira?!”
Mas, para além de tudo isto, gostaria de ouvir e de confirmar o seguinte:
"O Facas está completamente recuperado!” / “O Silvinha não tem doença nenhuma e pode muito bem ir onde entender!”
Livrem-se de ficar em casa no próximo ano!
Um grande ABRAÇÃO para vocês do AMIGO
JMLeal”



Meus amigos, gostaria de poder acrescentar algo mais mas creio que estes dois camaradas resumiram entre eles o que deve ser uma boa amizade; a lealdade, o companheirismo, o acompanhamento, a preocupação, a gargalhada de um bom momento, a palavra amiga e o ombro solidário nos maus momentos,… através dos tempos.
Este deve ser o nosso caminho, sem deixarmos ninguém para trás… pois todos fazem falta!!

1 Abc a todos.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A 3ª Companhia no Cuando Cubango

(Por Abílio Hermenegildo)

Há dias encontrei uns mapas na Net dos distritos por onde andou o Batalhão de Caçadores 4611/72. Como achei interessante e está muito detalhado não quero deixar de partilhá-lo. O que está inserido nos mapas não foi nada feito por mim pois tudo que lá está já existia. Como introdução a este trabalho,  fica aqui o mapa do o Distrito do Cuando Cubango.

(nota: clica nas fotos para as aumentar)


Distrito do Cuando Cubango, Angola
Quartel em Serpa Pinto dia 7 de Janeiro de 1973. 

Se não me engano esta foi a primeira saída do 4º grupo de combata após a chegada a Serpa Pinto.
Para testar a bravura destes combatentes, foi logo para uma operação em Vila Nova da Armada onde estava o aquartelamento dos fuzileiros. Nesta altura penso que estava lá a companhia nº 3 de fuzileiros da armada portuguesa. Nesta operação também foi o 1º grupo. As fotos foram tiradas às 6 horas da manhã, a porta que se vê é a entrada para a arrecadação de material de guerra e aquartelamento onde estavam o Ciríaco, o Sancha e o Melo.

Partida no dia 7 de Janeiro de 1973 para Vila Nova da Armada

No mesmo dia, eu e o Rodrigues

Vista aérea de Vila Nova da Armada

Vista geral de Vila Nova da Armada

Após a operação em Vila Nova da Armada, regressámos a Serpa Pinto no dia 19 de Janeiro de 1973, pelo meio-dia,  e a seguir a um excelente banho já estava pronto para ir almoçar ao restaurante.


Regesso a Serpa Pinto no dia 19 de Janeiro de 1973

Partida do Quartel de Serpa Pinto para o primeiro M.V.L., em 2 de Fevereiro de 1973.
Percurso:  Serpa Pinto, Longa, Cuito Canavale, Mavinga, Nriquinha e Rivungo, cerca de 19 dias, ida e volta

Quartel em Serpa Pinto, 2 de Fevereiro de 1973
O Eduardo Pinto a acender-me o cigarro

Dias  7, 8 9 e 10 de Março de 1973.

Mais uma operação do 4º grupo em conjunto com o 1º grupo.


7 de Março de 1973 - Foto tirada ao fim da tarde do primeiro dia da operação
Um curto descanso para depois nos aproximarmos da mata para pernoitar

8 de Março de 1973 - Foto tirada durante a manhã.
Mais uma chana que levou um dia a atravessar

8 de Março de 1973 - Mais uma paragem para abastecimento de água numa lagoa
Tínhamos de percorrer esta chana até chegarmos onde se avista a mata mais cerrada, quase na linha do horizonte, para depois pernoitar

10 de Março de 1973 - Enfermeiro Gomes e eu
Quando era possível durante a operação procurava-se locais mais abrigados como este para almoçar ou descansar. O mesmo acontecia para pernoitar. Aqui mais satisfeitos porque estávamos prestes a ser recolhidos para regressar.



Quartel em Serpa Pinto, fins de Março de 1973
Ao lado da Secretaria da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72

Num determinado fim-de-semana em Maio de 1973 fomos (eu o Almeida e o Leal) fazer um piquenique. No saco como não podia deixar de ser algo para se comer e beber, devo dizer que foi um dia bem passado
Maio de 1973 - o Almeida e eu (o Leal a tirar a foto)

Maio de 1973
Já a tomarmos uma bela banhoca no rio
(da esqª para a dtª: Almeida, Leal e A. Hermenegildo)

Quartel em Serpa Pinto
Da esqª para a Dtª: Dinis, Leal e Valongo (Valongo. era assim que o tratávamos por ser desta zona)
Eu fui o fotógrafo

Esta é a 1ª série de fotos e de algumas passagens que guardo com recordação durante a minha vivência com a 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/1972. Outras seguirão em breve, continuação de Serpa Pinto, depois da Fazenda Tabi e por fim em Cabinda.

Um grande abraço para todos
A. Hermenegildo


P.s. Há dias estive a falar ao telefone com o ex-cabo Joaquim Ribeiro Pinheiro, que era do 1º Grupo. Ele pediu-me que transmitisse um grande abraço para todos, pois não tem tnternet e não pode visitar o blogue. Vive a 7 Kms de Braga, na estrada que vai para o Gerês ou Vila Verde. Foi há tempos operado ao colo di fémur e vai ter de ser novamente operado à mesma coisa, mas na outra perna.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A VERDADEIRA ESTÓRIA.......A BOMBA

(Por Jorge Correia)
Parte I - 1º Ano em Serpa Pinto
Campo Militar de Santa Margarida, 25 de Novembro de 1972

Entrada do Campo Militar de Santa Margarida


 A igreja da base Militar de Santa Margarida, que ficava no final da extensa avenida

O pessoal da 3ª companhia do Batalhão de Caçadores 4611, parte em autocarro, para o aeroporto de Figo Maduro a fim de embarcar com destino a Angola para uma comissão de serviço.
Durante o percurso o pessoal segue em silêncio, circunspecto, já não mais é possível disfarçar aquilo que nos vai na alma, a apreensão pela nossa nova realidade, afinal de contas não era para menos, íamos apenas e só para a GUERRA !!!
O que até aqui, com alguma imaginação se poderia considerar estarmos num estágio, onde fazíamos exercícios físicos e praticávamos técnicas de tiro e outras, com acampamentos no campo de vez em quando, indo ao fim de semana ver a família, tinha chegado ao fim, agora era a sério.
Chegados ao aeroporto, mais uma prova de fogo, o convívio com a família, as despedidas inevitavelmente emocionais, comoventes, a contenção de ambas as partes para preservar o psíquico que se pretendia estável.

Aeroporto militar de Figo Maduro em Lisboa

Éramos jovens, muito jovens mesmo, apesar de tudo encarávamos o futuro com confiança e com a força de sentirmos que constituiríamos uma família dali para a frente, enfrentámos o desafio que o destino nos oferecia.
Imagem de Luanda em 1972

Chegados a Luanda, ainda no avião, sente-se o cheiro forte da terra vermelha, uma realidade diferente, nova, que nos predispõe para a descoberta. E é isso mesmo que vamos fazer!
Imagem do Grafanil, em Luanda

Vamos ao Grafanil levar o pessoal e partimos para Luanda, dispostos a conhecer a cidade, visitamos e frequentamos cafés, bares, boites, clubes nocturnos mais ou menos afamados, a menina Alice, a Barracuda, a Ilha, comemos o delicioso camarão de Angola, iniciamos enfim uma maratona de grande solidariedade e comunhão entre todos.
Passada uma semana, partimos em comboio automóvel (Berliet´s) para Serpa Pinto, cidade onde ficaríamos durante um ano. Estávamos animados, iríamos ficar estacionados numa cidade, não conhecíamos, mas não importava, era uma cidade, teria certamente algum tipo de estruturas que nos ajudaria a passar o tempo da melhor forma possível.
Realmente assim aconteceu, Serpa Pinto agradou-nos muito, lembro que assim que chegámos assistimos a certa e normal (penso eu) desorganização, ou seria a desorganização, organizada ? não sei mas também não interessa nada. O que sei, é que no primeiro dia, devido ao atrasado da hora e à tal desorganização, eu o Figueira e o Moita dirigimo-nos ao melhor Hotel da cidade (era novo) e pernoitámos nele com a intenção de no dia seguinte então sim, com mais calma vermos onde nos iríamos instalar. Claro que o Figueira tinha o destino traçado, lá teria que ir para a messe dos oficiais aturar os chatos militarões do Capitão, do Major e do Tenente-Coronel, o top 3 do nosso Batalhão, dignos mandatários do regime fascista.


Imagem de Serpa Pinto

Eu e o Moita temos entretanto conhecimento que além da messe de sargentos existe um Clube, um Clube de Sargentos, onde não há sargentos, só furriéis milicianos,...ora cá está...pensamos nós...é mesmo aí que nós vamos ficar, longe dos Sorjas. Uma beleza, um edifício de dois andares (ou três?), soberbo, com um bar no primeiro piso e quartos de dois a três camas, com faxineiro, um luxo, com vista para o rio e na mesma avenida onde também residia mais à frente o Brigadeiro, comandante de sector.
O Clube de Sargentos em Serpa Pinto
Começámos imediatamente a nossa vida social, no dia seguinte vamos ao cinema, o cinema Luiana e penso que nessa mesma noite temos conhecimento que daí a dois dias vamos alinhar num MVL o 1º grupo era o primeiro a alinhar, mas nós até preferíamos assim. Lembro-me que foi connosco um Alferes chefe da secção Auto do comando de sector. Nesse primeiro MVL os carros e os condutores foram do comando de sector, pois os nossos ainda não estavam operacionais. O enfermeiro que alinhou foi o Salgado, lembro-me que fomos durante algum do percurso na mesma Berliet e para descomprimir ele foi-me contando um pouco da sua vida até ali,...fiquei a saber que já era casado e era vendedor de automóveis.

Imagem do Aquartelamento do Rivungo, no Cuando Cubango

Reabastecimento por um Dakota no Destacamento do Luiana

Resumindo, não estarei longe da verdade se disser que nesse ano que passámos em Serpa Pinto, fiz uns 4 MVL para o Rivungo, passando por Cuito Cuanalave, Mavinga, Dima, N´rriquinha e Rivungo, 1 para o Calai, 3 operações, além de 3 meses no destacamento do Luiana. Foi um ano e tanto! Na cidade desfrutávamos de todas as condições para recuperar destas aventuras. Almoçávamos normalmente em restaurantes, íamos ao cinema e ás sextas-feiras era sagrado, era dia da chegada do comboio que vinha de MOÇÂMEDES que trazia o afamado caranguejo do mesmo nome que normalmente acabava na mesma noite. Na última noite em Serpa Pinto, nesse bar do caranguejo, estava com Vidigal, Fernandes e Lopes e mais dois furriéis do comando de sector. Noutra mesa o sargento do Dima com uma miúda que conhecíamos em Serpa Pinto,....não me lembro muito bem qual foi a causa, só sei que o gajo, o Sorja do Dima sem se me dirigir, disse ao Vidigal que me ia dar uma porrada e que estaria presente no dia seguinte na nossa partida. Só sei que nessa noite com o Moita e com o Girão fomos dormir ao Hotel, de manhã fomos para o Quartel para seguirmos para o Tabi, novamente em comboio automóvel haá.......e o Sorja afinal não apareceu na nossa despedida !!!!!
EM BREVE A PARTE II - 2º ANO: 3 meses no Tabi - 5 em Cabinda e 3 em Luanda
NUM BLOGUE PERTO DE SI !

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Do Grafanil em Novembro de 1974 até hoje

(Por Abílio Hermenegildo)

Do Grafanil em Novembro de 1974 até hoje.

Saída do Grafanil no dia 8 de Novembro (que me corrijam se estiver enganado) juntamente com todos os outros que faziam parte do grupo de mesclagem.


Saída de Cabinda
(No dia 05/11/1974 às 16 horas estava neste batelão, encontro-me ao fundo de óculos escuros por trás de mim um rebocador que possivelmente seria o que levou o batelão até àfragata. Aqui o momento já era de bastante alegria por estar já mais perto da chegada a casa, mas por outro lado com alguma tristeza por deixar alguns amigos e amigas em Cabinda que nunca mais voltei a ver, a não ser umas moças  que reencontrei ao fim de 25 anos aqui em Angra do Heroísmo)


Seguimos em Berliet’s para Sá da Bandeira acompanhados, se a memória não me falha, pelo alferes Figueira e por dois furriéis, o Jorge Correia e Gomes. Depois duma longa viagem de 600 km, chegámos a Nova Lisboa à noite onde pernoitámos.
No dia seguinte, bem cedo, seguimos para Sá da Bandeira, mais 415 km andar debaixo dum intenso calor. Aqui chegámos ao início da tarde e acabámos (eu, o Leal e o Almeida) por ir almoçar numa tasquita ali próximo do quartel.
Lembro-me bem que o quartel estava deserto porque era um sábado (pela data do documento de passagem à disponibilidade devíamos ter chegado no dia 09/11/1974) e houve uma certa dificuldade para entregar o grupo ao oficial de dia, mas tudo se resolveu.
Depois das formalidades de entrega do grupo, fomos tratar do espólio do material e só no dia 11 de Novembro é que se começou a tratar dos papeis da passagem finalmente à disponibilidade.
A partir do momento que ficámos por nossa conta, foi uma correria pois andávamos todos eufóricos com a passagem à “peluda”.
Depois de cumpridas as formalidade do “adeus à tropa” em Sá da Bandeira no dia 14 de Novembro de 1974 (ainda tenho o documento religiosamente guardado que foi emitido no Batalhão de Caçadores que pertencia ao R. I. 22), regressei ao Lobito juntamente com o Leal.



(Como podem verificar o documento está também a ficar muito velhinho)



Quando se iniciaram os desentendimentos entre os movimentos de libertação MPLA – FNLA – UNITA (a partir talvez de Março de 1975) em várias zonas de Angola, incluindo o Lobito, começou então o êxodo, diria que quase maciço da população, e foi nessa altura que perdi o contacto do Leal. Ainda permaneci no Lobito até Outubro de 1975, pois sempre fiquei confiante que tudo acabasse em bem.
Mas a situação no Lobito estava a piorar assim como em quase toda a Angola e precisamente a 9 de Outubro quando embarquei juntamente com algumas dezenas de pessoas num pequeno barco de transporte de gado que saiu do Lobito ás 19horas para Luanda, numa viagem que durou quase 36 horas, visto que naquela altura era o único transporte disponível sem estar muito sob controle dos movimentos de libertação que dominavam a situação militar.
Chegado a Luanda, estava já combinado com pessoas amigas que foram ao porto de Luanda na calada da noite buscar-me e seguir escondido para o aeroporto de Luanda.
Aí fiquei cerca de 3 dias até conseguirem que fosse num voo da ponte aérea da TAP existente na altura.
Chegado a Lisboa talvez a 15 de Outubro de 1975 e até Novembro de 1979 vivi em Lisboa onde trabalhei num laboratório de engenharia civil na construção da auto-estrada Vila Franca de Xira/Aveiras de Cima. Durante este período que estive em Lisboa, logo no início de ter vindo de Angola, não sei como aconteceu, encontrei-me com o Gentil o Salgado e o Luís Silva (o Gentil deve-se lembrar em que sítio nos encontrámos e em que café).
A partir de 20 de Novembro de 1979 vim para os Açores pela Tecnovia para a fiscalização da construção dos aeroportos das Ilhas Graciosa S. Jorge e Pico assim como a ampliação da marina da Horta na Ilha do Faial. Mas em Junho de 1980 fui convidado para fazer parte do quadro técnico do Laboratório da Secretaria Regional do Equipamento Social na altura.
Em 1982, devido ao sismo de 1980 consegui vir para a Ilha Terceira para a cidade de Angra do Heroísmo, para montar um laboratório para a fiscalização da reconstrução e aqui fiquei a residir e a trabalhar. Entretanto casei.
Mais tarde acabei por sair e deixar de trabalhar no Laboratório de Engenharia Civil, porque concorri para a banca. A partir do dia 1 de Fevereiro de 1983 comecei a trabalhar na Caixa Geral de Depósitos onde permaneci até 30 de Dezembro de 2008 e a 31 de Dezembro passei novamente à “peluda” (risos). É verdade, 31 de Dezembro de 2008 foi o meu 1º dia de reformado. Tudo isto aconteceu porque fizeram uma sondagem para quem estaria interessado em antecipar a reforma. Nada tendo a perder, antes pelo contrário, reformei-me mais cedo 3 anos do que estava previsto. Aliás, estava mesmo a precisar de descansar um pouco, pois já andava bastante cansado e esgotado com imensos objectivos para cumprir e estava a ser uma tarefa muito difícil de realizar ultimamente.
E foi isto o que se passou desde a altura que vos deixei no Grafanil até hoje, muito resumidamente, apesar de estar a ficar já uma história muito longa.


Foto do 4º Grupo de Combate da 3ª Companhia, na Roça Lucola, em Cabinda
Um forte abraço para todos

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Recordações de Angola - 22

(Por Luís Marques)

Nos últimos tempos têm rareado as publicações do Fórum 4611 no que respeita à C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72.
Não creio que se tenha “esvaziado o balão” que anteriormente alimentava o blogue com relatos de acontecimentos passados e que eram bem ilustrados com fotos confiadas por amigos.
Acontece simplesmente que não têm chegado até nós novos relatos de acontecimentos passados ou actuais escritos na primeira pessoa pelos respectivos intervenientes. O mesmo se diga de fotos que possam enriquecer o nosso “álbum de recordações”, tudo isto apesar das várias promessas que nos são feitas.
Ao passar os olhos pelas fotografias que no passado me foram entregues para publicação no blogue, deparei com algumas que ainda não foram exibidas.
Estavam elas à espera de ilustrar uma boa história, que nunca chegou a ser contada...
Não sei se a tal “boa história” chegará a ser relatada algum dia. Ainda espero (esperamos) por ela.
De qualquer maneira, entendo que, enquanto não são escritas mais narrações sobre a vivência do antigos militares da C.C.S., que algumas dessas fotografias devem ser já publicadas, pois fazem parte da nossa memória colectiva. Antes que nós nos esqueçamos de vez dos nomes de quem nelas figura.
No caso das fotografias que hoje publicamos, elas foram-me entregues pelo José Vasconcelos, antigo furriel da C.C.S. e representam cenas do nosso quotidiano, ocorridas um pouco por toda Angola (cenas passadas no Calai, em M’pupa, Cabinda e por outras terras angolanas.
Faço desde já um convite aos meus caros amigos: não consegui identificar alguns dos nossos antigos camaradas que estão em algumas fotografias, pois os 35 anos que passaram fizeram-me esquecer os nomes, que não as pessoas. Peço-vos que me ajudem a identificar os que faltam, para assim o trabalho ficar completo.


Uma equipa de futebol do Pelotão de Reconhecimento e Informações, antes de um renhido jogo, em M'pupa. Agachados estão  o  ?, Victor, Pereira e Vasconcelos. Em pé estão o ?, ?, Sousa, Gouveia e eu


Esta fotografia foi obtida antes de um jogo disputado na Vila do Calai, no Cuando Cubango, provavelmente contra uma equipa de sul-africanos. A representar a CCS estão o "Del Xira" (na primeira fila, o 2º do lado esquerdo), o Vasconcelos e o Pereira (ne mesma fila os dois últimos da direita). Provavelmente estará mais alguém da CCS, mas eu não os reconheço. Os restantes são comerciantes e outras gentes do Calai
Provavelmente uma cena do mesmo jogo. Ao centro, a disputar a bola, está o Vasconcelos


Um salto até Cabinda.
O Jaime Ferreira e o Vasconcelos na varanda do alojamento dos sargentos, com os célebres chapéus comprados no Rundu, Sudoeste Africano. O Jaime até parece um cubano a fumar um "puro" .

Ainda em Cabinda. A catedral que nos fez companhia durante vários meses (o alojamento dos sargentos ficava do lado esquerdo da catedral)

Um regresso ao Calai, no Cuando Cubango.
Aqui estou eu (à direita), mais o Quim Raposo, quando me encontrava no Destacamento do Calai, fronteira con o Sudoeste Africano, em 1973. De realçar o aspecto imberbe dos figurantes, sobretudo o meu (tinha aqui vinte anos)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mais um regresso

(Por Abílio Hermenegildo e Luis Marques)

O Abílio Hermenegildo, fez parte do 4º Grupo de Combate da 3ª Companhia do B.Caç 4611/1972.
Por ser da incorporação de Angola, só em Novembro de 1972, se juntou à 3ª Companhia, logo após a chegada desta ao Grafanil, Luanda.
Depois da desmobilização em Novembro de 1974, o Abílio nunca mais teve qualquer contacto com os seus camaradas da 3ªa Companhia, salvo um encontro esporádico algures em Lisboa, salvo erro com o João Salgado, o Luís Silva, o Gentil e talvez mais um ou outro.
Foram 35 anos de separação, apesar de uma constante procura de sinais dos seus antigos amigos e camaradas, sobretudo, nos últimos anos, através da Internet, contudo sem resultado.
Até que, inesperadamente, no dia 24 de Dezembro de 2009, algo aconteceu... Vamos ler o que o Abílio tem para nos contar:


O Abílio Hermenegildo na foto de despedida da 3ª Companhia, em Cabinda, à direita e atrás do Brazão

"Olá Pessoal

Esta data nunca mais vou esquecer – 24 de Dezembro de 2009
Foi como uma prenda de Natal.
É verdade. Ao fim de 35 anos, felizmente e com grande alegria e satisfação consigo encontrar, por mero acaso ou porque o destino assim o quis e entendeu que encontrasse, o que ao longo destes anos andava à procura e nunca mais tinha sabido do paradeiro de todos ou de alguns camaradas de guerra que comigo tinham partilhado ao longo de 24 meses, momentos de alegria ou de tristeza. Apenas algumas fotografias desse tempo que guardo como uma boa recordação me traziam à lembrança esses tempos.
E como disse, foi por mero acaso, porque, por curiosidade, ao procurar imagens de Embondeiros deparei com esta foto da Capela de Nossa Senhora do Grafanil e fui vê-la em pormenor.


A imagem da capela de Nossa Senhora do Grafanil que se encontra publicada no Fórum 4611 e que permitiu ao Abílio chegar até nós
Ao abrir a imagem, qual não foi o meu espanto e vejo o fórum do Bat. Caç.4611/1972.
Nem queria acreditar no que estava a ver, pois a partir daqui era ver as fotos recentes e se reconhecia alguém e como tal, assim aconteceu pois grande parte desta enorme família que me acompanhou durante 24 meses foi reconhecida, pois as feições pouco mudaram, apenas um pouco mais gastas pelo decorrer dos anos, assim como eu, pois não sou diferente e não fujo á regra, porque os anos também passaram por cima de mim.
O primeiro passo está dado. Foi o mais difícil. Espero que dentro pouco tempo possa dar o passo seguinte, que é poder estar pessoalmente com a maioria do grupo.
Bem hajam todos, fiquei bastante satisfeito por ter tido a sorte de voltar a encontrar a 3ª Companhia do Bat. Caç. 4611/1972.


Um grande abraço para todos"

O Abílio Hermenegildo vive actualmente nos Açores. Já nos prometeu que quando vier ao continente visitar os filhos que aqui estudam, tudo fará para estar com os seus amigos.
Então, talvez se tenha de organizar uma outra operação "Vendas Novas", ou outro qualquer nome de código.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Meninos do Rio

(Por Jorge Correia e Luís Marques)

Que se saiba, pelo menos dois antigos militares do Batalhão de Caçadores 4611/1972 vivem no Brasil.
São eles o Fernando Pinho, da CC, que vive no Rio de Janeiro desde 1975, e o António Jorge Correia, que há meia dúzia de anos vive em São Luis do Maranhão.
Os dois encontraram-se há pouco tempo, no final de 2009, na cidade do Rio de Janeiro.
Aqui fica o registo desse encontro em Terras de Vera Cruz, nas palavras do António Jorge Correia. ."
"Como prometido, aqui estão os registos do meu encontro no Rio de Janeiro com o  Fernando Pinho da CCS,...ou seja dois verdadeiros meninos do Rio.
Encontramo-nos à entrada do Pão de Açúcar, o Fernando na fila para subir com a simpática mulher a Fátima, o sobrinho que veio do Porto, o André, mais a namorada,  para verem os fogos e eu com a minha mulher e uma amiga nossa residente no Rio a descermos, depois de, com um "jeitinho brasileiro" , termos driblado a fila para nos despacharmos primeiro.
O encontro foi esfusiante e só foi pena que não tivéssemos oportunidade de nos termos encontrado uma outra vez, como pretendíamos fazer. As agendas preenchidas de ambos não o permitiu. Mas  ficou combinado que novamente no Rio ou em São Luis,  haveremos de nos reunir para conversarmos mais detalhadamente."


O Jorge Correia e o Fernando Pinho,


Fátima, Fernando António e André, enquanto aguardavam a chegada do "bondinho" para subir ao Pão de Acúcar





Meninos do Rio

(Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte
Eu canto para Deus proteger-te)


O António Jorge Correia à entrada do café "Garota de Ipanema", no bairro de Ipanema, onde Vinícius se reunia com Tom Jobim para compor músicas (para este local ficou combinado um segundo encontro, mas que não chegou a acontecer, por impossibilidade de agenda)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Novas de Cabinda

(Por Fernando Moreira e Luís Marques)



Ao navegar pela net, o Fernando Moreira descobriu estes vídeos sobre Cabinda, as suas gentes e as suas terras e costumes.
Vejam como está bonita a cidade, felizmente poupada aos horrores da guerra que assolou Angola depois da independência. Não será difícil reconhecer alguns dos locais que figuram nos vídeos, apesar do tempo decorrido desde a nossa saída daquela terra.
Também aqui encontrarão um vídeo reproduzindo a Cabinda dos nossos tempos.
Não deixem de dar um “giro” por Cabinda. Verão que vale a pena.

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Aqui fica feito um convite para todos vós: Caso encontrem aqui pela net outros vídeos sobre Cabinda, ou sobre qualquer outra terra angolana, que considerem de interesse para nós, não hesitem em os anunciar aqui no Fórum 4611, para que todos possamos desfrutá-los e matar saudades.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Foi um dia... Numa terra distante

(Por Luis Marques e Fernando Moreira)









Foi um dia... (veja aqui o vídeo)




Foi um dia... numa terra distante que tudo começou...


Ou melhor dizendo, foi um dia, no ano de 1972, na cidade de Évora, no Regimento de Infantaria 16, que começou, para os militares que incorporaram a C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/1972, uma etapa importante das suas vidas, precisamente quando a maioria de nós tinha acabado de completar 20 anos de idade.
Ao cabo de 37 anos, esses militares regressaram a Évora, celebrando não só a sua partida para terras angolanas, mas também o seu regresso a Portugal, faz agora 35 anos.
Ao mesmo tempo, prestaram uma muito sentida homenagem aos militares do Batalhão de Caçadores 4611/1972 já falecidos e também a todos aqueles que em todos os tempos caíram no Campo da Honra e derramaram o seu sangue pela Independência e Liberdade da Pátria, nos vários teatros de operações na chamada guerra do ultramar.
Mais de uma centena de jovens interromperam as suas vidas e foram engajados para uma guerra que nunca lhes foi decentemente explicada, a não ser pela imposição de slogans e ideias pré-concebidas e idealizadas por uma máquina de propaganda ao serviço de uma ideologia que se veio a revelar desacertada.
Mas podem, alguns de nós, considerar que a guerra do ultramar tinha a sua justificação. Nada temos contra quem assim pensa.
Agora, o ostracismo, o deslembrança e, porque não dizê-lo, o constrangimento com que a Pátria hoje nos olha (a nós antigos militares da guerra do ultramar), como se quisesse com esse acto passar uma esponja sobre esse período da sua história, é que não podemos aceitar.
Quando vemos todos os dias serem homenageados pseudo heróis nacionais em quase todas as áreas da nossa sociedade, devemos bradar contra esse olvido com todas as nossas forças... Para que a história nos não esqueça, já que a Pátria parece decidida a fazê-lo.
E para tal, devemos usar as armas que estão à nossa disposição, tais como os blogues existentes e destinados a manter viva a lembrança dessa guerra, como é disso exemplo o Fórum 4611, bem como outros meios de divulgação do nosso pensamento, como as redes sociais. Que nunca nos falte a vontade.
Por essa razão fazemos mais um apelo a todos os nossos antigos camaradas do Batalhão de Caçadores 4611/1972 para que colaborem enviando-nos os seus pensamentos e fotos que guardam nos seus álbuns de memórias, para publicação neste blogue que a todos pertence.
Este texto é de autoria de Luís Marques, sendo o vídeo acima exibido um belo trabalho de montagem do Fernando Moreira, ele próprio um dos maiores responsáveis pelo projecto em curso de trazer até nós todos as antigos militares do nosso Batalhão.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Natal 2009



(Por Luís Marques e Fernando Moreira)


Natal de 2009.

O ano de 2009 trouxe-nos a alegria da aproximação entre muitos dos antigos camaradas do Batalhão de Caçadores 4611/1972.
Nunca como agora foi tão estreia a afinidade entre nós, cimentada pelos dois anos vividos em terras angolanas, no desempenho de uma missão, então dita de soberania, mas que não desejámos, nem pedimos e que levou com ela alguns dos nossos melhores anos.
Mas soubemos retirar dessa contrariedade os melhores ensinamentos realizáveis e acolher em todos nós uma sólida amizade que ao final de 35 anos nos une e nos faz percorrer este Portugal de Norte a Sul, com o único propósito de abraçar aqueles que connosco partilharam as agruras e as alegrias daqueles dois anos, em que quase tudo nos aconteceu. O bom e o mau...
Não queremos deixar passar a quadra natalícia que atravessamos, a qual significa muito para a maioria de nós, sem desejar a todos os membros deste fórum um Santo Natal e um ano de 2010 cheio de felicidades e de realizações pessoais e profissionais, votos estes extensivos à família de cada um.
A história do Natal em que queremos acreditar é aquela que nos oferece o relato da força e da esperança, que nos aproxima da necessidade imperativa de fundar um novo humanismo.
E é, no essencial, isto que se deseja também. Que com a ajuda de todos se construam os alicerces para uma outra sociedade, mais justa e na qual não haja lugar para a mesquinhez, a inveja e para o compadrio que hoje impera entre nós.



Entre milhares de poemas alusivos ao Natal que os nossos melhores escritores escreveram, escolhemos este escrito por esse grande poeta e escritor que foi David Mourão-Ferreira, apenas pela única razão de o considerarmos muito belo:

"NATAL À BEIRA-RIO

É o braço do abeto a bater na vidraça?
É o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?"

David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Lisboa, Editorial Presença, 1988

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta