terça-feira, 30 de junho de 2009

Figueira de Castelo Rodrigo, Junho de 2009

(Por Luís Marques)

video


No fim-de-semana passado (dias 26, 27 e 28 Junho) realizou-se mais um encontro (o nono), dos antigos furriéis milicianos da C.C.S. do Batalhão de Caçadores 4611/1972.
Mais uma vez este encontro foi organizado pelo Joaquim Raposo.

O Raposão, organizador do encontro

É já um lugar comum dizer que estes eventos contam sempre com a inexcedível capacidade organizativa do Quim Raposo, tudo fazendo para que o acontecimento decorra sempre de forma irrepreensível.
Foram três dias a saborear a boa comida da Beira Alta, a degustar os excelentes vinhos e a apreciar as belezas paisagísticas, arquitectónicas e culturais daquela região raiana e de Riba-Côa. Só quem já contemplou o Rio Douro e o seu afluente Águeda do alto do miradouro da Sapinha, olhando de frente para duas províncias portuguesas (Beira Alta e Trás-os-Montes), tendo do seu lado direito a província espanhola de Salamanca e se admirou com o voo planado dos grifos, dos abutres do Egipto, das águias e dos falcões, entende o que se pretende dizer com “belezas paisagísticas” da região.



Vista do Alto da Sapinha, Escalhão (das terras da Beira-Alta, temos em frente Trás-os-Montes e à direita a província de Salamanca, em Espanha)


Outra vista do Alto da Sapinha, Escalhão ( em frente o "Penedo Durão", perto de Freixo de Espada à Cinta, em Trás-os Montes)


Alto da Sapinha (em baixo o rio Águeda, no local de afluência com Rio Douro. Na margem direita do Águeda temos terras de Espanha)

E que dizer da contemplação de toda esta região soberba do alto da Serra da Marofa e do espectáculo deslumbrante apreciado do alto da fortaleza vetusta de Castelo Rodrigo (uma das aldeias histórica de Portugal)?

Miradouro da Serra da Marofa, Figueira de Castelo Rodrigo (em primeiro plano, Jaime Ferreira, Zé Vasconcelos, Manuel Oliveira, Fernando Pinho, Joaquim Raposo, João Novo. Em segundo plano, Luís Marques, Adriano Monteiro, Zé Manuel Francês e Zé Duarte)

No mesmo local, Fátima Pinho, Cassilda, Celeste Ferreira e Dulce Duarte

Castelo Rodrigo, visto da Alto da Marofa


A vista do Alto da Marofa, olhando em direcção à cidade da Guarda

A aura que se advinha na aldeia de Castelo Rodrigo, bastião defensivo das investidas das tropas invasoras vindas reino de Castela, muito bela com as suas pequenas casas seculares, quase todas elas recuperadas por mãos competentes, tuteladas pelas muralhas do seu castelo, que nos encantam e fazem sonhar com períodos já passados e que remontam ao princípio da nacionalidade.

Castelo Rodrigo, visto da Marofa

A entrada em Castelo Rodrigo



O Quim Raposo, Monteiro, Francês, Celeste e Dulce, em Castelo Rodrigo


Outro aspecto da nossa passagem por Castelo Rodrigo

Nas ruas estreitas de Castelo Rodrigo

As belas casas restauradas de Castelo Rodrigo


Fátima Pinho

As muralhas do Castelo



Também a aldeia de Escalhão, a aldeia no nasceu o Quim Raposo e que foi sede de concelho até início do século XIX merece uma visita atenta.
A este propósito, e da inscrição incisa no do Pelourinho da aldeia e que o Quim Raposo não nos soube esclarecer, atentem o que dizem os anais da história.


O Pelourinho da Aldeia de Escalhão

“A Igreja Matriz, cuja fronteira e torre do relógio se supõe serem restos da fortaleza medieval, é um templo do século XVI, sobressaindo na frontaria um portal de linhas clássicas com frontão triangular e colunas de caneluras nos dois terços superiores. Outro sinal característico deste monumento são as marcas de balas de canhão que se podem notar em algumas pedras resultantes da investida espanhola em terras portuguesas no ano de 1642.

A Igreja Matriz de Escalhão

O esplendor do altar da igreja matriz de Escalhão


Em 17 de Outubro desse ano entrou em Portugal um exército espanhol comandado pelo renegado português João Soares de Alarcão, com 4500 soldados e 400 cavaleiros. As povoações por onde passaram foram mergulhadas no sofrimento, destruição e ruína. O fumo, provocado pelos incêndios das casas e haveres, era como o sinal de luto corroborado pelos gritos dos que lamentavam a morte dos seus e a destruição do fruto de uma vida de trabalho.
Esta força militar prosseguiu o seu caminho destruidor pelo concelho indo quedar-se frente às paredes fortificadas da igreja de Escalhão. A população, auxiliada por um pequeno destacamento de 35 soldados, sob o comando de João da Silva Freio, preparou-se para enfrentar o inimigo. Julgando que a presa era fácil, o invasor acometeu contra o reduto defensivo. Porém os escalhonenses defenderam-se heroicamente dizimando com fogo cerrado os soldados espanhóis. No segundo assalto, protegendo-se com todo o tipo de materiais que encontravam, o inimigo atacou de novo. A igreja era o principal alvo das granadas de artilharia. As mulheres com mantas encharcadas num poço existente na igreja extinguiam os incêndios provocados pelas bombas. Com tecidos vários faziam ligaduras que usavam para socorrer os feridos. Dentro do templo os mortos e feridos atestavam a dureza do combate.
Conta a tradição que um homem de nome Janeirinho, matou o capitão dos castelhanos na entrada da porta falsa. O capitão de Zamora investiu contra a porta gritando: “ Viva o capitão de Zamora”. De dentro respondeu-lhe Janeirinho: “ Viva o Janeiro com a sua porra”, ao mesmo tempo que enfiava o badalo do sino sobre a cabeça do capitão. As tropas inimigas, já bastante enfraquecidas e surpreendidas pela resistência, entraram em pânico ao verem um dos seus chefes morto. Aproveitando este momento de hesitação os portugueses saíram do templo e investiram contra os espanhóis que começaram a recuar abandonando as suas posições. Num local denominado “A Veiga dos Mortos” o inimigo parou e, reorganizando-se, tentou tomar a ofensiva, mas de nada valeu o seu esforço. Os portugueses apontaram sobre eles as peças de artilharia que capturaram e quase os dizimaram.”

O Quim Raposo olhando para o Pelourinho da sua terra natal, certamente estranhando não nos saber contar o significado das inscrições dele constantes

Tivemos, portanto uma reedição da Batalha de Aljubarrota, 257 anos depois daquela que a história mais enaltece. Mas esta vitória sobre os espanhóis não fica diminuída se comparada com aqueloutra. E na falta do Condestável D. Nuno Álvares Pereira
, temos o herói Janeirinho.
Porque será que os espanhóis nunca aprendem?...

Para comer uns belos peixes do rio fritos, acompanhados por saborosas migas, num agradável restaurante sobranceiro ao Rio Douro, num início de tarde bem solarenga, acompanhado de um excelente vinho branco da região, de sabor muito frutado, merece bem percorrer as centenas de quilómetros que separam a vila de Figueira de Castelo Rodrigo da casa de cada um.


O tal restaurante sobranceiro ao Rio Douro, onde se comeu um peixinho do rio delicioso
Um aspecto do almoço de sábado, dia 27 de Junho
Destaco ainda a gentil oferta da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo aos participantes deste encontro em terras de Riba-Côa, com várias monografias sobre esta encantadora região, com destaque para dias excelente obras: “Aromas e Sabores de Figueira de Castelo Rodrigo” de autoria de Cláudia Sofia Dias, na qual a autora destaca o lugar que os recursos naturais directa ou indirectamente associados à vegetação ocupam no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Merece a pena ser lido sem qualquer sombra de dúvida; a outra monografia que pretendo destacar é a obra da “Associação de Transumância e Natureza” sobre os “Pombais Tradicionais no Vale do Rio Côa". É sem duvida uma obra interessante e que merece uma leitura atenta. Na verdade, aqui e ali, estes pombais, verdadeiros “sentinelas da paisagem rural”, ousam mesmo assemelhar-se aos moinhos com que D. Quixote se teve de confrontar e são marcos inconfundíveis da paisagem da região e da maneira de ser do povo destas terras raianas.

Foi sem dúvida um belo fim-de-semana. Bem hajas Raposão.

Para alguns (João Novo, Manuel Oliveira, Zé Vasconcelos e Luís Marques), foi também a oportunidade de rever o nosso ex-primeiro sargento António Corga, ao fim de quase 35 anos e recordar os belos tempos passados e as saudosas jornadas de caça em M´pupa. O homem está famoso! Com 70 e muitos anos ainda preside à “Acatin – Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas”.



O nosso Amigo António Corga

Manuel Oliveira, João Novo, Zé Vasconcelos, Antonio Corga e Luís Marques, em Mouriscas


Agora ficamos à espera do próximo convívio, que bem poderá ser por terras de Viriato, se o Adriano Monteiro quiser lançar mão à sua organização.

5 comentários:

José M Francês disse...

Ao acabar de ler o belo texto, que o Luis mais uma vez nos oferece , pude reviver todos os belos momentos vividos neste fim de semana. O prazer de conviver, e abraçar os Camaradas e seus Familiares superou em larga escala todo o resto...
Fica mais um forte abraço ao Raposão, sempre fiel aos pricipios de que acima de tudo vale a AMIZADE !
Gostei de ver o CORGA ! Fico na expectativa de novas oportunidades para se reforçar todos os laços existentes.

fmoreira disse...

Por isso vocês designam o convívio de "retiro espiritual". A paisagem faz lembrar as vistas a partir de um mosteiro, ruas medievais, templos e monumentos, mas de monges....
Tenho pena de não ter participado vocês todos juntos devem ser um espectáculo.
1abc

fatima pinho disse...

Já há tempos, não visitava o blog (confessei, pronto!) e fiquei encantada em ler a extraordinária cobertura jornalística do encontro deste ano, assinada pelo Luis. De fato, foram dias de saudável e alegre confraternização, reencontro de velhos e novos amigos, reunidos sobretudo pelo desejo de conviver e usufruir do amor e amizade que sentimos uns pelos outros. Fica meu abraço e o abraço do Fernando para nossos queridos amigos, já cheios de saudades e na espera de um novo reencontro qualquer dia.

Luis Marques disse...

Minha querida Fátima,

É sempre um prazer "ouvir-te", lendo as tuas amáveis palavras.
Saudades vossas, também eu (nós) tenho (temos).
No futuro, que desejo breve, voltaremos a encontrar-nos. Mas vocês sempre estarão aqui...

António Ferreira Alves disse...

Agora que estou a ler as vossas mensagens,não posso deixar de tentar que alguém da ccs do 4611,logo que possivel, se comonique com o amigo Alves da 1ª companhia,para ver se podê-mos organizar um convívio a nivel de Batalhão.
Para melhor informação, aí em Figueira está o, ex Presidente da camara, Armando Pinto Lopes, que foi oficial na 1ª companhia do 4611.O meu contacto é:919046735, ou afa.systemoveis@hotmail.com

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72

BATALHÃO DE CAÇADORES 4611/72
conduta brava e em tudo distinta