O Luís Silva foi 1º cabo operador de cripto da 3ª Companhia.
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Recordações de Angola - 21 (Luis Silva)
O Luís Silva foi 1º cabo operador de cripto da 3ª Companhia.
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
XI convívio anual dos ex-militares da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72 (Epílogo)
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
O Baile das viúvas
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
11 de Novembro de 1972
Hoje é dia de São Martinho.
Há 37 anos atrás também era dia de São Martinho.
Mas faz hoje precisamente 37 anos que os militares da CCS do Batalhão de Caçadores 4611/1972 chegaram a terras angolanas.
Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, dia 10 de Novembro de 1972, pelas 23:00 horas.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
REENCONTROS - Mais um capítulo
"Fica proibido deixar os teus amigos,
Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisas deles"
Ingredientes: muita conversa da treta e de grandes tretas, boa comida e bebida
Mas este encontro representou muito mais do que aquilo que atrás está referido.
A razão primeira (melhor dizendo: a desculpa) foi dar um abraço de despedida ao Jorge Correia, que estava de regresso a São Luís do Maranhão, Brasil.
Lá no fundo, verdadeiramente, foi mais um pretexto para reavivar velhas amizades e um pé-de-cantiga para dois dedos de boa conversa com amigos que se reencontram quando sentem vontade de estar uns com os outros.
Como não podia deixar de ser os temas das conversas tidas à mesa andaram à volta dos tópicos, Angola, Serpa Pinto, M’Pupa Cabinda, etc. E muitas descobertas e revelações continuam a ser feitas. Muitos sorrisos, gargalhadas e olhares errantes, recordando o passado, continuam a provocar essas cavaqueiras...
Aqueles que ainda não apareceram, juntem-se ao próximo encontro informal e sintam como são verdadeiros os sentimentos que nos cercam nessa alturas.
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
XI convívio anual dos ex-militares da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72 (2)
O XI encontro dos antigos militares das C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/1072, que irá decorrer em Évora no próximo dia 14 de Novembro, terá como um dos seus momentos altos o descerramento de uma placa comemorativa do acontecimento no salão de entrada do Comando de Instrução e Doutrina de Évora (ex – RI16).
Uma vez que o programa que antecede o almoço propriamente dito é muito vasto e o tempo para o completar é escasso, aqui fica o horário do referido programa:
10:00- Concentração em frente ao quartel do Comando de Instrução e Doutrina (antigo RI16).
10:30- Missa na Igreja da Nossa Senhora da Pobreza.
11:30- Homenagem aos militares falecidos junto do monumento em frente ao Comando de Instrução e Doutrina.
11:45- Descerramento de uma placa da companhia no salão de entrada do quartel do Comando de Instrução e Doutrina.
12:00- Visita ás instalações do Comando de Instrução e Doutrina.
12:30- Partida para o local do almoço.
13:00- Almoço
Não faltes ao XI encontro anual.
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
JUSTIFICAÇÕES / EXORCISAR FANTASMAS
Diz Filipe Silva:
Filipe Silva
Diz Martins Correia:
Caríssimo Filipe:
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
"Soltas" de Angola
LOCAL: CABINDA
O Facas em Cabinda tocava numa banda musical (na altura dizia-se Conjunto) e costumava ensaiar à noite. Era baterista.História 2 (esta é um bocadinho mais pesada)
LOCAL: CABINDA
História 3 (esta é para descontrair)
LOCAL: LUIANA
Campo de futebol do Tabi, antes das obras para o Mundial de futebol da África do Sul.
sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Recordações de Angola - 21
Por intermédio do António Facas, o Eduardo Veiga remeteu-nos estas três fotos que pelo seu interesse para a "construção" da "História do Batalhão" e em particular da 3ª Companhia passamos a publicar.
São três fotos que muito vão enriquecer o nosso álbum colectivo.
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Martins Correia - a saída de Serpa Pinto
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Recordações de Angola - 20
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
XI convívio anual dos ex-militares da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/72
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
3ª Companhia (Convívio de Novembro)
segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
LUIANA - 3 MESES DE ISOLAMENTO
(clica para aumentar)
(clica para aumentar)
terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Operações - O Mau e o Bom














Os rios e as lagoas eram por nós utilizados para a higiene de ocasião. Por vezes com vários dias de intervalo...quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
REENCONTROS - Mais um capítulo
“Tanto tempo à deriva, na fronteira do esquecimento sem a poder nunca atravessar, eis que os caminhos se cruzam.
Ficamos frente a frente e, olhos nos olhos apercebemo-nos que temos bocados de nós que não são nossos.
Permanecem em nós mas foram feitos pelos outros. Pelos que ficam e pelos que vão, pelos que estão sempre presentes e pelos que retornam.
Caminham ao nosso lado e fazem parte da nossa sombra, imutáveis e indissociáveis, como convém… “
(Autor desconhecido – Texto da .net)
Ramalho, Cabral, Girão e o Facas em Vendas Novas (Falta o Fernando que estava do lado de cá da objectiva)
Bom dia,
Tenho aproveitado as férias, tempo em que consigo estar comigo, pois aí o Bruno dá-me alguma folga, para, a par do descanso, conseguir estar com os amigos.
Já estive com o Moita, no seu Kimbo em S. Brás de Alportel, onde gentilmente me mostrou os recantos pitorescos da terra, e onde acabámos por não estar sós, pois telefonou-se a alguns, falou-se de outros e de muitas outras histórias que o tempo não apagou. Assim que abrimos a gaveta das recordações, com páginas mais amarelas ou menos, elas saltam fácilmente cá para fora.
A Igreja de São Braz de Alportel, Kimbo do António Moita
De regresso a Lisboa e e-mails trocados, horas marcadas e muita ansiedade na bagagem lá partimos ontem para o Kimbo do Facas para mais uma sessão de “introspecção colectiva” se é que tal existe... creio que sim!
Cheguei e fui directo ao “Ti Américo” onde me sentei na esplanada a beber um fino traçado e a trincar umas “castanhas-caju”, fim de tarde ameno e calmo como convém àquelas paragens, no caminho o Ramalho, o Girão e o Cabral, e a despachar-se de uns exames o Facas.
A Igreja de Vendas Novas (um dos Kimbos do António Facas)
Mas o Grupo não se ficou por ali; encontrámo-nos no estacionamento do quartel e após dois dedos de conversa seguimos para sermos apresentados ao canito de nome “Samba” e rumámos para o Restaurante das Piscinas de Vendas Novas.
Muita conversa enquanto não chega a hora do repasto
Vocês dirão que é incrível não terem sido tiradas fotos, mas o facto é que a conversa foi de tal modo agradável que as máquinas não sairam das bolsas.
O resto já poderão adivinhar, após muita conversa, boa comida e são convívio chega aquilo que ninguém quer... regressar.
Mas fica a vontade de uma próxima!
Até lá!!!
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Baú de memórias (O meu café!)
Café em Cabinda
Ramalho, Cabral, Moita e Girão
(foto do António Moita)
Estava aqui a dar uma volta pela .net e dei, como sempre, uma pulada ao "Fórum 4611" e ao olhar para o marcador verifiquei que, mesmo em férias, continua a disparar.
Há dias, estando em conversa com o Moita e na qual entrou também o Vidigal via telefone, ficou-me uma expressão do mesmo em que ele me dizia que nunca teve tanta informação dos tempos de Angola como nos últimos meses.
Ainda frescos sobre a húmida areia."
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
Pegadas (foto de Fernando Moreira)
sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Estória de Angola ou será história ?
"Mais facilmente se julgaria um homem segundo os seus sonhos
O Facas, o Carvalho e o Jorge Correia, em Cabinda, em 1974
Eu, o alferes Figueira e o furriel Gomes, fomos dos primeiros a deixar Cabinda a caminho de Luanda, numa fragata da marinha de guerra.
Deixámos o pessoal devidamente instalado no Grafanil e avançámos para Luanda, onde ficámos instalados no Hotel Lisboa, na baixa luandense.
Alugámos um Autobianchi A111 para nos deslocarmos para o Grafanil e para a praia da Barracuda, basicamente.
Cerca de uma ou duas semanas depois, chega o grosso do pessoal e instalam-se também por Luanda com visitas periódicas ao Grafanil.
A determinada altura, houve a necessidade de transportar os nossos soldados naturais de Angola que estavam agregados à 3ª Companhia, ao seu quartel de origem, o quartel de Sá da Bandeira. Vem falar comigo o Figueira e diz-me que o capitão perguntou se não havia voluntários para a missão. Respondo-lhe que não me importo de alinhar caso possa ir à civil e no "meu" carro. Feito... lá vamos nós no Autobianchi a acompanhar as três Berliet´s com o nosso pessoal pertencente ao quartel de Sá da Bandeira, entregá-los no seu local de origem e despedirmo-nos deles. Vão comigo o Figueira e o Gomes.
Arrancámos de Luanda, e dormimos a primeira noite em Nova Lisboa, depois duma estafante viagem, com muito calor e muitos camiões na estrada para ultrapassar.
No dia seguinte saímos bem cedo a caminho de Sá da Bandeira, onde chegámos a meio da tarde e entrámos todos no quartel.
O Figueira dispensa-nos de formalidades a vai com a guia de marcha do pessoal ,fazer a entrega burocrática. Nunca mais os vimos.
Estávamos numa altura de alguma efervescência, com algumas notícias e boatos alarmantes. Lembro-me que veio um alferes do quartel ter connosco e perguntar-nos como estavam as coisas em Luanda, se havia distúrbios ou quaisquer outras movimentações. Dissemos-lhe que não, estava tudo calmo e íamos todos os dias para a praia e para o cinema e as boates à noite.
Bom.. como estávamos ali, aproveitámos para dar uma volta maior no regresso e assim conhecermos um pouco mais de Angola.
Voltámos por Lobito, onde ficámos hospedados num hotel de sonho, o Hotel Términus pertencente ao Caminho de Ferro de Benguela. Um hotel romântico decorado com bambu e com saída directa para a praia....
À noite íamos para o Porto do Lobito para os bares americanos que eram porta sim porta sim. Conhecemos também Benguela.
Quando finalmente nos pusemos a caminho e chegámos à saída do Lobito, deparámos com uma barragem na estrada feita por camionistas que não deixavam passar ninguém, pois estavam a protestar por serem apedrejados nas estradas e queriam que as autoridades os protegessem. Saímos do carro e dissemos que estávamos em missão, que precisávamos de ir para Luanda, que éramos dois furriéis e um alferes apontando para o Figueira.
Os camionistas olharam para nós com desdém e disseram-nos que nem um Major tinha passado, portanto nós também não iríamos passar.
Estávamos à civil e desarmados e lá demos meia volta para o nosso aconchego do Hotel Términus, onde fomos obrigados a ficar mais quatro dias.
Quando finalmente desbloquearam a estrada, arrancámos rumo a Novo Redondo, onde acabámos por permanecer vários dias, pois conhecemos umas deliciosas miúdas que andavam no liceu local e uma delas era recepcionista do Hotel onde ficámos hospedados, na Marginal de Novo Redondo.
Não conto mais pormenores para não cansar muito. Seguidamente fizemos o último trecho da viagem, saídos de Novo Redondo, passámos ainda por Porto Amboím e chegámos nessa noite a Luanda.... cansados mas satisfeitos !!!
O Facas e o Jorge Correia na Roça Lucola (pelo ar de ambos, estavam a aprontar "alguma")
Passados vinte anos, acordo com um pesadelo... tinha sonhado, que juntamente com o Figueira e o Gomes, estávamos formalmente equipados a preceito e a despedirmo-nos dos nossos soldados de Sá da Bandeira com um aperto de mão e um abraço e a desejar-lhes as maiores felicidades para a sua vida futura, pois tinham sido nossos companheiros durante dois anos nas matas.
E, certamente, eles mereciam que isso tivesse acontecido.
Voltei a sonhar com este acontecimento mais umas três ou quatro vezes e acreditem que eu desejaria muito poder voltar atrás e que isto fosse possível de acontecer.
Durante alguns tempos andei pensativo sobre o que teria acontecido com os nossos companheiros de percurso num país a que se seguiu uma guerra civil devastadora.
Bom... um certo dia fui almoçar com o Figueira num restaurante em Lisboa e contei-lhe o que me estava a acontecer.. contei-lhe dos sonhos. Ele desvalorizou o assunto, penso que para me proteger, que não valia a pena pensar no caso e que tinha corrido tudo bem, que não era grave. Nunca mais sonhei com o caso, mas que continuo a pensar que a coisa podia ter corrido de outra maneira, lá isso penso.
O Jorge Correia nos dias de hoje, em terras brasileiras
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
José Francisco Oliveira Costa "o Montijo"
Michel de Montaigne, in "Ensaios"
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Foi-me dada a notícia que o José Costa faleceu o ano passado de morte súbita.
É isto que me assusta quando tento reaver as minhas memórias, ou reajustá-las, é o não conseguir chegar a tempo.
Soube que ele tem um filho, possui o mesmo nome do pai, José Costa, e tem uma oficina na auto na Atalaia-Montijo.
Desloquei-me lá e apresentei-lhe as minhas condolências e transmiti-lhe alguma memória que ainda possuía àcerca do Costa, do seu alto porte e farto vozeirão. Dizem-me os bombeiros do Montijo, ex-companheiros, e o seu filho que ele era mesmo assim.
Deixei-lhe ficar o endereço do Blogue do 4611 para o caso de ele ter interesse em ver por onde o pai tinha andado enquanto militar, pois o percurso de cada um acaba por ser, nestes casos, o percurso colectivo.
Achei que deviam saber e para algum que tivesse sido próximo do Costa naqueles tempos aqui fica o contacto do Filho: José Costa – 969064982.

O José Costa, "o Montijo" de braço dado com o Matão
Costa,
A tua partida para o outro lado da vida, camarada de armas, padecimentos e alegrias, não foi em vão.
Em qualquer sítio ou lugar em que te encontres, certamente receberás os nossos pensamentos de amizade e agradecimento por nos teres deixado privar contigo ...
Bem hajas Costa, a tua memória ficará para sempre gravada nos nossos corações.
Filipe Silva
O "Montijo" numa missão de patrulhamento no Miconje (foto do José Duarte)
Era um atirador de morteiro excelente.
Uma vez, num exercício de tiro, em Serpa Pinto, o Filipe indicou-lhe uma árvore a uns bons 200~300 metros.
Ficou a floresta mais pobre ao primeiro morteiro.
Bom tipo... sorridente, amigo do amigo, solidário.
Fica na minha memória como um bom camarada.
Artur Girão
"A morte não pode ser pensada, pois é ausência de pensamento.~
Temos de viver como se fôssemos eternos"
quarta-feira, 8 de Julho de 2009
São Brás de Alportel, Abril de 2008
O encontro contou com a organização do António Moita e ocorreu em São Brás de Alportel (vila que é carinhosamente apelidada pelo António Moita de “centro do universo”).
Tendo em conta a distância entre o “centro do universo” e o local de residência da grande maioria dos antigos militares da 3ª Companhia, as previsões mais optimistas não apontavam para uma grande participação. Puro engano. Verificou-se uma adesão muito satisfatória, estando presentes cerca de 45 convivas, entre antigos militares e suas famílias, o que não deixa de ser digno de registo para um encontro previsto para durar três dias. Para além de ex-militares da 3ª Companhia, estiveram ainda presentes o Vidigal, o Vaz e o Leal, que de muito perto conviveram com eles, durante o ano em que aquela permaneceu em Serpa Pinto.
Este encontro foi como que a preparação do encontro anual da 3ª Companhia, que aconteceu em Novembro de 2008 e que foi organizado pelo Leal (da chefia do comando do sector de Serpa Pinto), e que teve lugar em Miranda do Corvo.
Para recordar o encontro realizado em São Brás de Alportel, aqui ficam algumas fotos. As primeiras foram tiradas no restaurante onde se realizou o almoço e as seguintes foram obtidas na antiga residência de férias do Bispo do Algarve Esta casa, com a implantação da República, deixou de pertencer à igreja. Mais tarde foi escola primária (lá o António Moita aprendeu as primeiras letras) e nos dias de hoje é a Escola de Artes e Ofícios. o último conjunto de fotos, foram obtidas em casa do António Moita.
Imagens do almoço do dia 26 de Abril de 2008
terça-feira, 30 de Junho de 2009
Figueira de Castelo Rodrigo, Junho de 2009
Mais uma vez este encontro foi organizado pelo Joaquim Raposo.
O Raposão, organizador do encontro
É já um lugar comum dizer que estes eventos contam sempre com a inexcedível capacidade organizativa do Quim Raposo, tudo fazendo para que o acontecimento decorra sempre de forma irrepreensível.Foram três dias a saborear a boa comida da Beira Alta, a degustar os excelentes vinhos e a apreciar as belezas paisagísticas, arquitectónicas e culturais daquela região raiana e de Riba-Côa. Só quem já contemplou o Rio Douro e o seu afluente Águeda do alto do miradouro da Sapinha, olhando de frente para duas províncias portuguesas (Beira Alta e Trás-os-Montes), tendo do seu lado direito a província espanhola de Salamanca e se admirou com o voo planado dos grifos, dos abutres do Egipto, das águias e dos falcões, entende o que se pretende dizer com “belezas paisagísticas” da região.



Alto da Sapinha (em baixo o rio Águeda, no local de afluência com Rio Douro. Na margem direita do Águeda temos terras de Espanha)
Miradouro da Serra da Marofa, Figueira de Castelo Rodrigo (em primeiro plano, Jaime Ferreira, Zé Vasconcelos, Manuel Oliveira, Fernando Pinho, Joaquim Raposo, João Novo. Em segundo plano, Luís Marques, Adriano Monteiro, Zé Manuel Francês e Zé Duarte)
No mesmo local, Fátima Pinho, Cassilda, Celeste Ferreira e Dulce Duarte
Castelo Rodrigo, visto da Alto da Marofa

A aura que se advinha na aldeia de Castelo Rodrigo, bastião defensivo das investidas das tropas invasoras vindas reino de Castela, muito bela com as suas pequenas casas seculares, quase todas elas recuperadas por mãos competentes, tuteladas pelas muralhas do seu castelo, que nos encantam e fazem sonhar com períodos já passados e que remontam ao princípio da nacionalidade.
Castelo Rodrigo, visto da Marofa
A entrada em Castelo Rodrigo
O Quim Raposo, Monteiro, Francês, Celeste e Dulce, em Castelo Rodrigo

Outro aspecto da nossa passagem por Castelo Rodrigo
Nas ruas estreitas de Castelo Rodrigo
As belas casas restauradas de Castelo Rodrigo

Fátima Pinho
As muralhas do Castelo
Também a aldeia de Escalhão, a aldeia no nasceu o Quim Raposo e que foi sede de concelho até início do século XIX merece uma visita atenta.
A este propósito, e da inscrição incisa no do Pelourinho da aldeia e que o Quim Raposo não nos soube esclarecer, atentem o que dizem os anais da história.
O Pelourinho da Aldeia de Escalhão
“A Igreja Matriz, cuja fronteira e torre do relógio se supõe serem restos da fortaleza medieval, é um templo do século XVI, sobressaindo na frontaria um portal de linhas clássicas com frontão triangular e colunas de caneluras nos dois terços superiores. Outro sinal característico deste monumento são as marcas de balas de canhão que se podem notar em algumas pedras resultantes da investida espanhola em terras portuguesas no ano de 1642.
A Igreja Matriz de Escalhão
O esplendor do altar da igreja matriz de Escalhão
Em 17 de Outubro desse ano entrou em Portugal um exército espanhol comandado pelo renegado português João Soares de Alarcão, com 4500 soldados e 400 cavaleiros. As povoações por onde passaram foram mergulhadas no sofrimento, destruição e ruína. O fumo, provocado pelos incêndios das casas e haveres, era como o sinal de luto corroborado pelos gritos dos que lamentavam a morte dos seus e a destruição do fruto de uma vida de trabalho.
Esta força militar prosseguiu o seu caminho destruidor pelo concelho indo quedar-se frente às paredes fortificadas da igreja de Escalhão. A população, auxiliada por um pequeno destacamento de 35 soldados, sob o comando de João da Silva Freio, preparou-se para enfrentar o inimigo. Julgando que a presa era fácil, o invasor acometeu contra o reduto defensivo. Porém os escalhonenses defenderam-se heroicamente dizimando com fogo cerrado os soldados espanhóis. No segundo assalto, protegendo-se com todo o tipo de materiais que encontravam, o inimigo atacou de novo. A igreja era o principal alvo das granadas de artilharia. As mulheres com mantas encharcadas num poço existente na igreja extinguiam os incêndios provocados pelas bombas. Com tecidos vários faziam ligaduras que usavam para socorrer os feridos. Dentro do templo os mortos e feridos atestavam a dureza do combate.
Conta a tradição que um homem de nome Janeirinho, matou o capitão dos castelhanos na entrada da porta falsa. O capitão de Zamora investiu contra a porta gritando: “ Viva o capitão de Zamora”. De dentro respondeu-lhe Janeirinho: “ Viva o Janeiro com a sua porra”, ao mesmo tempo que enfiava o badalo do sino sobre a cabeça do capitão. As tropas inimigas, já bastante enfraquecidas e surpreendidas pela resistência, entraram em pânico ao verem um dos seus chefes morto. Aproveitando este momento de hesitação os portugueses saíram do templo e investiram contra os espanhóis que começaram a recuar abandonando as suas posições. Num local denominado “A Veiga dos Mortos” o inimigo parou e, reorganizando-se, tentou tomar a ofensiva, mas de nada valeu o seu esforço. Os portugueses apontaram sobre eles as peças de artilharia que capturaram e quase os dizimaram.”
O Quim Raposo olhando para o Pelourinho da sua terra natal, certamente estranhando não nos saber contar o significado das inscrições dele constantesTivemos, portanto uma reedição da Batalha de Aljubarrota, 257 anos depois daquela que a história mais enaltece. Mas esta vitória sobre os espanhóis não fica diminuída se comparada com aqueloutra. E na falta do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, temos o herói Janeirinho.
Porque será que os espanhóis nunca aprendem?...
Para comer uns belos peixes do rio fritos, acompanhados por saborosas migas, num agradável restaurante sobranceiro ao Rio Douro, num início de tarde bem solarenga, acompanhado de um excelente vinho branco da região, de sabor muito frutado, merece bem percorrer as centenas de quilómetros que separam a vila de Figueira de Castelo Rodrigo da casa de cada um.
O tal restaurante sobranceiro ao Rio Douro, onde se comeu um peixinho do rio delicioso
Um aspecto do almoço de sábado, dia 27 de JunhoFoi sem dúvida um belo fim-de-semana. Bem hajas Raposão.
Para alguns (João Novo, Manuel Oliveira, Zé Vasconcelos e Luís Marques), foi também a oportunidade de rever o nosso ex-primeiro sargento António Corga, ao fim de quase 35 anos e recordar os belos tempos passados e as saudosas jornadas de caça em M´pupa. O homem está famoso! Com 70 e muitos anos ainda preside à “Acatin – Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas”.
O nosso Amigo António Corga
Manuel Oliveira, João Novo, Zé Vasconcelos, Antonio Corga e Luís Marques, em Mouriscas
Agora ficamos à espera do próximo convívio, que bem poderá ser por terras de Viriato, se o Adriano Monteiro quiser lançar mão à sua organização.
terça-feira, 23 de Junho de 2009
Roça Lucola
"No meu sonho desfilam as visões,
Arrebatado em vastos turbilhões...
/…/
Esta roça produzia em 1974; café, cacau, palmar e seus derivados, algodão, banana, estas já produzidas em sistema de curvas de nível e madeira para exportação. Neste ano aconteceu um “boom” na recolha de café pelo que literalmente se podia afirmar que havia café por todo o lado, como poderá ainda ser recordado pelos que lá estiveram.
As toneladas que ficaram já descascadas e embaladas foram embarcadas para Cuba.As fotos deste álbum são de são de Duarte, Moita, Girão, Fernandes, Silva e Moreira

Fase da secagem do café
Vista a partir da casa dos oficiais
Pormenor do terreiro de secagem
Outro pormenor do terreiro com o café a secar
Casa dos furrieís e enfermaria
Outro pormenor da secagem do café
Mamoeiros na Roça Lucola
Pormenor do refeitório da 3ª Companhia na Roça Lucola
Casa dos oficiais
Mais café e a casa da roça ao fundo
Foto da praxe
Aspecto do aquartelamento
A Parada
Pelotão posado para a foto
Casa da Roça Lucola. Ao fundo a casa dos oficiais

O macaco Hondini

Vista geral do aquartelamento

Varanda da casa dos furriéis. Facas e Moita
Hora do rancho
Cabral, Girão, Nogueira e Constantino. Em pé o Brazão
Toneladas de café, mais tarde embarcadas para Cuba
sábado, 20 de Junho de 2009
Recordações de Angola - 19
Do António Facas recebemos recentemente mais um conjunto de fotos, Estas abarcam todas as etapas percorridas pela 3ª Companhia por terras de Angola (Cuando Cubango, Fazenda Tabi e Roça Lucola, em Cabinda),
Constantino Leite ex-furriel "Seringas" 3ª Companhia na Jangada em M´Pupa
O famoso BMW 600, Cabinda Roça Lucola, Outubro de 1974 (Facas e Moita)

Fazenda Tabi, praia do Mussulo LINDO o contraste do Atlântico com a vegetação, Março de 1974.

Fazenda Tabi, Janeiro de 1974, o pormenor da bengala, após o acidente com o tal jeep
Feira de Exposições de Serpa Pinto, 22 de Setembro de 1973. Facas, Silva ex-furriel Vago mestre e Leal ex-furriel do Comando do Sector.Uma noite inesquecível a comprovar o Amigo Moita o Zé Vidigal e os da foto.
à janela do meu quarto em Serpa Pinto, com o meu Amigo e ex-furriel Carvalho
Destacamento do Luengue, Fevereiro de 1973, "o pão que o diabo amassou"? Não, na realidade era espectacular e acabado de fazer. O tal chapéu comprado no Rundo, Sudoeste Africano e que foi adoptado por quase toda a companhia

Sentado na Janela do meu quarto messe em Serpa Pinto 10 de Maio de 1973, com a viola e encomenda chegada do Alentejo: tabaquinho "SG GIGANTE", uns queijos Alentejanos e o bom Paio, era para todos e acabava naquele instante, a minha namorada da altura, hoje minha Esposa que se encarregava e bem do envio deste pedaço de amor que passados 36 anos ainda perdura. O tom como se pode verificar é fá sustenido maior com nona aumentada ( para os leigos um acorde composto) toma !!!
segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Recordações de Angola - 19 (Serpa Pinto)
Na verdade, deverei referir que não gostava mesmo nada de fazer operações e sempre que me era possível, “baldava-me”.
Dava primazia às colunas de apoio e protecção a civis, aquilo que era designado por M V L (Movimento de Viaturas Logísticas). Fiz 8 ou 9 para Mavinga – Rivungo e apenas 1 para a Coutada do Mucusso.
Os 2 anos que tínhamos que permanecer em Angola deviam ser passados da melhor maneira possível.
O problema começa quando aprendemos a gostar do sitio onde estamos , “ANGOLA”. E estando nas “Terras do Fim do Mundo” ainda tínhamos tempo para passar fins-de-semana em Moçâmedes, Sá da Bandeira ou Silva Porto. Creio que o fizemos sempre no velho Mustang vermelho do “Velho” Bonifácio.
As recordações aparecem aos poucos. Preparava-me para contar a história daquilo que normalmente era a nossa vivência num MVL, quando de repente me chega à lembrança uma outra história, porventura interessante.
Perante esta situação, uma secção ficou a dar protecção à viatura civil avariada perto da lagoa da Capua. Lá ficámos cinco: eu, o Miúdo, o Marfunha , o Sacassueca e o 1º cabo condutor Dinis, sem rádio e com uma Berliet das curtas, enquanto a restante coluna de reabastecimento seguiu o seu destino.
Nisto, o Dinis teve um ataque de apendicite. Tive que tomar a decisão de pegar nele e na Berliet e levá-lo até ao Cuito Cuanavale (só tirei carta de condução na cidade do Caxito). Cheguei ao Cuito e entreguei o Dinis ao comandante da unidade, que, tanto quanto me recordo, era um Major.
Expliquei-lhe a situação. Mas o tal major não queria deixar-me sair de volta por ser "muito perigoso aquele percurso", dizia o desalmado.
Consegui explicar-lhe que tinha que ir, pois tinha lá 3 soldados e 1 civil sem qualquer meio de comunicação ou transporte. Após ter sido convencido deixou-me abastecer de combustível e rações de combate e lá fui de volta.
Ao chegar ao local a que chamávamos de “Chana Grande”, eu, "experiente condutor sem carta", ligo as redutoras e lá vou de peito feito para enfrentar o que restava do percurso.
Perto da picada que seguia para o Lupiri, havia umas curvas “marafadas” mesmo no limite da chana e a Berliet parou, pois a areia era muita e a viatura não tinha força suficiente para a vencer.
Eu levava sempre uma catana comigo e comecei a cortar bissapa para por debaixo das rodas para ganhar maior aderência (prática que era usual nas viaturas civis, sendo que esta era a principal razão porque os civis levavam sempre um ajudante. Frequentemente ouvia-se: “Mete pau filho da p…”).
Passado algum tempo, que me pareceu uma eternidade, exausto, sem forças, a viatura não saia do mesmo lugar. Aí, parei, descansei e pensei; nunca vi isto acontecer a uma Berliet, o que é que está aqui de errado?
Sabem o que foi? Quando pensei ter colocado as redutoras, desliguei-as e só com tracção a 2 rodas nem as Berliets andavam naquela areia. Passadas algumas horas, sem mais incidentes, lá estava de volta à minha secção.

Estas duas fotos mostram o António Moita nas margens da Lagoa Capua, nas "Terras do fim do mundo"
Encontro Nacional dos Cabindas



sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Figueira de Castelo Rodrigo, Junho de 2009
É já nos próximos dias 26, 27 e 28 deste mês de Junho que se realiza em Figueira de Castelo Rodrigo, bem próximo do Douro Internacional e do Douro Vinhateiro mais um encontro (o oitavo) dos ex- furriéis milicianos da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611.
O almoço de Sábado na "Quinta da Sapinha"
Pausa para descanso e para apreciar a paisagem
As belas paisagens da região do Douro (do lado de cá a Beira Alta, do outro lado, Trás-os-Montes)

Está na hora de partir e das despedidas
Luanda cidade única
- E você
Mana Maria quitandeira
Vendendo maboque
Os seios-maboque
Gritando
Saltando
Os pés pescorrendo
Caminhos vermelhos
De todos os dias?
«Maboque m’boquinha boa
Dóce docinha»
- Mano
Não pode responder
O tempo é pequeno
para vender!
Zefa mulata
O corpo vendido
Baton nos lábios
Os brincos de lata
Sorri
o seu corpo
- seu corpo-cubata!
Seu corpo vendido
>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>>/>Viajado
e noite e de dia.
- Luanda onde está?
Mana Zefa mulata
O corpo-cubata
Os brincos de lata
Vai-se deitar
Com quem lhe pagar
- precisa comer!
- Mano dos jornais
Luanda onde está?
As casas antigas
O barro vermelho
As nossas cantigas
Tractor derrubou?
Meninos nas ruas
Caçambulas
Quigosas
brincadeiras minhas e tuas
asfalto matou?
- Manos
Rosa peixeira
Quitandeira Maria
Você também
Zefa mulata
dos brincos de lata
~
- Luanda onde está?
Sorrindo
As quindas no chão
Laranjas e peixe
Maboque docinho
A esperança nos olhos
A certeza nas mãos
Mana Rosa peixeira
Quitandeira Maria
Zefa mulata-
Os panos pintados
Garridos
Caídos
Mostraram o coração:
- Luanda está aqui!
(Luandino Vieira, in "Cultura II", 1957, nº1
Montagem de quatro fotos, com a ilha de Luanda à esquerda




Outra foto tirada no Mussulo
domingo, 7 de Junho de 2009
Nas "Terras do Fim do Mundo" - 2
Paisagem típica do sertão do Cuando Cubango
O aquartelamento de M´pupa
O Jaime Ferreira, é o seu nome, mora em Canidelo com os Pais.
Mais um Gaiense que chega a M’Pupa. Com todos os que já cá estão o melhor é fundar aqui a Casa de Vila Nova de Gaia! “
Com o decorrer dos dias, a relação com o Jaime tornou-se cada vez mais forte, por todas as razões sobejamente conhecidas.
Kimbo do Cuando Cubango
A idade vai pesando em cada um de nós, mas também nos tem trazido a qualidade que associávamos apenas ao vinho do Porto, pois as nossas relações de Amizade tornaram-se mais fraternais.
O Rio Cubango na povoação do Calai. Em frente a povoação do Rundo, no Sudoeste africano (hoje Namíbia)As ditas “Terras do Fim do Mundo”, foram para nós, sobretudo os elementos da C.C.S., o elo dinamizador da nossa união, talvez devido ao Isolamento em que vivemos, e que nos fez descobrir fórmulas diversas de entretenimento.
Felizmente, fomos capazes de, a uma só voz, entender que era na amizade e lealdade, que estava o caminho certo a percorrer.

sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Serpa Pinto
A rua principal de Serpa Pinto
Vista panorâmica de Serpa Pinto
Como se recordam a 3ª Companhia esteve estacionada durante os primeiros 13 meses na cidade de Serpa Pinto, hoje Menongue, cidade pequena mas simpática, com cinema, bares, restaurantes e uma pastelaria onde passei muitos fins de tarde.
A igreja de Serpa PintoAs nossas tarefas consistiam basicamente na participação em operações em todo o Cuando-Cubango, na protecção de colunas civis que transportavam todo o género de víveres não só para os militares como também para as populações civis que se encontravam ao longo das duas principais vias, ou seja, Serpa Pinto / Rivundo ou Serpa Pinto / Mucusso e também, ainda que em menor escala, aquilo que se chamava de “acções psicológicas”, as quais consistiam em visitar os kimbos da zona, apoiando essencialmente as populações com serviços médicos e de enfermagem.
A nossa actividade baseava-se nestes 3 pólos e aquilo que todos nós pensávamos era passar os dois anos da comissão da melhor forma possível. Eu sempre preferi estar o máximo de tempo em Serpa Pinto que considerava ser uma cidadezinha simpática. Para além disso havia “ O Clube de Sargentos “, onde residia no quarto do 1º andar, com vista para o rio, e que eu achava fabuloso.




No terraço do Vidigal, num momento de ócio, eu o Vidigal e o Afonso (que era Furriel Telegrafista do Comando de Sector)

Criança Guenguela (as moscas e as fezes demonstram a forma inumana como viviam algumas crianças)
domingo, 31 de Maio de 2009
Nas "Terras do Fim do Mundo"
Estava eu a dar instrução militar em Aveiro, no Batalhão de Caçadores 10, quando num fim de semana, em finais de Novembro de 1972, em casa , ouvi falar pela 1º vez nas "terras do fim do mundo" em Angola.
Muito simples: o meu saudoso pai tinha um colaborador na empresa onde trabalhava, cujo nome, se não me falha a memória , era Manuel, e em conversa lhe teria dito, talvez em jeito de lamento, que o neto da senhoria tinha ido para Angola para as "terras do fim do mundo."
Contou em casa o que tinha ouvido, eu memorizei e não me recordo se comentei.
A minha mobilização não se fez esperar e em 18 de Dezembro de 1972 arranco em rendição individual, rumo a Angola a caminho da CCS do Batalhão de Caçadores 4611/1972.
Desembarquei no aeroporto Luanda no início da manhã de 19 de Dezembro, faço as formalidades no terminal militar e venho para o exterior à espera de um táxi que me levasse até à CMR113 (Companhia Metropolitana de Recompletamento 113, localizada no Regimento de Infantaria de Luanda), onde tinha de me apresentar.
O Jaime Ferreira à porta da camarata dos Furriéis em M´pupa. Por trás dele um exemplar da "Declaração Universal dos Direitos do Homem", que pertencia ao Luís Marques e que era de leitura obrigatória (pelo menos um dos seus artigos) antes da entrada de qualquer um dos furriéis na camarata
Talvez a imagem que me dominava fosse de timidez e meio perdido. Fui interceptado por um Tenente do exército, que por sinal viajou no mesmo avião e me convidou para ir para junto dele . Depois das perguntas habituais: De onde és , qual a tua especialidade, para onde vais, etc., aparece a carrinha de transporte de passageiros militar e com as recomendações dadas pelo amigo de ocasião ao condutor da viatura, lá fui eu a caminho da CMR113.
Faço a apresentação, e fico logo a saber que no dia 21 de Dezembro estava de sargento de dia à companhia.
O Jaime Ferreira (em primeiro plano) esteve de sargento da guarda, no dia da visita do General comandante da Zona Militar Leste ao aquartelamento de M´pupa.
Faltava avisar a família que tinha chegado bem, e então lá fui ao centro da cidade de Luanda aos correios mandar o velho telegrama. Não me recordo se foi antes ou depois de o ter feito, encontro-me cara a cara com um colega da escola industrial onde tinha andado (Vila Nova de Gaia), que estava a cumprir o serviço militar em Moçambique e estava a passar férias em Angola em casa de uma irmã. Estava tudo a correr bem. Foi maravilhoso, reconfortante e logo o convite de que se cá estiveres no Natal vais passá-lo comigo.
O Jaime Ferreira a entrevistar o Fernando Pinho (este há muito radicado no Brasil), durante um torneio de futebol em M´pupa. Penso que foi aqui que surgiu a célebre frase: "prognósticos só no final do jogo"
Tudo se passou da maneira seguinte: tinha a formatura feita para o almoço, quando chega junto de mim o cabo cozinheiro e me informa que o almoço estava um pouco atrasado e seria melhor mandar destroçar e voltar a formar um pouco mais tarde, face ao calor que se fazia sentir. Pensando que fazia uma grande coisa, em não ter os homens parados e com o sol a pique, avisei a formatura do sucedido, pedi para não dispersarem muito e mandei destroçar.
Ainda o pessoal não tinha escolhido a sombra quando o comandante da companhia aparece perguntando o porquê da companhia não estar formada.
Bem pequena esta cobra, não?
Imaginem o cagaço. Lá fui eu, como se costuma dizer, de chapéu na mão, falar com o capitão. A ameaça de uma "porrada" foi das primeiras coisas proferidas, mas depois de algumas explicações lá entendeu que não houve desleixo e ficou-se por me aplicar um sargento de dia (à Benfica) na manutenção militar no dia 23 que acabei por não cumprir, porque entretanto chegou a guia de marcha para M’pupa e a partida era precisamente nesse dia.
Foi o melhor, imaginem, que me poderia ter acontecido.
No rescaldo de uma noite de caça
Passei o Natal em Nova Lisboa , a passagem de ano em Serpa Pinto (com o pessoal da 3ª Companhia) e no início de Janeiro lá estava eu em M’pupa, nas "terras do fim do mundo " depois de uma viagem em MVL, na CCS do Batalhão de Caçadores 4611/1972, onde encontrei um grupo extraordinário .
O Jaime Ferreira fazia parte da equipa de caça de M´pupa (apesar de não ser atirador de infantaria, mas sim de transmissões, o Jaime tinha uma pontaria invejável
Depois ,com o decorrer de conversas e mais conversas, fiquei a saber que o neto da senhoria do Sr.Manuel (colaborador do meu pai) afinal era o José Manuel Francês. Por ironia do destino viemos ambos parar às "Terras do fim do mundo".
A já célebre jangada de M´pupa, no Rio Kuitosábado, 30 de Maio de 2009
O tempo passa sem regresso
A mesma estrada em 2009 vista no sentido contário
quinta-feira, 28 de Maio de 2009
OH HOME!! BOTA LÁ SENTIDO !!
Quem não recorda o carinho, quase como se fosse um Pai, com que procurava proteger todos os que “punham o pé na poça”?…
Estávamos nós em M’PUPA ! Na solidão das terras do fim do mundo .
Tinha chegado o avião, com o nosso correio, com as encomendas que nos eram remetidas pelos Pais e não só…
Ao receber a minha encomenda, enviada por meus Pais … senti de imediato que o Capitão punha o seu “nariz” no ar !
Bolas, ele conseguiu saber antes que eu abrisse a dita, o que lá vinha…
Relatava eu , então o seguinte:
“Recebi a encomenda que me enviaram. Obrigado. Qualquer noticia é sempre recebida com muita alegria. As encomendas então fazem-me sempre crescer água na boca… O queijo então “era” fabuloso!
Obrigado.Muito Obrigado ! Pois um queijo assim em M’Pupa é verdadeiramente raro…
Quando me viu receber a encomenda disse logo: "Eh! Francês, logo vou à Messe “conversar” contigo !!
Chegou no final da tarde e disse ao entrar: "Não sei porquê, mas cheira-me aqui a queijo do Francês !!"
E pronto. Lá foi mais um a ajudar que rapidamente terminasse…
É um óptimo companheiro e muito Amigo. Gosto dele ! “
Com este pequeno texto, quero, uma vez mais deixar o meu testemunho e a singela HOMENAGEM a um AÇORIANO de GRANDE CORAÇÃO.
Obrigado Capitão Manuel Ferreira Júnior por tudo o que comigo partilhou.
Pudera eu agora abrir uma nova encomenda e senti-lo connosco !
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Operação Vendas Novas
Teofrasto
“O homem sonha, Deus quer e a obra nasce”
E ao fim e ao cabo tudo se resume a esta simplicidade, a sonhos e ao querer. Sonhos e querer que se materializaram no passado sábado dia 23 de Maio quando ao final de 35 anos consegui voltar ao convívio dos meus heróis de menino e de amizades que se mantinham e não estavam interrompidas, pois eu voltara a ser o Muano de 12 anos e eles os jovens de vinte e poucos.
Conversando com eles e observando-os dei por mim a pensar que estes meus heróis não o eram por terem arrasado com os índios que havia na paisagem, não o eram por terem conquistado cidades, as suas medalhas, aquelas que orgulhosamente ainda ostentam no seu peito são as amizades que contraíram com os seus camaradas de jornada e que ainda hoje mantêm polidas, brilhantes e que orgulhosamente exibem quando passam o braço pelo ombro do seu camarada e se lembram de M´pupa, Serpa Pinto, Fazenda Tentativa, Tabi, Cabinda e Lucola, ou quando, como me referia o Elias em conversa, o diálogo se faz de silêncios. Tudo fez parte... tudo é cumplicidade.
E regressando aos meus pensamentos, no rescaldo da “Operação” dei por mim a pensar que foi decerto isto que me atraiu nesta tropa, estes valores, esta amizade que ainda hoje mantêm viva, este facho que rodam perpetuamente entre eles de modo a alimentá-lo com o seu calor e que decerto se manterá vivo enquanto houver um que o possa fazer.
Mas também queria deixar registo de que o passado dia 23 será mais uma marca na minha árvore de vida, será um entalhe no lado feliz do meu embondeiro, pois regressar ao vosso convívio era algo que até há pouco tempo atrás nada faria supor que tal pudesse acontecer em tão pouco espaço de tempo. Graças em parte ao Fórum do Batalhão 4611, mantido pelo Luis Marques e à disponibilidade do Facas em se ter chegado à frente para organizar o encontro no seu “Kimbo”.
No regresso passei por casa da minha mãe e ao mostrar-lhe as fotos, “ela estava em pulgas”, como podem imaginar, exclamou: “Também estão a ficar velhotes!”
Entendam isto como um elogio...
E aqui estamos, as fotos falam por si, as legendas são só para referência mas gostava ainda de vos dizer que a prioridade hoje continua a ser a de não deixar ficar ninguém para trás, este foi o aperitivo, vamos a ver se em Novembro conseguimos pôr uma companhia a dar um passo em frente e a afirmarem-se presentes! Nem que seja ao som de uma “cornetada” do Silva.
“Conduta Brava e em tudo Distinta” creio que continua a ser o lema que norteia as várias batalhas que se apresentam na vossa vida.
Da esquerda para a direita, Figueira, Moita, Facas e Brazão. De costas Silva e Cabral(clica para aumentar)
Vítor Fernandes(clica para aumentar)
As bonitas filhas do Luís Marques (Filipa e Rita) (clica para aumentar)
Os primeiros tiros...(clica para aumentar)
domingo, 24 de Maio de 2009
REGRESSO

No rescaldo da “Operação Vendas Novas”, iniciativa em boa hora assumida pelo António Facas, ficaram-me na memória as imensas conversas tidas à mesa do “Retiro do Bom Gosto” versando as memórias colectivas de todos nós, quase todas rondando os temas M´pupa, Serpa Pinto, Fazenda Tentativa, Tabi, Cabinda e Lucola.
Ficou patente que em todos está aprisionada uma saudade enorme das terras angolanas, a aguardar (até quando?...) pela sua libertação, seja porque forma for.
Ficaram-me igualmente gravadas as palavras sentidas do Fernando Moreira, confidenciando-nos guardar as cinzas de seu pai “mindele” Moreira com o propósito de as libertar no "Sítio do Vento – Vuku", no Lucola, lugar que ele escolheu para viver e morrer , desejo que a história impediu de concretizar.
Também eu desejo rever essa terra enfeitiçada, e “sentir” novamente o cheiro embriagante que exala da terra quente depois de uma chuvada. Talvez não consiga realizar este desiderato, mas acredito que o Fernando consiga o seu.
A este propósito, leiam o poema “regresso” da poetisa Angolana Alda Lara que se segue:
Não mais o pregão das varinas,Tenho sede…
Sede dos crepúsculos africanos
Mas pressentia em cada horadomingo, 17 de Maio de 2009
Recordações de Angola - 18 (Fazenda Tabi)
Um domingo de Futebol na Fazenda Tabi, em Fevereiro de 1974 (o Brazão a iniciar a jogada e o Capitão Teixeira de braço no ar a pedir a bola)
O Moita a finalizar a jogada (resultado: de escuro 2, de branco 1)
Uma defesa do saudoso 1º sargento Ribeiro (ao fundo a fiel assistência de sempre)
As 2ªs, 4ªs e 6ªs. Feiras saía da Fazenda Tabi uma viatura com destino a Luanda.
Entre outras variadas razões a finalidade era levar o pessoal doente ao hospital militar, tratar assuntos no Grafanil e outros e também servia para levar os “desenfiados”, principalmente às 6ªs Feiras, passar o fim-de-semana em Luanda. Não éramos propriamente os únicos a fazer “isto”, porque encontrávamos muito pessoal das outras companhias e também da C.C.S., ainda bem !! .
A estrada de Ambriz para o Caxito, na zona da Fazenda Tabi
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Depois era para arrancar em direcção a Luanda, havendo o cuidado de não passar junto à Fazenda Tentativa (sede do Batalhão), para não dar muito nas vistas (na realidade, existia um certo respeito. Receio, ou seria apenas para evitar chatices? (vou mais pela última...). Fosse o que quer que fosse, evitar a Fazenda Tentativa era essencial
Tudo bem: lá vão eles para Luanda e entre os destinos certos, estava o almoço no “Amazonas”, depois de tudo o resto tratado.
A estrada Ambriz / Caxito na zona da Fazenda Libonbos, onde se situava o posto de controlo
Um pouco antes de chegarmos à barreira de controlo, numa pequena descida, havia qualquer coisa que não era normal: um jeep da OPVDCA, fora do alcatrão e uns fulanos de braços no ar. Na altura não nos apercebemos o que se tinha, os estava a passar. A nossa viatura apenas transportava doente e nem sequer havia um operacional. Também não levávamos rádio. Também porque havíamos de levar? Nunca tinha acontecido nada digna de registo nas vezes anteriores.
Fomos então informados que tinham sido atacados e até havia feridos. O nosso pensamento (meu?...) foi o de “arrancar” e no primeiro aquartelamento dar notícia da ocorrência, no sentido de se tratarem os feridos e ver “ou apanhar” quem os tinha atacado.
A avenida principal da cidade do Caxito
Como na cidade do Caxito havia uma Companhia de Cavalaria (que eu conhecia por lá termos ido fazer um jogo de futebol de salão) e era mais perto que a sede do Batalhão, na Fazenda Tentativa, foi naquela que demos o alarme. Dado o alarme, partimos para Luanda. Até aqui pensávamos estar tudo bem.

No regresso à Fazenda Tabi, já ao fim do dia., ou mesmo à noite, chovia que se fartava, estava “montes” de pessoal da C.C.S., armados, nos dois sentidos da estrada, a aguardar a passagem da nossa viatura e com ordens de conduzir o graduado da viatura (neste caso eu) à presença do 2º Comandante do Batalhão (major Moreira) e posteriormente ao próprio Comandante do Batalhão, Coronel Mendonça. Tudo isto se deve ter passado no mês de Março, ou Abril de 1974, porque eu tinha férias marcadas para Agosto desse ano – e isso foi logo ao ar. “Férias, nada, e não vamos ficar por aqui”, palavras secas intimidatórias e ameaçadoras do Coronel Mendonça.
Posteriormente vim a saber que houve troca de mensagens por todo o lado, as quais foram ouvidas pelas transmissões da C.C.S. Bom, o desgraçado do furriel Facas estava referenciado.
Levei uma tal “descasca”, que mais anos que viva não a irei esquecer. Felizmente tudo passou. Não vim efectivamente de férias em Agosto, Mas vim em Setembro, graças ao esforço desenvolvido pelo nosso ex-capitão Teixeira. Depois do regresso de férias ficaram a faltar dois meses para a desejada “peluda”.

Outro aspecto da estrada de acesso à Fazenda Tabi
Reconheci que errei. Que não dei o protagonismo a quem devia, ou a quem queria.
Estamos aqui a recordar estes factos e a pensar que se a tal Mercedes 1924 nesse dia não quis trabalhar e tal facto levou a um atraso de 2 horas sobre o horário habitual, julgo que a emboscada nos era dirigida, caso a tal Mercedes tivesse colaborado e quisesse ir connosco até Luanda
A única coisa que se aproveitou foi o almoço no “Amazona”, porque o pequeno-almoço no Caxito, esqueçam.
sábado, 16 de Maio de 2009
SPM 6676
Em 15 Abril de 1971, iniciava eu a minha vida militar, jovem imberbe, acabado de deixar pela primeira vez o colo acolhedor de meus Pais, chegando ao RI5 – Caldas da Rainha.
Após uma noite de viagem, dos factos dava conta em carta que meu saudoso Pai foi guardando ao longo da ausência, factos agora reencontrados e revividos.
Sem imaginar que era o primeiro passo de um período longo da minha juventude ( Abril de 1971 a Novembro de 1974 ) que me iria conduzir a inúmeras experiências, ao conhecimento de novas terras e Povos, mas acima de tudo a uma “nova Família”.Naturalmente, como a todos nós, ex-militares, os primeiros dias foram tenebrosos. Era o habituar a uma nova realidade, um novo ritmo contrário a tudo o que até então se tinha vivido,
na maior parte das vezes, com o anular da vontade e desejo individual, preparando-nos para uma guerra que não queríamos, mas para a qual estávamos praticamente todos condenados.
O levantar, não ao som melodioso da voz de nossas Mães, como estávamos habituados, mas ao som de um clarim nem sempre bem tocado, com o ritmo alucinante de que a partir desse
momento tínhamos que correr, saltar, comer e não descansar, era já o preâmbulo das inquietações que passaríamos a viver.
Depois de uma recruta e do curso de enfermagem acelerado tirado em Lisboa, juntou-se um meio ano dito de especialidade em Elvas, e, já conhecedor de uma mobilização para Angola, fui
colocado em estágio, antes de sair para a formação do Batalhão, finalmente junto de casa no RASP, em Vila Nova de Gaia.
Devo dizer que ainda hoje me pergunto, porquê enfermagem, eu que até estudava “engenharia mecânica” !!
Finalmente, lá me tive que apresentar em Évora, para a formação do Batalhão de Caçadores 4611/72 !
No mesmo dia fui recambiado para Santa Margarida, juntamente com outros para arrancar com os preparativos.
A 10 de Novembro de 1972, escrevia a meus Pais, dando conta de que o embarque para Angola se iria efectivamente realizar, e informando o endereço postal: SPM 6676!
Seria naturalmente extensivo, descrever todos os sentimentos e situações que nos conduziram até ao NATAL de 1972.
Fui procurando “ocultar” o que de menos agradável ia ocorrendo, e transmitindo sempre sensações de bem-estar e alegria.
Naturalmente que recordo hoje algumas situações que me marcaram neste período.
A primeira viagem de avião!
A chegada a Luanda na manhã de 11de Novembro de 1972, onde o calor e humidade então sentida à porta do avião, parecia ser uma barreira a não transpor. O Grafanil e tudo o que ele representava.
Um veterano completamente cacimbado, que aguardava a partida para o “putu” e me ofereceu um calendário que ele tinha feito, e que me acompanhou durante toda a comissão , dizendo-me :
Ò maçarico, só te faltam 730 Dias !!
Em cada manhã a partir desse dia , alterava a contagem decrescente…na esperança de que rapidamente chegasse o dia do regresso.
Foi depois a viagem no MVL desde Luanda até M´Pupa. Foi nesse período que aconteceu o 1º acidente, o Roriz, logo ele, tinha que deixar um dedo anelar ser decepado pelo anel que a namorada lhe tinha oferecido.
Foi o chegar, a um local que se revelou, felizmente, um pequeno paraíso, onde fomos estreitando as nossas relações de amizade e conhecimento.

A "piscina" de M´pupa, no rio Kuito
Foram as caçadas, já descritas neste Fórum! Foi o nascer do espírito, forte , que hoje nos une , foi o contar das horas com o som da cachoeira no rio, onde nos banhávamos, foi o nascer e por do sol, foram os cheiros e as cores, foi a chuva e o frio, foi a interligação com o Kimbo Ganguela que tínhamos paredes meias com o aquartelamento.

O aquarelamento de M´pupa (em primeiro plano o edifício do Comando do Batalhão e ao fundo o posto médico, "reino" do José Manuel Francês)
Foi o jovem João Lupembe Cassela, a quem decidi dar “conhecimentos“ a que ele não tinha acesso. Aprendeu a ler, a dar injecções, a fazer pequenos tratamentos e era um mais na equipa de enfermagem.
Acreditem que tenho saudades, do rapaz de então, hoje, espero, feito homem, e que me fez verter lágrimas, quando chegado o dia de partir para a Fazenda Tentativa me pediu:
“ Dotor, leva-me contigo … quero aprender mais. Eu já não posso ficar aqui na M’pupa! “
São palavras que tenho bem guardadas nas minhas recordações.
E entretanto chegou o primeiro Natal, que tendo em conta as condições em que estávamos, se anunciava como triste.
Foi o nosso espírito de grupo, a nossa amizade e a capacidade de criar praticamente todas as condições que permitiu que eu dissesse a meus Pais, que “ até me esqueci que estava em M’Pupa, pois o menino também nasceu aqui!...".
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Batalhão de Artilharia 635

Hoje de manhã, ao "abrir" a caixa de correio do Fórum 4611, encontrei a mensagem que abaixo reproduzo.
A mensagem vem de França e foi-nos enviada pelo António Gonçalves Martins Pereira, ex- 1º Cabo nº 2297/63, que prestou serviço militar em Angola na C.C.S, do Batalhão de Artilharia 635, no período de Fevereiro de 1964 a Junho de 1966 (bem "velhinho", portanto).
O António Pereira vive em França (43, Rue de la Poste, 01200, Bellegarde, France).
A mensagem é esta:
"Muito obrigado.
Assim começo a minha mensagem.
Hoje mesmo , 44 anos depois, revejo fotos que me mostram por onde eu andei, desde Fevereiro de 1964 até Junho de 1966. Pertenci ao Batalhão de Artilharia 635 da companhia da CCS. Em 1964 estivemos em Zala, mas uma companhia ocupava Vila Pimpa e outra na Bela Vista. Em Janeiro de 1965 estivemos em Ambriz e Ambrizete, ocupando ao mesmo tempo as fazendas mais próximas.
Quero acrescentar que não tenho saudades da guerra, mas sim de muitos amigos, que nunca mais reencontrei.
Aqui deixo neste vosso site mais um pedido para encontrar alguns amigos de outrora. Aqui deixo o meu endereço se não vos incomoda. antoniopereiragoncalves@sfr.fr
Uma vez mais muito obrigado por tudo e parabéns.
Um abraço a todos os ex-militares em geral.
Não tenho saudades da guerra
Mas sim de tantos amigos meus
Companheiros de uma longa fada
No melhor tempo da nossa mocidade.
Por entre matas e picadas
Tantas vezes imploramos a Deus
Que nos guiasse até á nossa terra
Ali reencontrar a nossa amada
Para uma união de felicidade."
Pessoalmente estou convencido que a publicação desta mensagem no nosso blogue vai ajudar o António Pereira a encontrar os seus antigos camaradas que com ele estiveram em terras angolanas. O nosso blogue parece ter essa vocação. Vejam o que se passou com a família Sousa Lara e com o nosso Fernando Moreira.
Estou também convicto que os nossos "coca-bichinhos", não vão descansar enquanto não localizarem o rasto do Batalhão de Artilharia 635, nessa montra virtual que é a Internet.
Conto com isso e tenho esperança que em breve poderemos anunciar mais um reencontro.
O e-mail do António Preira é:
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
O reconhecimento da Pátria (que não temos...)
“A nossa Pátria, para fazer-se amar,
deve ser amável”
Edmund Burke, in “Reflexões sobre
a revolução francesa”
Em Portugal, muito recentemente, foram trasladados os corpos de alguns militares (pára-quedistas da Companhia de Pára-Quedistas 121) mortos na Guiné.
Acresce que a trasladação não se deveu a qualquer iniciativa do governo português, mas a um conjunto de boas vontades e empenho de antigos militares, sob a égide da respectiva associação, fiéis ao lema dos pára-quedistas portugueses, "ninguém fica para trás".
Vem isto a propósito, se outra razão não houvesse (e há!), das imagens que aqui publicamos no Fórum 4611 que documentam a homenagem prestada pelo povo do Canadá a 6 seis dos seus militares mortos em combate.
Em Portugal, nunca se viu uma homenagem deste tipo a quem dá a vida pela Pátria (sejam Soldados, Polícias ou Bombeiros).
Faz parte da cultura e da educação de um Povo.
Como nos dizia há dias o Fernando Moreira, “Esquecer o passado, não aprender com ele e não o honrando será uma forma dos povos irem perdendo o seu horizonte”.
Continuamos a ser um povo ingrato e ridículo, que em vez de defender quem nos protege, apenas se lançam criticas, por que é moda falar mal do próximo.
Em Portugal só fazemos isso pela Selecção Portuguesa de Futebol, que nunca ganhou coisa nenhuma, embora sejam pagos ao peso do ouro.
Estas imagens mostram bem a diferença de cultura de dois Povos.
Enquanto num país se escondem aqueles que derramaram o seu sangue pela independência e liberdade da Pátria, remetendo os seus restos mortais, “esquecidos”, para a porta das traseiras, e arrumando-os num qualquer saguão, noutro país prestam-lhes a merecida homenagem.
Enquanto isso, os que têm vergonha dos seus verdadeiros heróis, enaltecem os seus mercenários e os “heróis” de pacotilha, pagos a peso de ouro.
Soubesse a Pátria honrar aqueles que por África andaram e os que lá morreram.... Acho que não era pedir demais.

A chegada do avião que transportou os restos mortais dos seis soldados mortos em combate à base militar de Trenton, Canadá
A partida do cortejo da base militar de Trenton, a caminho de Toronto
Ao longo da estrada milhares de cidadãos vestindo "t-shirts" vermelhas
Ao longo do percurso, os bombeiros com as suas mãos sobre os seus corações
Entre Trenton e Toronto, há 50 pontes, todas elas ocupadas por policias, bombeiros e, especialmente, pelo povo anónimo

A população veio saudar estes heróis
Os cidadãos de Oshawa nas pontes a saudar os seus heróisSeguem-se algumas imagens da cerimónia de homenagem aos três pára-quedistas cujos corpos foram resgatados das suas sepulturas na Guiné pelos seus antigos camaradas.
Quero destacar que a homenagem foi uma iniciativa da Associação de Pára-quedistas e teve lugar na Base Aérea de Tancos. Não foi, portanto, uma homenagem da Nação. Porquê?







Soldado pára-quedista António Vitoriano
















































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