segunda-feira, 31 de agosto de 2009

LUIANA - 3 MESES DE ISOLAMENTO

(Por Jorge Correia)



"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade."
  (fragmento de "É proibido" de Pablo Neruda)



O destacamento do Luiana (foto cedida por Manuel Almeida)
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Serpa Pinto, Julho de 1973:

Estava numa bela tarde de “dolce far niente” no quartel de Serpa Pinto, quando vejo o Figueira (sempre ele) aproximar-se de mim junto com outra pessoa,. Tratava-se do Alferes Miliciano Botelho Moniz pertencente ao quartel de Sá da Bandeira que ia a caminho do Luiana, comandar o destacamento. Apresenta-nos e diz-me que o vou acompanhar a ele (Botelho Moniz) com o meu grupo de combate para reforçar o destacamento do Luiana que tinha uma guarnição reduzida.

Outra imagem do Destacamento da Luiana (foto cedida por Manuel Almeida)
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OK! Já estava habituado a ser eu a alinhar, por ser o mais novo. Logo na apresentação gostei de Botelho Moniz e senti que ele também tinha gostado de mim, havia uma empatia. Colhemos informações um do outro e à noite voltámos a encontrarmo-nos. Percebi que estava algo apreensivo, fomos a um café jogar snooker e ele perguntou-me se eu jogava xadrez e ténis! Respondi afirmativamente e logo me lembrei do sacana do Vidigal que todas as tardes de sábado me ia acordar para ir jogar ténis com ele. Graças a Vidigal aprendi a jogar ténis, mais ou menos forçado e ainda por cima o manguelas do Vidigal assim que aparecia o Major para jogar, punha-me fora e jogava só com o Major.

Óptimo, respondeu Botelho Moniz à minha afirmativa, pois levava na sua bagagem um tabuleiro de xadrez e um par de raquetes de ténis e respectivas bolas. BM era filho do Coronel Botelho Moniz, comandante do quartel de Sá da Bandeira, era uma pessoa afável, elegante e muito educado. No dia seguinte lá embarcámos num avião Nordatlas para Luiana, eu, ele o cabo Silva e os soldados Esteves, Tavares, Marfunha e Chilombo.

Aspecto do Destacamento do Luiana (foto cedida por Manuel Almeida)
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Chegados ao Luiana, fomos recebidos por outro Alferes, Trigueiro de seu nome, três furriéis operacionais, um furriel enfermeiro e um 1º sargento. Tudo gente boa, menos o outro alferes que era um indivíduo truculento, natural de Sá da Bandeira todo armado em alto operacional (estes normalmente são os piores), felizmente Botelho Moniz ia comandar o destacamento. Lembro-me de me ter confessado que estava um pouco desolado, o destacamento era circular, de pequenas dimensões, com um Kimbo também pequeno ao lado e entre os dois uma casa de bom aspecto, porém fechada e desabitada,..esclarecem-nos que tinha pertencido ao chefe de posto, que tinha ido em tratamento psiquiátrico para a cidade do Luso e nunca mais tinha voltado. Tudo perspectivas animadoras, pensei eu.

O destacamento no entanto tinha um ar limpo, havia um campo cimentado de futebol de salão, onde com Botelho Moniz também jogávamos ténis, a messe era conjunta de oficiais e sargentos e a casa dos sargentos era espaçosa e bem arejada, um luxo para as circunstâncias! Á noite, normalmente jogava xadrez com BM depois do jantar, reunia-me com o pessoal do meu grupo nos seus alojamentos e aos sábados íamos ver a festa do Kimbo com danças indígenas muito interessantes pela sua vertente cultural. Certa vez uma miúda do Kimbo ofereceu-se para ser minha mulher durante a minha permanência no destacamento, para isso bastava dar-lhe três panos coloridos, para fazer vestidos. Declinei amavelmente a proposta.

Jorge Correia e Botelho Moniz junto a um dos dois hipopótamos abatidos no Luiana. Estes dois hipopótamos alimentaram o Kimbo do Luiana durante dois meses.
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A vida no destacamento decorria pachorrentamente, fazia questão de a encarar como um centro de estágio, de manhã ia com o meu grupo buscar lenha, seguindo de imediato para a praia fluvial, onde os rastos indicavam que os crocodilos já tinham apanhado sol encaminhando-se para a água, por precaução atirávamos duas granadas para dentro de água antes de tomarmos banho, depois de almoço dormia a sesta e por volta das 4 h havia futebol. Não fazia operações porque não tinha levado a segunda dose da vacina da mosca do sono. Era uma chatice ficar sempre no destacamento, finalmente chegou a vacina e depois de injectada ainda fui a tempo de fazer uma operação a caminho da fronteira com a Namíbia. Uma berliet e dois unimogs, foi fantástico porque no percurso deparámos com imensos animais selvagens de grande porte, Elefantes, Hipopótamos (estes víamos quase todos os dias perto do destacamento) Búfalos, Pacaças, Leões, Zebras e Girafas já muito perto da Namíbia. Eu e o Furriel Filipe íamos de Unimog sentados em cima de dois sacos de areia e o Alferes Trigueiro ia na Berliet sentado em cima de quatro sacos de areia,...é só um pormenor.

A determinada altura um acontecimento chato; numa formatura de manhã ao pequeno-almoço o Alferes Botelho Moniz resolve fazer uma revista ao pessoal que estava de serviço. A propósito de uma alegada má uniformização BM dá uma violenta bofetada em Chilombo que o deita ao chão. Assisti ao acontecimento de longe, pois não estava de serviço e portanto não estava na formatura, mas senti-me humilhado e até ofendido por um soldado do meu grupo de combate ter sido agredido, numa situação em que tal não era de todo justificado. Os ânimos andavam por demais exaltados, Trigueiro era um provocador e já tinha havido pequenas escaramuças com quase todos os furriéis. No entanto a agressão partiu de quem menos se esperava, de Botelho Moniz. Nós sabíamos que Botelho Moniz era constantemente pressionado por Trigueiro para endurecer a disciplina no destacamento o que nas circunstâncias em que estávamos não era de todo aconselhável, só serviria para criar atritos como veio a acontecer. À noite, depois do jantar, tentei falar com o Alferes Botelho Moniz, depois de quase todos terem saído, ele estava a ler uma revista antiga e a beber um whisky e eu aproximei-me perguntando o que na verdade se tinha passado. Botelho Moniz com bons modos disse-me que não queria falar sobre o assunto, pois sentia a cabeça num turbilhão. Respeitei a decisão dele, mas inconformado decidi levar o caso adiante e escrevi ao Capitão, comandante da companhia a contar o que se tinha passado com um dos nossos homens, numa situação que por si só, haveria de levar a uma tentativa de sublevação no destacamento. Todos os furriéis e o próprio Sargento pegamos nas G3 e ocupámos o posto de cripto. Houve um momento de grande tensão. Depois de algumas horas e a conselho do Sargento acabámos por regressar aos aposentos,...não houve qualquer reacção. O Capitão não me respondeu, mas depreendi que tinha feito uma qualquer diligência, pois uns dias mais tarde apareceram no destacamento O Coronel Mendonça, o Capitão Amaro e o Tenente Capelão Geraldes, nenhum deles falou comigo, mas à hora do almoço houve um momento caricato, após uma troca de palavras que não consegui ouvir o Tenente Capelão Geraldes passou uma valente "piçada" ao Alferes Trigueiro,....pareceu-me óbvio o motivo da visita e a sua oportunidade.
Jorge Correia, Brazão, Carvalho e Nogueira no Quartel de Serpa Pinto

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Depois deste episódio, a tensão continuou, mas as coisas ficaram um pouco mais definidas e o Alferes Trigueiro andou durante uns tempos de cabeça baixa, mal falava na messe a Botelho Moniz. Duas semanas antes de me vir embora, Botelho Moniz consegue ir no Nordatlas que nos abastecia de 15 em 15 dias, para o Luso, com o propósito de ir a uma consulta médica,... (antes de embarcar desabafa comigo que já não aguenta viver no mesmo quarto que aquele tipo, (Trigueiro). O Nordatlas voltou 15 dias depois, um dia antes da minha partida, mas chegou sem Botelho Moniz. Trigueiro estava no comando, mas para espanto geral, a comandar sozinho, andava mais pianinho, sabia provavelmente que não seria saudável arriscar-se a invectivar o pessoal que manifestava uma forte saturação e explodiria à menor provocação. No entanto ainda esboçou uma gracinha, quando me disse que era da praxe quem saía, pagar duas grades de cerveja,...sem grande paciência, retorqui que tinha por costume só pagar cerveja a amigos. Na altura, não me disse nada,..mas vim a saber mais tarde que me ameaçou com uma porrada, já depois de me vir embora, enfim, próprio de cobardes! No dia seguinte finalmente chega a minha rendição, antes do almoço vejo vir na minha direcção o meu querido amigo e sorridente Furriel Gomes....o inefável Gomes, o homem da parapsicologia. Apanhámos o avião Dakota pilotado por Sul-Africanos e chegámos à noite a Serpa Pinto. Em Novembro vim de férias ao Puto.
Durante uma operação algures no Cuando Cubango, o Jorge Correia e o Figueira
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Em Novembro de 74, a poucos dias do regresso definitivo, em Luanda, estava numa mesa do Pólo Norte com Figueira, Lopes e Facas e avisto numa outra mesa uma pessoa que me acena com o braço,..era Botelho Moniz, levanto-me e dirijo-me à sua mesa, apresenta-me a sua noiva e um casal amigo, digo-lhe que faltam poucos dias para regressar a casa, finalmente! Não tocamos no assunto Luiana, desejamo-nos mutuamente felicidades. Não soube nada mais dele.

  

Destacamento do Luiana (foto do Manuel Almeida)
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20 comentários:

Luis Marques disse...

Na altura em que o Jorge Correia estava no destacamento do Luiana (penso que de Julho a Setembro de de 1973) fui lá em coluna militar largar um Grupo de Flechas, acompanhado por uns tipos da DGS para uma operação (se bem te recordas, havia incursões de "turras", vindos da Zambia).
Foi uma visita relâmpago e apenas deu para beber convosco duas ou três cervejas (tenho até a impressão que as "bazukas" frescas que lá bebemos foram trocadas por umas - quentes - que nós levávamos na coluna, dado que já sabíamos que a cerveja não abundava lá no destacamento, devido ao seu enorme isolamento. Tenho a certeza que o destacamento da Luiana era a guarnição militar mais isolada de toda Angola. Basta ver no mapa...
O regresso foi feito por território Sul-Africano (Namíbia), porque os gajos da DGS estavam cheios de pressa e o retorno por Angola (Dirico) era muito demorado (muitas horas e em plena noite). Ainda bem, pois as estradas sul-africanas eram bastante melhores que as picadas angolanas. Lembro-me ainda de no regresso, em plena Namíbia, ter assistido à maior queimada que vi em terras angolanas (no caso, não eram terras angolanas, mas sim sul africanas...). Um bom par de horas com a savana africana em chamas. Um espectáculo deslumbrante e ao mesmo tempo terrível.

Luís Marques disse...

Este alferes Botelho Moniz é neto do General Botelho Moniz que "armou" um golpe de estado contra Salazar em 1961 (conhecido pelo Golpe Botelho Moniz) e que faleceu em 1970, O golpe de estado foi abortado, mas o General dão se livrou de ser preso.
E pelos vistos, a "perseguição" estendeu-se ao seu neto, pois neto de General e filho de coronel, comandante do Quartel de Sá da Bandeira, muito dificilmente iria parar ao destacamento militar mais isolado de Angola. A não ser que se oferecesse como voluntário, ou por qualquer "porrada" de que o pai não o conseguiu livrar...

Jorge Correia disse...

Luis, não sei de facto quais os motivos que levaram Botelho Moniz ao Luiana.
Interessante seria que ele tomasse conhecimento deste post e se manifestasse,...e nada é impossível.

Abraço!

António disse...

É simpático como as recordações de uns desenterram as dos outros. Eu nunca fui ao Luiana, mas só por mero acaso, pois era um local que sempre me foi dito como sendo cenário africano, tal qual o Correia relata. Quando foi necessária a rendição do Correia, eu efereci-me como voluntário para o substituir e quando estava a sair do Hospital de Serpa Pinto após me ter sido administrada a vacina contra a doença do sono, chegam o João Gomes com o Filipe e diz-me este; já não vais, fui buscar este gajo a Luanda e agora vai castigado para o Luiana. E assim eu já não fui conhecer uma parte do paraiso. O João Gomes como o Correia diz era das parapsicologias e havia mais de 1 mês que andava desenfiado em Luanda, o Filipe foi de prepositadamente buscá-lo.

Correia é realmente agradável tornar este espaço num album de recordações.

fmoreira disse...

O “GOLPE” DE BOTELHO MONIZ
No período que antecedeu a guerra colonial havia entre os servidores do regime divergência de pontos de vista, como já temos referido.
São por demais conhecidas as dissidências de Humberto Delgado e de Henrique Galvão a que, em certa medida, viria a juntar-se o Marechal Craveiro Lopes. Porque na parte final do seu mandato Craveiro Lopes discordara de Salazar este já o não recandidatou, preferindo apresentar Américo Tomás (Ministro da Marinha desde 1944), que lhe dava mais garantias de vir a ser mais um “boneco de palha”.
Caso bastante paradigmático de passagem à oposição foi o de Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz (1900-1970), um apoiante do 28 de Maio que foi posteriormente observador do Exército Português na Alemanha nazi no princípio da Segunda Guerra Mundial, Ministro do Interior (1944-47), adido militar em Madrid e Washington (1949-51), procurador à Câmara Corporativa, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (1955-58) e Ministro da Defesa Nacional (1958-61).
Botelho Moniz repudiava a posição oficial sobre a descolonização.
O Ministro da Defesa, que de longa data mantinha contactos com agentes da CIA e representantes diplomáticos dos Estados Unidos e liderava (com a simpatia de Craveiro Lopes e Marcelo Caetano) um grupo de personalidades político-militares adversas à posição oficial sobre o “Ultramar”, só apareceu naquele cargo após as eleições de 1958, altura em que Salazar teve de sacrificar Marcelo e Santos Costa.
A equipa de Botelho Moniz (Almeida Fernandes e Costa Gomes, Ministro e Subsecretário do Exército, respectivamente) esteve sempre na liderança do que viria a ficar conhecido por “Abrilada” ou “Golpe Botelho Moniz” que só abortou por excessiva confiança do Ministro da Defesa.
- Em 25 de Março Botelho Moniz expôs por escrito as suas ideias a Salazar e depois discutiu-as no Conselho Superior Militar, onde só Câmara Pina o não apoiou.
- Em 28 de Março Botelho Moniz reitera a Salazar o interesse de se fazer uma viragem para acabar com o isolamento do País. De tal forma ficou convencido de que o chefe do governo aceitara os seus pontos de vista que transmitiu o seu optimismo aos interlocutores americanos e partiu de férias para o Algarve.
Regressado a Lisboa e perante o mutismo de Salazar em relação aos pontos de vista que lhe expusera pessoalmente e por carta, Botelho Moniz resolveu passar à acção para o que, em 5 de Abril, se avistou com Américo Tomás apresentando a exigência de substituição de Salazar, demissão em que insistiu na noite de 11 de Abril.
O Presidente não ficou inactivo – no dia 6 reuniu com o chefe do Governo e figuras gradas dos chamados “ultras” (Soares da Fonseca, Ulisses Cortês e Santos Costa), no dia 11 recebe Salazar, com quem volta a encontrar-se no dia seguinte (neste caso participam também dos trabalhos Soares da Fonseca e Botelho Moniz).
No dia 13 de Abril, enquanto o Ministro da Defesa reunia com o “estado-maior” do “golpe” Salazar demitiu-o, bem como a Almeida Fernandes, Costa Gomes e Beleza Ferraz.
Sob a direcção de Salazar, que assume a pasta da Defesa, são nomeados Mário Silva, Gomes de Araújo e Adriano Moreira para Ministro do Exército, CEMGFA e Ministro do Ultramar, respectivamente.
Retirado de:http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=93711

fmoreira disse...

Jorge,
Obrigado pelo relato. Mais uma vivência da vossa passagem por
terras africanas.
Compreendo a tua reacção ao testemunhar a bofetada no elemento do teu grupo.
A mim ter-me-ia saltado a cavilha!
abc

José Francês disse...

O texto do Jorge está muito bem escrito, e transporta-nos com facilidade para o cenário então vivido.
Os comentários já inscritos, revelam também o sentimento comum que nos une.
Parabéns a todos pelas recordações agora transcritas.

jorge correia disse...

Enviei e-mail à pessoa que penso ser o Botelho Moniz que esteve comigo no Luiana e sei que ele já veio conferir (ver) o nosso blogue. Ainda não houve outra reacção, mas talvez ainda apareça.

Abraços!

Manuel Almeida disse...

Caro Jorge Correia

(Luiana 3 meses de isolamento) chamou-me á atenção e não resisti a entrar no blog pois,o nome Luiana dizia-me muito.
Eu fiz parte desse malfadado pelotão onde estive de 11/7/73 a 19/1/74 como 1º Cabo mecânico «Almeida».O episódio que contas infelizmente não foi o único já que,até ao fim da comissão era rara a semana que não havia Maka e, sempre originada
pelos mesmos «Botelho e Esteves» a quem na narrativa apelidas de «Trigueiro». Lembro-me dessa embaixada que lá foi mas, depois dessa ainda lá foram mais duas, uma das quais encabeçada pelo então General Comandante da Região Militar Leste cujo nome não me recordo e que de um modo geral foi pôr fim à série de atropelos que aquelas duas figuras perpetravam a pretexto de coisa nenhuma. Lembro-me que a secção de Serpa Pinto era chefiada por um Cabo-Meliciano, por acaso o único no acampamento e senão me engano era de Braga,o Tavares creio que era o Soldado que estava na messe e,raro era o dia pela hora da sesta que não levava uma cafeteira cheia de vinho fresco para o pessoal da ferrugem que estava sempre sentado no tronco existente frente á barraca dos condutores. O 1º Sargento era o Moura, o 2º o Saramago. Dos Furriéis só me lembro do nome do Rosa.Quanto ao facto do BM como lhe chamas,«só o conheci como "Lisboa Botelho"» ter ido parar ao Luiana é simples,
é que o mesmo para além de ser filho do Com.do RI22,o Luiana até nem era mau,comparado com Mavinga ou Cuito-Cuanaval já que há muito tempo que ali não se registava qualquer episódio de guerrilha, acresce que se o mesmo não fosse na altura para Luiana, só em 74 é que seria promovido a Alferes. Excluindo a tua secção,os especialistas e um ou dois Soldados atiradores todos os outros tinham acabado a recruta no RI22, e forma recrutas dos ditos Alferes. O que podia e devia ter sido uma comissão de serviço mais ou menos bem passada transformou-se num pesadelo para a maioria. Mas, já lá vai e hoje só resta recordar o tempo que lá passei.
Oportunamente enviarei algumas fotos.

Um abraço
Almeida

Jorge Correia disse...

Meu querido e velho companheiro de "guerras" Almeida!

Vejo com muita satisfação que a tua memória está muito melhor que a minha! Realmente o outro Alferes chamava-se Esteves, como não me lembrava do nome , meti o Trigueiro ahahahahahahahahah, desculpem lá qualquer coisinha. É pá e agora vejo que realmente também o Alferes Botelho, era Lisboa Botelho e não Botelho Moniz, ena pá ca ganda bronca que eu dei.
Ouve uma coisa; o cabo miliciano era eu na altura, pois tinha levado uma porrada e só quando já estávamos no Tabi em 74 fui promovido. O furriel que me substituíu é que era o Gomes e é de facto de Braga. Tens igualmente razão, havia sim dois sargentos, até me pediam os jornais e revistas que recebia para lerem, eram simpáticos. Lembro-me que uma vez vocês convidaram-me para uma farra na vossa tenda dos mecânicos, que meteu muito álcool e liamba com fartura. Lembro-me também dessa ida lá do Comandante da Região Leste, fui eu com o meu grupo que fizemos a segurança na pista de aterragem. E olha, eu não sabia que aqueles tipos eram todos maçaricos, embora tivesse notado que naquela operação que fiz com eles, ia tudo cagádo de medo. O Tavares era do meu grupo e encaixou-se a servir na messe, havia também o vosso cozinheiro que era craque na cozinha, muito bom mesmo, acho que nunca comi tão bem como no Luiana, pouco depois de termos chegado a Lisboa encontrei-o no Terreiro do Paço e ele disse-me que era cozinheiro do Ritz.
Quando o Fernando Moreira me enviou a tua foto, a cara não me era desconhecida, mas foi um enorme prazer teres entrado em contacto,.....como sabes enviei-te aquele e-mail ~e não vamos agora concerteza perder o contacto. Vai haver em Novembro um convívio do 4611 o nosso Batalhão e tenho a certeza que o pessoal terá muito gosto em que participes. Dá mais notícias, onde moras e os contactos.
Um grande abraço, deste velho camarada e até breve !

fmoreira disse...

Olá Almeida,

Realmente este mundo é uma aldeia, volta não volta e estamos a encontrar-nos de novo.
Bem vindo.
Para o Jorge: Grande confusão essa do BM!! Eh! Eh!

jorge correia disse...

Fernando Moreira, por favor não me gozem....a minha memória tem falhas como ficou comprovado hehehehe.

Almeida,

É pá, sei bem quem era o Rosa, aquele tipo baixinho e barrigudo que era Regente Agrícola, o gajo construiu uma horta mesmo ao lado da casa dos furriéis e a cama dele era mesmo ao lado da minha de modo que o mangas acordava-me de manhã para o ir ajudar na horta,..claro que eu baldava-me, nunca percebi nada de agricultua e claro que também não era ali que pretendia começar a perceber. Olha, eu vivo no Brasil, mas em Outubro estarei em Lisboa e vou nessa altura enviar mais fotos do Luiana para o Blog.
Lembras-te quando lá estiveram uma coluna de tropas Sul-Africanas ???
Nesse dia por acaso eu estava de sargento de dia e um sargento sul-africano foi ter comigo a mandar umas bocas sobre a segurança do destacamento, claro que o mandei à merda e disse para ele se ir queixar ao General,...mas o artista depois de jantar convidou-me para jogar Xadrês e levou também nas lonas e aí é que o gajo ficou mesmo emburrado. Também fizemos uma partida de futebol, bom aí levaram uns 20-0 mais ou menos. Não sei se te lembras disto....!
Mas é verdade, o Botelho ops (Lisboa) heheheh ainda era um tipo afável, embora com umas atitudes estranhas, penso que talvez fosse imaturidade a querer mostrar que era forte,...ora isso definitivamente ele não era. O Esteves era um cavalo, um energúmeno, uma vez o furriel Filipe por muito pouco não lhe foi ao focinho, aliás eu e outro furriel é que o agarrámos, o Esteves andava sempre a picá-lo e ele perdeu a cabeça.
Almeida, conta mais histórias de lá, e escreve ao pessoal do Forum e para mim pessoalmente, teria muito gosto.

Grande abraço!

Manuel Barros disse...

Bom dia Forum.
Foi com satisfação e ao mesmo tempo com tristeza que li todos estes testemunhos.

Sou Manuel Barros e fui do curso de C. O. M. do Lisboa Botelho e do Esteves, e mais ou menos estou por dentro dos tristes acontecimentos que se lá passaram, porque fui eu que rendi o L. Botelho no Luiana. Estive a comandar o destacamento no Luiana de Janeiro a Julho de 74 e o Alferes que esteve comigo, Daniel Gavino Dias, e restantes graduados e praças fizemos uma equipa que eu considero excepcional, claro que com algumas fricções pois o local era propício pelo isolamento e o contacto permanente com as mesmas caras, mas nada que com um pouco de compreenção não se resolvessem.
Mudando de assunto, porque não fazermos um encontro do destacamento do Luiana com pessoal de todos os pelotões e companhia que lá estiveram. Penso que seria interessante. Fico aqui pela minha
proposta até a um próximo contacto.
GR. Abraço

Manuel Almeida disse...

Bom dia para todos
Depois de algum tempo de ausencia,foi com enorme satisfaçao que li o teu texto.Recordo-me quando chegaste ao Luiana,mas tambem da tua estada em Caconda,das viagens que faziamos a Caluquembe e a Nova Lisboa quando ias visitar os teus pais,no teu famigerado Toyota Celica que parecia ter asas ,com paragem obrigatoria no noturno 67.Bons tempos esses,Eu voltei para Caconda onde terminei a comissão em 74.
Feliz Natal
Um abraço
Almeida

raul ribeiro disse...

Bridgeport ,Ct.USA....22 de Dezembro de 2013...dia de inverno,nao muito frio e resolvi dar uma volta por paginas de Angola e fui ter a esta do Luiana...fiquei muito satisfeito por ler todos os comentários e...se me permitem...vou deixar o meu...ate Agosto de 72 o pelotão de caçadores eventual do liana pertencia ,por incrível que pareça.ao RI de Luanda,A partir desta data passa para Sa da Bandeira e os primeiros encarregados do local fui eu,Raul Ribeiro e o Julio Batista,Furrieis Picarra,Coelho.Manel,Nelson{seringas] e primeiros sargentos Faria e Pinto da silva...todos fomos para o Luiana como voluntários e depois de todos nos conhecermos muito bem,devido as condições de isolamento que com sabemos cacimbavam a malta...desde inicio que vi que era preciso manter o pessoal ocupado e havia que arranjar maneira de o fazer....em 6 meses de permanência construímos o sistema de distribuição de agua que começava na bomba junto ao rio e terminava no banheiro junto a residência do comando.A seguir fizemos o tal "campo de tênis"???que foi construído para ser um heliporto para os helios aterrarem,,,,seguidamente construiu=se a casa dos sargentos...feita de raiz com ajuda da população local...tambem foi feito o edifício da administração dirigida por um construtor açoreano vindo do Malawi conhecido como SACA NA AMERICA e que usou os soldados como trabalhadores(claro que lhes pagou)..nada mau para 6 meses de permanência...nada de especial a salientar excepto um pequeno problema com um soldado que acabou por ser evacuado e a celebre mina que rebentou um unimos e feriu ligeiramente o furriel Manel....em finais de janeiro de 73 fomos rendidos por outro pelotão vindo do RI 22 comandados pelo Viegas e pelo Secia.Tenho uma coleccao enorme de slides,destacando os por do sol...mas ainda não houve oportunidade de os por na net,depor do meu regresso a sa da bandeira estive em Caconda onde fui apoiar o capitão Natario recém chegado do Puto,Mais tarde e depois de um csm e um com na EAMA passei a peluda em jan 74.Quanto ao célica do Barros,quem não se lembra?Um abraço e se alguém me quiser contactar Racoribeiro@yahoo.com.Tambem estou no FB como Raul Ribeiro.Um grande abraço a todos os lianas.

JOAO MANUEL RODRIGUES disse...

CAROS AMIGOS
SEM QUERER DESCUBRO FOTOS DO DESTACAMENTO DO luiana.
EU FUI JUNTAMENTE COM O ALFERES BOTELHO, ALFERES ESTEVES, FURRIEL ROSA, RIBEIRO E OUTROS MAIS, DO RI 22 PARA O luiana, EM 1973.
O ALFERES BOTELHO FOI COMANDANTE DO DESTACAMENTO. ELE É FILHO DO CORONEL BOTELHO Q NA ÉPOCA ERA COMANDANTE DO RI 22. GOSTARIA DE SABER MAIS DESSES CAMARADAS. ALGUNS DELES ENCONTRAVA-OS EM CALDAS DA RAINHA NO ENCONTRO DE SÁ DA BANDEIRA.REALMENTE FORAM SEIS MESES BONS E MUITAS RECORDAÇÕES TENHO DE LÁ.
SOU JOÃO MANUEL RODRIGUES. 1 CABO ATIRADOR.
MEU CONTATO NO FACEBOOK É JPALANCANEGRA@HOTMAIL.COM OU 96843627 CASO QUEIRAM FALAR COMIGO.
UM FORTE ABRAÇO A TODOS OS QUE POR LÁ PASSARAM.

JOAO MANUEL RODRIGUES disse...

CAROS AMIGOS
SEM QUERER DESCUBRO FOTOS DO DESTACAMENTO DO LUIANA.
EU FUI JUNTAMENTE COM O ALFERES BOTELHO, ALFERES ESTEVES, FURRIEL ROSA, RIBEIRO E OUTROS MAIS, DO RI 22 PARA O LUIANA, EM 1973.
O ALFERES BOTELHO FOI COMANDANTE DO DESTACAMENTO. ELE É FILHO DO CORONEL BOTELHO Q NA ÉPOCA ERA COMANDANTE DO RI 22. GOSTARIA DE SABER MAIS DESSES CAMARADAS. ALGUNS DELES ENCONTRAVA-OS EM CALDAS DA RAINHA NO ENCONTRO DE SA DA BANDEIRA.REALMENTE FORAM SEIS MESES BONS E MUITAS RECORDAÇÕES TENHO DE LÁ.
SOU JOAÕ MANUEL RODRIGUES. 1º CABO ATIRADOR.
MEU CONTATO NO FACEBOOK É JPALANCANEGRA@HOTMAIL.COM OU 96843627 CASO QUEIRAM FALAR COMIGO.
UM FORTE ABRAÇO A TODOS OS QUE POR LÁ PASSARAM.

Amilcar Lobato disse...

Boas a todos fico feliz por rever locais que passei o luiana foi um deles por pouco tempo estive laem deligencia temporaria como eletricista auto a fazer reparações isto72 da matança dohipopotano estava lá,uma vez fomos á caça no unimogue perdemonos fezse noite dormimos na mata e so demanhã com o dia ganhamos tino foi um bom susto,bons tempos.

Amilcar Lobato disse...

Boas a todos fico feliz por rever locais que passei o luiana foi um deles por pouco tempo estive laem deligencia temporaria como eletricista auto a fazer reparações isto72 da matança dohipopotano estava lá,uma vez fomos á caça no unimogue perdemonos fezse noite dormimos na mata e so demanhã com o dia ganhamos tino foi um bom susto,bons tempos.

Unknown disse...

Em 71/72luiana era um local terrível pois o alferes k chefiava resolveu disparar rajadas de metralhadora sobre a bandeira nacional.(processo secreto).o meu camarada cripto nessa altura também foi despromovido pois mandou MSG para cheret/Luanda para a sua substituição. (Fernando seu nome).

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta