sexta-feira, 10 de agosto de 2018

TIA CELESTE



Todas as deceções são secundárias. O único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos.
Não queria dar esta triste notícia…
Queria que ela estivesse connosco por muitos mais anos...
Hoje é um dia bem triste para os camaradas e amigos da C.C.S, do Batalhão de Caçadores 4611/72 e não só.
Faleceu esta tarde a D. Celeste, mãe do nosso amigo e camarada Carlos Rocha.
Pessoa muito querida e estimada por todos nós,
Dela recordaremos para sempre a sua boa disposição e alegria quando estava presente nos nossos convívios anuais e noutras ocasiões.
Os nossos convívios nunca mais foram os mesmos desde que há poucos anos a saúde débil da D. Celeste já não lhe permitia estar presente.
Mas para sempre ficará guardada na nossa lembrança a extrema jovialidade da D. Celeste e a sua figura inconfundível, ligeiramente curvada com o “peso” dos seus 93 aninhos.
Mas, como digo em cima, o único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém que amamos.

Sim, porque a D. Celeste viverá para sempre nos nossos corações.
E no céu haverá muita alegria a partir de hoje,
Sinceramente não tenho palavras que descrevam o meu estado d'alma.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

RECORDAÇÕES DE ANGOLA - 11 DE NOVEMBRO DE 1972

(Por Luís Marques)





No dia 10 de Novembro de 1972, já noite adiantada, os militares que integraram a C.C.S do Batalhão de Caçadores 4611/72 embarcaram num Boeing 707 dos Transportes Aéreos Militares (TAM) rumo a Luanda, Angola. Fez ontem precisamente 45 anos.

Ameixa, Godinho, Dário e o Cabecinha no dia da partida de Santa Margarida com destino a Angola


Recordo com saudade a última refeição que nos foi servida na messe de sargentos do Campo Militar de Santa Margarida: um saboroso e enorme bife com batatas fritas e ovo “a cavalo”, e a simpática despedida dos militares da messe de sargentos com o bolo alusivo e o desejo de boa sorte e de um rápido regresso.


O Campo militar de Santa Marqarida

Depois, por volta das 17:00 foi a saída em autocarros até ao aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, numa viagem acompanhada "por alguma neblina, quase uma chuva fraca. Seriam talvez as nossas lágrimas, que, teimosamente, não queríamos que aparecessem", segundo ontem me recordou o Zé Francês.


A maior parte de nós tinha acabado de se despedir da família, das namoradas, dos amigos e ainda conservava nos olhos uma lágrima teimosa que nos reduzia à nossa simples condição de jovens assustados com o que nos estava a suceder, não obstante quase todos procurarem demonstrar o contrário. Na mocetada, havia um estranho sentimento, nunca até então vivido. Um nó apertado estreitava-nos as gargantas, fazendo-nos suspirar profundamente.

Boeing 707 dos TAM que nos levou até Luanda. 




Algumas horas depois despertávamos em Luanda.




A cidade de Luanda fervilhava num ritmo enérgico. Nós militares fornecíamos uma dose importante desse de movimento, juventude e alegria.



Quando chegámos, a todos impressionou a tonalidade avermelhada daquela terra; a quente temperatura daquele dia 11 de Novembro, com um sol radioso, embora ligeiramente escondido sob uma finíssima névoa que logo se dissipou, e um cheiro nunca até então experimentado, porém agradável.




Quantas perguntas fizemos na altura a nós próprios? Quantas interrogações interiorizámos sem obter resposta adequada? Olhando os nativos, que questões inocentes e algumas sem sentido nos bailaram do pensamento? Quase sem querer, aproximámo-nos dos oficiais e sargentos do quadro, já com experiências vividas em anteriores comissões, procurando obter uma resposta, ou um sinal esclarecedor.



Depois de nos instalarmos no Campo Militar do Grafanil, enfrentámos pela primeira vez a cidade de Luanda.

 
Entrada principal do Campo Militar do Grafanil

As casernas do Campo Militar do Grafanil, onde aguardámos alguns dias antes da partida para o Cuando Cubango

A Capela dedicada a Nossa Senhora do Grafanil (erigida num imbondeiro)



Havia a necessidade de trocar os nossos escudos que trazíamos da Metrópole por angolares, numa terra que se dizia que era nossa. Essa troca era realizada mesmo ali na rua junto a uma cervejaria (Portugália), num largo onde ficavam outros dois cafés, o Versailles e o Polo Norte. Era nestes locais que nós nos concentrávamos quando íamos a Luanda e de onde partíamos à descoberta da cidade.



Bem perto ficava o Largo da Mutamba, ponto de partida e chegada das camionetas de transportes públicos para os diversos locais da cidade.



Largo da Mutamba



Percebemos a qualidade de vida patenteada pelos brancos. O seu ar feliz nos fins-de-semana enchendo os cafés e restaurantes nas inúmeras esplanadas, em contraste com os lugares mais lúgubres dos bairros de negros suburbanos (Bairro Operário – ou B.O. – Prenda e o Cazenga), onde às vezes nos deslocávamos, mas sempre acompanhados por outros camaradas. Evitávamos lá ir fardados, porque havia notícias de rixas violentas entre os moradores e soldados (precaução inútil, pois o nosso aspecto não deixava dúvidas a ninguém quanto à nossa condição de militares).



Na marginal, extensa e movimentada, destacavam-se os edifícios mais altos, o Hotel Presidente e o Banco Comercial de Angola, dos quais se tiravam fotos para mais tarde recordar. Também o forte de São Miguel, com vista privilegiada sobre a Baía de Luanda e as praias de ilha do Mussulo eram de visita obrigatória. Era sem dúvida uma terra de indiscutível beleza.
Era a altura em que se tomava conhecimento do bom sabor das cervejas angolanas (EKA, Cuca e Nocal), bem frescas e sempre acompanhadas por pratinhos de saborosos camarões.

O edifício do Banco Comercial de Angola

O Hotel Presidente

 Forte de São Miguel, em Luanda
A Ilha do Mussulo e as suas belas praias. 


Era perfeitamente visível que os serviços menos qualificados eram para os negros, engraxadores, vendedores de lotaria, empregados nas cozinhas dos restaurantes, arrumadores nos cinemas, lavadeiras, e atividades semelhantes. O ambiente era de uma certa harmonia social, apesar da constante presença dos militares.

Avenida dos Combatentes

A maior parte de nós questionava o que estava ali a fazer. Mas, na altura, raros consideraram que estavam a desperdiçar os melhores anos das suas vidas (essa consciência só sobreveio mais tarde). Todos nós, perante o fatalismo que representava a nossa presença naquela terra, preferimos tirar o melhor proveito da situação e dos nossos vinte anos.

A cidade de Luanda à noite.



Ficou em nós a saudade. Sentimento esse que ainda hoje nos faz desejar rever essa terra enfeitiçada, que em todos deixou uma marca indelével.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

CONVÍVIO ANUAL DA 3ª COMPANHIA DO BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

(Por Luís Marques)


O convívio anual dos ex-militares da 3ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/1972 já tem data e local escolhido.


Este ano o convívio será no dia 25 de Novembro, no restaurante de “Quinta dos Bambus”, situado nas proximidades da cidade de Paredes (Rua Moinhos de Cubo nº 50
4585-917 Parada de Todeia, Paredes)









Para quem vem do sul, após atravessar o Rio Douro, segue pela A4 no sentido de Vila Real. Na A4, tomar a saída 10, com a indicação Baltar / Paredes. Entram na N319, do sentido sul, e em breve estão no local do convívio.

Aqui está o link do local do convívio http://www.quintadosbambus.pt/

A organização deste convívio está a cargo do António Elias (tlmv, 962 034 147) e do Manuel Brazão (tlmv. 963 917 021).




Oportunamente será divulgada mais informação sobre o convívio.


Não se esqueçam de fazer as vossas marcações tão cedo quanto possível, para que os organizadores saibam com antecedência quantos camaradas, família e amigos irão estar presentes.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

RECORDAÇÕES DE ANGOLA - O CLUBE DE SARGENTOS DE SERPA PINTO

(Por António Moita e Luís Marques)


Como se recordam a 3ª Companhia esteve estacionada durante os primeiros 13 meses (de Novembro de 1972 a Dezembro de 1973) na cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), na província do Cuando Cubango.

Mapa da província do Cuando Cubango


A sua missão consistia na participação em operações em toda a província do Cuando Cubango, na protecção de colunas civis de reabastecimento das povoações mais distantes da capital da província (os chamados MVL’s – Movimento de Viaturas Logísticas), incluindo o reabastecimento dos vários aquartelamentos espalhados um pouco pela extensa província angolana, M’pupa, Coutada do Mucusso, Luenge, etc., para além de outras actividades como, por exemplo as chamadas “psicos” (ações psicológicas feitas junto das populações nativas, com serviços médicos e de enfermagem, para além de distribuição de alimentos).
Serpa Pinto era, ao tempo, uma cidadezinha simpática.

Palácio do Governador em Serpa Pinto

Vista de Serpa Pinto

A Igreja de Serpa Pinto

Vista panorâmica de Serpa Pinto


Para além de outros atractivos havia o “Clube de Sargentos”, onde residiam os sargentos da 3ª Companhia e do Comando do Sector. Basicamente nele residiam os Furriéis Milicianos.

O Clube de Sargentos de Serpa Pinto em 1972

Movido por um irrefreável sentimento de saudade, o António Moita decidiu fazer uma incursão na Internet em busca de imagens de Serpa Pinto e encontrou duas fotos atuais do edifício onde ficava o “Clube de Sargentos”.
Ficou chocado com o estado de degradação em que o edifício actualmente se encontra, que demonstra bem o abandono em que ficou deixado após a independência de Angola.

O Clube de Sargentos de Serpa Pinto em 1972 (em curiosa sobreposição com o Banco de Angola)


Estado actual do edifício do Clube de Sargentos, passados 43 anos


Estado actual do edifício do Clube de Sargentos, passados 43 anos


É triste ver o estado em que se encontra o velho edifício em que os sargentos da 3ª Companhia, apesar dos pesares, tiveram muitos momentos felizes.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

XVIII CONVÍVIO ANUAL DA 1ª COMPANHIA

Por João Carlos Almeida Rodrigues

No passado dia 17 de Junho realizou-se o XVIII Convívio Anual da 1.ª Companhia do Batalhão de Caçadores 4611/72, cuja organização esteve a cargo do ex-furriel Agostinho Soares, tendo decorrido na cidade nortenha da Maia, situada a cerca de 10 km a Norte da cidade do Porto.


Este ano compareceram 32 ex-Militares que, como tem sido hábito, se fizeram acompanhar por familiares e amigos. Em relação à foto do grupo regista-se uma discrepância em virtude de alguns só se associaram no local do almoço. No total as presenças rondaram as sete dezenas. É de realçar o fato de, ao fim de tantos anos, ainda haver alguém que seja estreante neste evento anual. Pena que outros não sigam o exemplo!
Para além dos da 1.ª Companhia estiveram presentes os ex-furriéis Luís Marques, que era da CCS e é o autor do blogue forum 4611, e o Manuel Trigo que era do Pelotão de Canhões e com quem coabitámos o mesmo aquartelamento em Cabinda.
A concentração, atendendo ao calor que se fazia sentir, acabou por ser alterada para a entrada do Complexo Desportivo da Maia, à sombra de frondosas árvores.
Após breve explicação sobre as Instalações Desportivas proferidas pelo Prof. Paulo Queirós, que foi o nosso guia nesta parte da visita, deu-se início ao percurso. De salientar que neste dia decorria um encontro de praticantes de Karate cujo número de participantes rondava os 1500.
Depois de passarmos por pavilhões de Ginástica, cortes de Ténis com cobertura amovível, pistas de Atletismo, campos de Futebol, etc., acabámos por ir ter à Pr. Prof. Dr. José Vieira de Carvalho, onde está a estátua do Lidador – em homenagem ao cavaleiro Gonçalo Mendes da Maia -, defronte da “TORRE DO LIDADOR” , onde funcionam os serviços da CÂMARA MUNICIPAL DA MAIA.








Foi no átrio desse edifício, e aproveitando a temperatura fresquinha que se fazia sentir no seu interior, que se fizeram as fotografias em grupo. Em seguida, a quase totalidade dos veraneantes não regateou uma subida até ao terraço, situado a mais de 90 mts de altura, de onde puderam apreciar grande parte do Concelho. Outros não vacilaram e palmilharam os últimos 50 degraus, visto não haver elevador até lá, para apreciar do miradouro panorâmico toda a vista em redor, apesar do calor que lá se fazia sentir.









No final, a guia que nos acompanhou durante a visita à CMM não se coibiu de nos explicar o que representavam os quadros que estão expostos no átrio do edifício .



Findas as visitas cada um partiu na direcção do local onde tinha deixado a respectiva viatura, pois ainda tínhamos alguns quilómetros a percorrer até chegar ao Restaurante SABORES de PRATA, situado na localidade de MILHEIRÓ - MAIA. Atendendo a que as encruzilhadas nas estradas municipais são muitas, e apesar das explicações dadas pelo Agostinho Soares, vários foram aqueles que, momentaneamente, se sentiram perdidos.
Ali chegados logo o Alves, à semelhança do que faz ano após ano, logo tratou de identificar quem ali estava.






Depois de redistribuídos pelas várias mesas de acordo com os grupos inscritos, passou-se ao momento em que a ementa comanda a ação: cada um com o prato na mão, como se de um concurso se tratasse, rodopiou em volta da mesa tentando alcançar a iguaria que mais lhe chamou a atenção. Intervalando cada garfada com uma palavrinha com o vizinho do lado ou o da frente, a ementa foi-se esgotando até parar no momento do café .


Há que dar espaço ao tempo musical e para esse momento peculiar nada melhor do que o camarada Moço, aquele que em Angola não só cuidou da nossa saúde como preencheu muito dos nossos serões com belas canções e guitarradas. Hoje está acompanhado pela sua esposa e foi a ela que coube abrir a sessão com a bela interpretação de um fado. Silêncio que se vai cantar o fado! Ora um ora outro e, num dos momentos, o Lima Gomes, lá foram recordando os tempos de outrora. Enquanto uns estão com a atenção mais focada na música, outros, em conversas marginais, recordam um ou outro momento vivido na situação militar (Num curto intervalo do momento musical o Rodrigues e o Luís Marques fizeram a divulgação de uma publicação onde consta a constituição de cada companhia, os lugares onde cada uma delas esteve aquartelada e, de uma forma  muito sucinta, um registo das operacões que cada uma realizou. A apresentação desta brochura suscitou a atenção por parte daqueles a quem diz respeito . O único exemplar presente resultou de uma impressão já efectuada pela CCS esperando-se que as outras Companhias sigam o exemplo.


E siga a música!
O tempo voou! Começam os preparativos para o “encerramento”, ou seja, dar uma garfada no “Bolo da Companhia” acompanhada de champanhe .




No pensamento de cada um adivinha-se o que vai: “E que para o ano haja mais!”

Depois, mesmo sem o toque de “Destroçar”, outrora habilmente executado pelo corneteiro, individualmente ou em pequenos grupos lá vão abandonando o local da Confraternização, em direcção do transporte que os há-de levar de regresso a casa. Mas até lá, e como já vai sendo hábito, o tema da conversa continuará o mesmo: “A guerra de cada um”.

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta